Especialista alerta sobre risco de transferir gestão à iniciativa privada pelo GDF

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PPPs são anunciadas pelo governo, com promessa de que a população não terá gastos adicionais, mas zona azul de estacionamento pode ser criada

Em dificuldade até para pagar salários, o GDF vai recorrer à iniciativa privada em serviços atualmente tocados pela administração pública. Ontem, o Executivo estabeleceu áreas prioritárias para parcerias público-privadas (PPP) — entre elas, o Zoológico, o Parque da Cidade e as torres de TV e Digital. Empresas e consórcios interessados têm 60 dias após a publicação dos editais no Diário Oficial do DF para apresentar propostas. Um levantamento ainda será feito, mas o governo visa economizar, no mínimo, R$ 25 milhões por ano. Apesar de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) reiterar diversas vezes que “não quer trazer gastos à população”, a cobrança por estacionamento em locais públicos — conhecido como zona azul — integra o pacote.

Atualmente, há um desequilíbrio, segundo o GDF, nos gastos e na arrecadação da maioria dos nove locais citados pelo governador durante o anúncio (Veja quadro). As PPPs servirão para diminuir os gastos e oferecer melhores serviços — inclusive no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, que é autossuficiente, mas o governo avalia que poderia ser mais rentável nas mãos da iniciativa privada. A maior parte das parcerias, como a do Parque da Cidade, do Zoológico e das torres de TV e Digital, terá exploração comercial dos espaços e dos permissionários.

Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU-DF), Tony Malheiros, o GDF precisa tomar cuidado com as áreas tombadas. “É necessário manter as características originais”, alertou. Para ele, o governo não pode tentar terceirizar totalmente a responsabilidade. “Não pode fazer parceria para se livrar da estrutura. A Rodoviária criada embaixo do Touring, por exemplo, é um absurdo: aquilo não pode ser repetido”, disse. Do setor produtivo, elogios e desconfiança. O presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, afirmou sempre “ter visto com bons olhos”, mas teme calotes. “O Estado administrar comida para rã e elefante, por exemplo, é esquisito. Mas deve-se estabelecer um vínculo de confiança com o empresariado. Em negociações com governos passados, já tomamos muito calote”, explicou.

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