Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Os amantes das flores poderão apreciar mais de 500 espécimes trazidas por expositores de São Paulo, Minas Gerais e Goiás

Aparecida de Goiânia sediará nos dias 24, 25 e 26 de setembro, a 14ª Exposição de Orquídeas e Rosas do Deserto. O evento será realizado no Temae Beach Esportes e Eventos – espaço situado ao lado do Anfiteatro Municipal – e cumprirá todas as normas sanitárias exigidas pelo Comitê de Enfrentamento ao Covid-19 no município, para evitar a disseminação do novo Coronavírus. A realização da Exposição conta com o apoio da Prefeitura de Aparecida, por meio das Secretarias de Cultura, Ação Integrada e Assistência Social.

Com entrada gratuita, a visitação estará disponível das 9h às 20h nos três dias. “Mesmo que o fluxo de pessoas dentro do espaço seja constante, as entradas serão monitoradas para que não haja aglomeração. No local será disponibilizado álcool gel, aparelho para verificar temperatura, e será permitida apenas a entrada e permanência das pessoas que estiverem usando máscara”, destacou a coordenadora da Exposição, Marling Frauzino.

Além de presentear os visitantes com a beleza peculiar de cada espécie de flor, o evento também tem o foco beneficente. Cada visitante que doar 2 quilos de alimentos não perecíveis, recebe gratuitamente uma muda de orquídea e/ou rosa do deserto. As doações serão encaminhadas para a Secretaria de Assistência Social do município que fará a destinação dos alimentos para entidades filantrópicas e famílias carentes.

Segundo a coordenadora, o evento traz expositores de diversas regiões do Brasil e do interior de Goiás. “Serão milhares de flores, mais de 500 espécimes trazidas por expositores de São Paulo, Minas Gerais e de diversos municípios do nosso Estado”, destacou. As plantas serão vendidas a partir de R$ 15 e os visitantes também poderão comprar vasos, substratos, adubos e receber explicações sobre o cultivo das plantas.

De acordo com o secretário de Ação Integrada, Vanilson Bueno, a exposição faz parte do calendário oficial de eventos do município. “Realizado duas vezes ao ano, em março e em setembro na primavera, o evento precisou ser suspenso por conta das medidas de combate a transmissão do Coronavírus. Agora com os casos caindo e a população sendo vacinada, podemos novamente realizar a exposição, que costuma atrair expositores e visitantes de vários bairros. A Exposição de Orquídeas e Rosas do Deserto é muito esperada pelos munícipes”, ressaltou.

Chega aos cinemas e plataformas digitais nesta quinta-feira (2) o documentário Parque Oeste, sobre um dos despejos mais violentos do país. Dirigido pela cineasta goiana Fabiana de Assis, tem como pano de fundo uma desocupação ocorrida em fevereiro de 2005 em Goiânia (GO).

De grande interesse do mercado imobiliário, o terreno estava abandonado havia décadas e havia pelo menos 40 anos que não pagava impostos. “Ali servia para desova de cadáveres, de desmanche de carro. E se transformou em uma infinidade de barracos de plástico preto. Com as promessas do governo de que não seríamos removidos, fomos erguendo nossas casas de alvenaria. Fizemos empréstimos para comprar material de construção e fomos nos fortalecendo. Até que após um período eleitoral começaram a vir avisos de despejos e a ronda de policiais à noite. Cortavam a luz, jogavam gás lacrimogêneo. Ficamos nessa tortura por 14 dias, até que veio o despejo”, relatou à RBA a moradora Eronilde Nascimento.

Em menos de duas horas, cerca de 1.800 policiais militares sob comando do governador Marconi Perillo (PSDB) despejaram 14 mil pessoas de suas casas, jogadas na rua, inclusive crianças e idosos. Dois moradores foram assassinados pela polícia, entre eles Pedro do Nascimento Silva, marido de Eronilde. Outros 16 moradores tiveram ferimentos graves, tendo uma delas ficado paraplégica. Mais de 800 pessoas foram detidas.

Violações

Uma das maiores violações dos direitos humanos ocorrida na América Latina, a desocupação das famílias do Parque Oeste será lembrada também pelas crianças chorando, muitas sujas de sangue dos próprios pais, enquanto distribuíam bandeiras brancas feitas de papel.

Os mortos foram velados na Catedral de Goiânia, que chegou a abrigar parte das famílias por um período. Nos dias seguintes, as famílias foram sendo alojadas em ginásios de esportes e outros locais ao longo de três anos. Só em 2007 começou a mudança das cadastradas para o bairro Real Conquista na extrema periferia de Goiânia.

“Mandaram a gente para um lugar muito longe, quase na zona rural, que ainda não tinha luz, totalmente abandonado, nem ônibus subia. Tinha apenas droga para receber os jovens. Tem mãe que perdeu três filhos para a droga. Mas transformamos o Bairro Real Conquista nesses 16 anos. Hoje temos programa de saúde da família, creche, escola municipal, praças e corremos atrás de benefícios”, disse Eronilde.

Despejo violento

As imagens do dia do confronto, captadas pelo jornalista e ativista estadunidense Brad Will, morto dois anos depois no México, mostram cenas de verdadeira guerra – abafadas pela mídia e autoridades –, que vêm à tona com o documentário de Fabiana.

“Essa história é recontada em detalhes por vídeos, fotos e o testemunho de moradores, especialmente Eronilde Nascimento, que teve o marido assassinado na ação policial durante o despejo. Ela tornou sua perda em luta por justiça para aqueles que perderam suas casas e familiares durante o episódio”, disse à RBA a diretora Fabiana de Assis. “Esse encontro com Eronilde é fundador do filme Parque Oeste. Primeiro porque, ao conhecer Eronilde, sou impactada pela sua história e pelo fato de sermos duas mulheres que compartilham a mesma idade, mas vivências completamente distintas. Isso me levou ao exercício profundo de desconstrução das minhas próprias visões pré-concebidas sobre as pessoas que se dedicam à luta pela moradia”, disse Fabiana.

Reconhecimento

Segundo ela, a resistência de Eronilde junto às famílias que conseguiram forças para seguir adiante lutando, apesar de tudo, é um dos pontos mais marcantes da história narrada também pela protagonista.       

O documentário foi exibido no Festival Brésil en Mouvements, Paris, em 2019. No mesmo ano, recebeu a distinção de Melhor filme da Mostra Olhos Livres da 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), e o prêmio “Sequência” na terceira Mostra SESC de Cinema, Paraty. Foi Menção Honrosa na Oitava Mostra Ecofalante de Cinema, São Paulo, em 2019, e na Décima Semana de Cinema do Rio de Janeiro, em 2018.

Confira trailler

https://youtube.com/watch?v=g90qOKNE2yo%3Ffeature%3DoembedTAGS%3A

A Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás (OSJG) e o maestro convidado Cláudio Cruz, um dos principais nomes da música de concerto, sobem ao palco do Teatro SESI com plateia reduzida, nesta terça-feira (31/08). O espetáculo entra para as comemorações dos 250 anos de aniversário do Beethoven realizadas em 2021, devido à pandemia da Covid-19. A apresentação será híbrida, portanto o público poderá acompanhar presencialmente ou pelo YouTube ( www.youtube.com/teatrosesigo). O projeto é uma realização da Lei de Incentivo à Cultura, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo, com o patrocínio do Instituto Cultural Vale.

Beethoven e Mozart, ícones da música erudita, vão ter suas obras executadas pela OSJG no Terça no Teatro. O programa abre com o Concerto para Violino nº 3, do austríaco W. A. Mozart (1756-1791). Na segunda parte, será executada a Sinfonia nº 7 do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). A regência e o solo serão do violinista e maestro Cláudio Cruz, que é um dos principais nomes da música de concerto no Brasil e no mundo.

“A sétima sinfonia de Beethoven é uma das peças mais vibrantes do repertório sinfônico, de grande beleza também! Para a orquestra será um grande aprendizado. O concerto nº 3 de Mozart é utilizado como peça de confronto em muitos concursos e testes de orquestras no mundo inteiro. Será uma boa oportunidade para os jovens”, destaca Cláudio Cruz.

Segundo o solista, tem sido um privilégio interagir com jovens, na última década. “Adoro Goiânia, tenho grandes amigos aqui e gosto da atmosfera que esta cidade tem. Para mim será um momento mágico, me presentear com a orquestra jovem na terça. O público certamente sentirá este prazer”, finaliza.

SERVIÇO

Concerto: Beethoven e Mozart

Data: 31/08 (terça-feira);

Horário: 20h;

Classificação indicativa: livre;

Ingresso: 1kg de alimento não perecível;

Onde trocar? Bilheteria do Teatro SESI;

Endereço: Av. João Leite, nº 1.013, Setor Santa Genoveva;

Online: www.youtube.com/teatrosesigo

Mais informações: @teatrosesigo

Tradução para Libras

Foto: Carine Tannus

Em tempos de pandemia, marcados pelo isolamento, Marco Antonio da Silva Ramos diz que a música ajuda a alicerçar a capacidade de sobreviver na solidão.

Lidar com o isolamento causado pela pandemia ou com as dificuldades que surgem no dia a dia não é fácil para muitas pessoas. Há quem busque na música um caminho para tornar tudo mais leve, gostoso, prazeroso. Nessa fase de reclusão, houve quem se propôs o desafio de tentar descobrir em si um talento até então insuspeito, aprendendo a cantar, tocando um novo instrumento ou simplesmente escutando muito mais música.

Marco Antonio da Silva Ramos, professor titular sênior em Regência Coral no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP, cita que “existe música para todo estado de espírito”. Ele também conta que “houve um expressivo aumento de acessos às novas plataformas de música, vídeos musicais, que podem ampliar a visão de outras formas de fazer música, outras culturas, outros povos. Isso tudo amplia as fronteiras, o repertório, a capacidade de entender o outro. Segundo o professor, “produzir música permite que as pessoas travem um contato consigo mesmas, com seu próprio ser interior, ajudando a alicerçar a capacidade de sobreviver na solidão”. Não existe um gênero musical que seja mais indicado para quem quer se beneficiar do que a música pode oferecer, tudo depende do gosto pessoal de cada um.

Buscando amenizar e tornar agradável essa fase de desafios que a pandemia ocasionou, o professor Ramos conta que acolheu seus alunos em um ambiente de aprendizado profundo e extremo respeito pessoal. Ele destacou que as apresentações do Coro de Câmara Comunicantus estiveram ativas durante todo esse período, on-line, mesmo com todas as limitações e impossibilidades do momento. “Nós fomos buscando soluções em colaboração com os estudantes, aprendendo com eles e nos desafiando tecnológica e metodologicamente. Esse ambiente de colaboração foi relatado como acolhedor pelos nossos alunos”, lembra o professor. 


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. 

A Prefeitura de Aparecida de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), realizará entre os dias 24 e 31 de agosto, um novo cadastramento de artistas individuais, coletivos e entidades culturais locais.

A iniciativa visa identificar e mapear artistas e produtores de diversos segmentos culturais que atuam na cidade, além de garantir o acesso aos benefícios da Lei Aldir Blanc.

A Secretaria de Cultura preparou um cronograma com locais e dias alternados para fazer o cadastramento, dar orientações sobre a Lei Aldir Blanc, e assim atender a todos. Podem se cadastrar artistas, trabalhadores da área da Cultura, Micro e pequenas empresas culturais, Cooperativas e instituições culturais da Sociedade Civil, Organizações culturais comunitárias e Espaços culturais da Sociedade Civil.

A intenção da pasta é manter um banco de dados atualizado, facilitando a identificação dos agentes aptos para participação nos editais locais e em todo território nacional. “Com esse cadastro, a Secretaria de Cultura terá condições de selecionar agentes que, se habilitados, poderão desenvolver seus projetos ou atividades conforme editais ofertados pela administração municipal ou de outros entes federativos, como é o caso da Lei de emergência cultural Aldir Blanc do Governo Federal”, aponta o secretário municipal de Cultura, Avelino Marinho.

Cadastro via online

Para quem preferir não se deslocar em um dos pontos de cadastramento, o cadastro também pode ser feito via internet no link apps.aparecida.go.gov.br/cultura-viva/register mediante criação de login e senha para acesso. No cadastro, o interessado deve informar contatos pessoais, endereço, tempo de atuação, atividades realizadas para a comunidade e anexar documentos que comprovem a atividade em Aparecida.

O cadastro é feito em cinco etapas, sendo “identificação”, “classificação como agente, entidade ou coletivo”, “anexos e portfólio”, “área de atuação” e, exclusivo para entidades, “estrutura física”, sendo as quatro primeiras obrigatórias.

Segundo o secretário, o maior volume de informações contribui para certificação como ponto municipal de cultura. “O preenchimento do cadastro é algo simples, pois o site é bem explicativo. Os interessados devem fornecer o maior volume de dados possível. O preenchimento de todos os campos do cadastro irá facilitar o mapeamento de artistas ou coletivos culturais”, completou o secretário.

Lei Aldir Blanc

 A Lei Federal 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc, tem como objetivo central estabelecer ajuda emergencial para artistas, coletivos e empresas que atuam no setor cultural e atravessam dificuldades financeiras durante a pandemia. Em homenagem ao compositor e escritor Aldir Blanc, que morreu em maio, vítima da Covid-19, o projeto vem para socorrer profissionais e espaços da área que foram obrigados a suspender seus trabalhos.

Confira o cronograma de atendimento para o Cadastro Cultural:

Segunda a sexta-feira – de 23 a 31/08 (8h30às 11h30 /13h às 17h)

• Praça CEU das Artes João Natal de Almeida – Av. Bela Vista – Parque Flamboyant

• Praça CEU das Artes Orlando Alves Carneiro – Av. V 05 com Av. V 01 Cidade Vera Cruz ll

• Secretaria de Cultura de Aparecida (Centro de Cultura e Lazer José Barroso) – R. Gervásio Pinheiro, 232-300 – Res. Village Garavelo

Terça e quarta-feira – 24 e 25/08 (8h30às 11h30 /13h às 17h)

• Cras Jd. Tiradentes – R. 10, 889-949 – Jardim Tiradentes

• Cras Madre Germana – Rua Avenida Silvio Gomes – Setor Madre Germana I

Quinta e sexta-feira – 26 e 27/08 (8h30às 11h30 /13h às 17h)

• Casa do Empreendedor Cidade Livre – Av. Independência, qd 02 – lt 03 – Cidade Livre

• Casa do Empreendedor Garavelo – Piso 2 do Shopping Center Garavelo

Domingo – 29/08 (14h às 18h)

• Associação Roda de Violeiro do Estado de Goiás em Aparecida de Goiânia (ROVEG) – Rua Dona Adelaide Monclar, Quadra48 Lote 05, Parque Veiga Jardim

Segunda e terça-feira – 30 e 31/08 (8h30às 11h30 /13h às 17h)

• Centro Municipal de Educação Profissional (CMEP) – Rua Pindorama, Quadra 37A, Lotes 01 e 02 – Vila Brasília

O longa metragem brasileiro Doutor Gama foi selecionado para participar do American Black Film Festival (ABFF), maior evento de cinema negro do mundo. O filme nacional está entre as 10 obras escolhidas para integrar a edição que marca o aniversário de 25 anos do festival.

Dirigido pelo cineasta Jeferson De, Doutor Gama conta a trajetória de um dos personagens mais impressionantes da história brasileira. O abolicionista Luiz Gama nasceu livre na Bahia, foi vendido pelo próprio pai para pagar uma dívida de jogo, aprendeu a ler e a escrever já adulto e, como advogado, libertou mais de 500 pessoas escravizadas.

Nos cinemas e disponível na plataforma de streaming Globo Play desde o início do mês, o filme vem alcançando reações positivas de crítica e público. A participação no ABFF é mais um ponto de consagração, que abre caminhos para possibilidades como o Oscar e o Bafta.

::No Dia do Cinema Brasileiro, a comemoração dá lugar à resistência::

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Personagem histórico: A atuação de Luiz Gama como advogado libertou centenas de pessoas escravizadas - Divulgação

Em entrevista para o Brasil de Fato, Jeferson falou sobre a seleção em primeira mão (ouça a conversa na íntegra no tocador de áudio abaixo do título desta matéria). Emocionado, ele celebrou: "Recebi a notícia ontem. Ainda estou com os olhos brilhando". Para o cineasta, a seleção indica interesse em uma história que precisa ser contada.

"É algo muito grandioso, porque a comunidade negra americana está pressionando o Oscar há muito tempo. Chegar lá com um filme brasileiro e preto neste momento é muito importante". O diretor completa "Eles estão de olho na gente. Eles querem saber - quem é esse tal de maior abolicionista brasileiro, que a gente nunca ouviu falar?". 

Vida de filme, mas vida real

Luiz Gama é dono de uma história surpreendente, que deixa no chinelo a trajetória de qualquer super herói ficcional. Ele era filho de Luísa Mahin, mulher africana, livre e que participou ativamente de levantes negros e negras na Bahia.

"Em 1837, depois da revolução do dr. Sabino, na Bahia, veio ela ao Rio de Janeiro, e nunca mais voltou. Procurei-a em 1847, em 1856 e em 1861, na Corte, sem que a pudesse encontrar." afirma o próprio Gama em carta ao jornalista e amigo Lucio de Mendonça, datada de 1880.

Aos dez anos de idade, Luiz Gama foi vendido pelo próprio pai, levado de barco ao Rio de Janeiro e comprado por um contrabandista. Com um grupo de mais de 100 pessoas escravizadas, atravessou a muralha natural da Serra do Mar, de Santos a São Paulo, a pé.

::A história por trás de Luiz Gama, lutador contra o Brasil escravocrata::

Foi na capital paulista que ele cresceu, servo na casa de uma família branca. Aprendeu a ler e a escrever já adulto, frequentou aulas de direito como ouvinte na Universidade de São Paulo (USP), conseguiu licença para atuar, mesmo não matriculado oficialmente e, dali, partiu para os tribunais.

"É uma criança, que nasceu livre. Ele foi vendido pelo próprio pai, comercializado como coisa, produto, objeto", conta Jeferson De. O diretor, no entanto, afirma que a vida de Luiz Gama não cabe no conceito de herói. 

"Eu tinha a impressão de que eu estava fazendo um filme sobre um super herói e toda hora eu tinha que me corrigir. Eu falava - não é um super herói, esse é o Luiz Gama e essa é a luta de Luiz Gama, que provavelmente foi a luta de muitas pessoas", conta Jeferson.

::Como combater um mundo estreito e repleto de violência::

O cineasta quer muito mais que o registro dessa jornada em filme. Para Jeferson, Luiz Gama precisa ser reconhecido e chegar a todos, às "quebradas" inclusive. "É a nossa história, é como resgatar a história de um parente, de um avô. Para mim tem esse lugar, eu, como homem preto, fazendo um filme sobre um ancestral".

Das palavras de Jeferson vem a certeza de que, no Brasil de hoje, conhecer, celebrar e destacar a figura de Luiz Gama são atos de absoluta relevância. "Ele tem uma importância para nós negros, mas ele tem uma importância para esse Brasil que a gente se quer, república, um Brasil livre, com a participação de todos."

Edição: Vivian Virissimo do Brasil de Fato

Horacio Salgán viveu cem anos. Um dos pioneiros do tango na Argentina, O músico era descendente de ex-escravizados, e remonta à origem do tango que, assim como o jazz, nasceu das mãos e mentes de negros e afrodescendentes. Uma versão da história ainda pouco conhecida já que os nomes de referência do gênero ficaram limitados aos artistas brancos, como Carlos Gardel e Astor Piazzola.

Nascido em 1906, Salgán foi considerado um menino prodígio quando aluno do Conservatório Nacional e, mais tarde, foi reconhecido mundialmente por seu estilo disruptivo no gênero do tango. Dedicou-se principalmente ao piano e seu estilo único foi fonte para músicos como Astor Piazzola, que costumava escapar nos intervalos de onde tocava com sua orquestra para ver Salgán no bar do outro lado da rua.

Pianista, compositor e diretor de orquestra, aos 20 anos integrava a orquestra de Roberto Firpo e fazia os arranjos da orquestra de Miguel Caló. Em 1944, fundou sua própria orquestra e lançou sua canção mais conhecida, “A fuego lento”, em 1955, um marco estilístico que abriu águas no gênero musical.

"O estilo de Horacio Salgán era único e um arranjo que passou pelas mãos dele se faz notar", pontua Edgardo Sarri, radialista especializado em tango, que conduz o programa "Todo Tango", na Rádio Melody. "Assim como ele, diversos outros músicos negros tiveram uma trajetória que deixou um legado fundamental para o tango, assim como muitas mulheres, que também não costumam ser mencionadas."

O tango é negro

Ao subir no palco, a cantora Shirlene Oliveira costuma ressaltar que canta tango porque faz sentido, pela raiz negra do gênero. Mulher negra e migrante do Brasil, decidiu viver na Argentina para dedicar-se ao tango, e é testemunha constante da ignorância social sobre suas origens.

"O desconhecimento e a negação sobre as origens negras do tango, no país de nascimento do estilo, é triste. Enquanto nega sua própria identidade, a cultura e toda população empobrece", afirma. "Minha experiência com o tango é de tenacidade, lido com comentários e situações que poderiam fazer qualquer artista desistir, porém, sigo determinada."

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"O tango é de origem preta e construído marginalmente, a partir da grande diversidade étnica e migratória", afirma a cantora Shirlene Oliveira. / Amanda Cotrim

Como uma espécie de sintoma cultural do país, na Argentina não é costume falar, estudar ou saber sobre os africanos escravizados, que chegaram a compor 46% da população em 1778.

"A história do tango tem raízes populares, como o jazz", afirma Edgardo Sarri, que destaca duas esferas fundamentais para entender o surgimento do gênero. "Está a esfera interna, que tem a confluência dos ritmos afrodescendentes, como o candombe – esse don don don que dá ritmo ao tango, que é lindo –; e está a externa, dos migrantes europeus que chegaram no século XIX e se instalaram nos cortiços, e trouxeram para o tango a ansiedade e a depressão, as histórias das pessoas perseguidas, fugidos de guerras."

:: Felipe Karam lança a música "Água de Santo" nesta quinta-feira nas plataformas digitais ::

Em uma pesquisa sobre as origens do tango, o antropólogo Pablo Cirio, do Instituto Nacional de Musicologia Carlos Vega, descobriu um documento que registra pela primeira vez a palavra "tango". Data de 11 de novembro de 1802, um boleto de compra de um "lugar de negros", no bairro hoje conhecido como Constitución.

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Salgán, no piano, completaria 105 anos e foi nome fundamental da música da Argentina - Creative Commonns

“A geração dos anos 80 construiu uma narrativa que deu os afroargentinos por desaparecidos da história", conta Pablo Cirio no portal de cultura do governo nacional. "Nesse mesmo momento, se formavam as disciplinas de sociologia, antropologia, musicologia, que obedeceram a essa narrativa dominante, não a questionaram."

Para o antropólogo, conhecer as raízes do tango é conhecer o gênero em si mesmo. "O tango tem origem negra e está vinculado à milonga urbana, e esta, com o candombe e outros gêneros afroportenhos menos conhecidos. E quando se escuta o candombe portenho, que sempre tem letra, dança, e se analisa a cadência da melodia, sua estrutura harmônica, você começa a escutar estruturas parecidas às de um tango antigo", comenta. 

"A escuta é cultural, e fomos educados para não ver nem escutar os negros. Quando você escuta um tango ou uma milonga com os ouvidos abertos à diversidade, começa a perceber sua origem negra", aponta Cirio.

Neste sentido, para Shirlene Oliveira, Horacio Salgán é uma das grandes referências que devem ser reconhecidas. "Salgán é uma referência das mais emblemáticas do tango, o menino afro do Abasto, que contribuiu às orquestras que dirigiu, e que sua musicalidade negra segue influindo até hoje", destaca.

"É relevante desvelar as origens africanas do gênero, importante reconhecimento que enriquece a história, faz jus a todos os aportes de pessoas que sofreram discriminação e escárnio, ao iniciarem o movimento cultural ao redor do tango, como os compadritos, as primeiras maestras de baile, compositores, músicos, que fizeram parte dos primeiros momentos desse enorme presente e legado, hoje patrimônio cultural imaterial da humanidade", completa a cantora.

Edição: Thales Schmidt - do BdF

O cantor Zeca Pagodinho foi internado com covid-19  sábado (14) na Casa de Saúde São José, na zona sul do Rio de Janeiro. ebcebc

Segundo boletim médico divulgado hoje (15) pelo hospital, ele foi internado para monitoramento e tratamento da doença e apresenta bom estado geral, apenas com sintomas leves e sem necessidade de suporte de oxigênio. 

Os perfis oficiais de Zeca Pagodinho nas redes sociais informam que, "mesmo com todos os cuidados, ele acabou se infectando", mas está internado apenas para ser melhor acompanhado pelos médicos.

"Mas fica o alerta: a pandemia não acabou! Cuide-se, use máscara, vacine-se!", diz o texto.

Edição: Paula Laboissière, da Agência Brasil

Na manhã desta quinta-feira, 12, o ator Tarcísio Meira faleceu aos 85 anos. Meira estava internado desde o último dia 6 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O artista foi contaminado pela Covid-19.

Na terça-feira, 10, foi divulgado o último boletim médico sobre o estado de saúde do ator. No comunicado, a equipe médica afirmou que ele estava intubado na UTI e teve que recorrer a “diálise contínua” por problemas nos rins.

A atriz Glória Menezes, 86, esposa do artista, também foi contaminada pelo coronavírus. Porém, as reações da doença foram mais levesCom isso, Glória estava em “boa recuperação”. Os dois estavam casados há 59 anos e os dois já tinham recebido a segunda dose da vacina contra a Covid-19. 

Ator de 84 anos, que há 20 sofria do Mal de Parkinson, morreu nesta quarta-feira.

Talvez pouco lembrado hoje em dia, o filme O Padre e a Moça , baseado em poema de Carlos Drummond de Andrade e dirigido por Joaquim Pedro de Andrade em 1966, representou a estreia no cinema de um jovem de 29 anos que havia começado no teatro mais ou menos uma década antes. O gaúcho Paulo José Gomes de Souza era o padre da trama, contracenando com Helena Ignêz. O filme foi considerado um dos melhores feitos no Brasil em todos os tempos.

Em 1969, veio Macunaíma, inspirado em livro de Mário de Andrade e novamente dirigido por Joaquim Pedro. E mais uma na lista das grandes obras cinematográficas nacionais. O anti-herói nasce negro (Grande Otelo) e se torna branco, passando a ser vivido por Paulo José, que aos poucos ganharia as telinhas e é reconhecido como um os principais atores do país. Também viveu outro personagem marcante da literatura, Policarpo Quaresma, em filme de 1998. Ele morreu nesta quarta (11), no Rio de Janeiro, aos 84 anos.

Em 2015, mostra celebrou os 50 anos de cinema de Paulo José
Segundo as primeiras informações, em consequência de uma pneumonia – estava internado havia 20 dias. E há mais de duas décadas convivia com o Mal de Parkinson. Casado, deixa quatro filhos, três do primeiro casamento, com a atriz Dina Sfat.

“Quanta história!”
“Vai em paz, Paulo José. Muito triste. Grande ator, ótima pessoa, estimado por todos. Daquela geração linda de Domingos, Carvana, Leila, Isabel, Joana, Dina, Cecil, Flávio… Quanta história!”, escreveu a jornalista Hildegard Angel. “Esse negócio de morrer devia ser abolido pra certas pessoas que só acrescentam à vida.”

“Perdemos um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos, o Paulo José”, comentou Patricia Pillar. “Ser humano generosíssimo e um ator brilhante. Seus personagens podiam ser leves e profundos ao mesmo tempo. Um artista gigante!”

Do Sul para São Paulo e Rio
Paulo José chegou a São Paulo no início dos anos 1960, onde trabalhou no Teatro de Arena. Começou em novelas em 1969, mas tornou-se conhecido com a dupla que compôs ao lado de Flávio Migliaccio, na novela O Primeiro Amor, de 1972. A dupla Shazan&Xerife fez tanto sucesso que virou seriado.

Ele trabalhou em dezenas de novelas, filmes e peças. Um filme mais recente de que participou foi O Palhaço (2011), ao lado de Selton Mello, que também foi o diretor.

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