Embate entre professores e diretor também prejudica a Escola de Música

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Os problemas instituição ultrapassam as dificuldades estruturais e financeiras. Secretaria de Educação criou grupo de trabalho para analisar a situação

Em meio à mais amarga crise da história, a Escola de Música de Brasília (EBM) enfrenta um problema que vai além da dificuldade financeira, estrutural e instrumental. Nos bastidores, um embate entre os professores e a direção tem causado mal-estar interno. O conflito envolve a enturmação de alunos — unir estudantes do mesmo nível em turmas coletivas —; a suspensão do projeto artístico pedagógico; a estruturação de aula do corpo docente e até a folha de ponto. De um lado, educadores alegam intransigência pedagógica. De outro, o diretor da escola, maestro Ayrton Pisco, garante que não há confronto, mas o fim da liberalidade que existia quando a instituição era ligada ao gabinete da Secretaria de Educação. Em 2012, ela passou a fazer parte da Coordenação de Ensino Profissionalizante e da Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro.

O clima de hostilidade tem prejudicado alunos e o bom relacionamento entre os professores e a gestão. Desde 12 de agosto, estudantes dos níveis básico 1 e técnico 1 que tinham aulas individuais passaram a aprender em exposições coletivas, com grupos de até quatro pessoas. Educadores denunciam a falta de estrutura das salas, a ausência de isolamento acústico e a indisponibilidade de equipamentos. O professor de flauta transversal Davon de Souza explicou que aulas de canto e de instrumento eram individualizadas. “Com a enturmação, um senhor de 60 anos pode ter aula com uma criança de 12. Além disso, não há infraestrutura nem trabalho acústico para isso. Fica inviável todos tocarem ao mesmo tempo.”

Segundo ele, há 11 flautas na escola, mas apenas duas funcionam. Uma, embora não esteja em boas condições, ainda é aproveitada. Outras oito estão estragadas. “Faltam instrumentos de forma geral e não há equipamentos disponível para os alunos no mesmo horário. A manutenção dos instrumentos é feita pelos professores. O valor da manutenção de uma flauta, por exemplo, varia de R$ 500 a R$ 800.”

Para a professora de canto erudito Denise Tavares, a aula coletiva poderia ser um complemento da atividade individualizada. “Não enxergamos uma melhora pedagógica; pelo contrário, uma diminuição na qualidade de ensino. Temos uma professora que trabalha com a metodologia suzuki nas aulas de violino indicada para crianças de 3 a 6 anos. O método não se adequa à Escola de Música, porque esse é um ensino de musicalização e não de instrumentos, como é feito na instituição.”

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