Em duas semanas, número de mortos dobra e chega a 2 mil na Ucrânia, diz ONU

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onuDe acordo com “estimativas muito conservadoras” da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quarta-feira (13/08), o número de mortos no leste da Ucrânia dobrou para 2.086 pessoas apenas nas últimas duas semanas. Segundo a porta-voz do setor de Direitos Humanos das Nações Unidas, Cecile Pouilly, já é possível falar em uma “clara tendência de escalada” na violência que, além dos 5 mil feridos no período, tem registrado mais de 60 mortes todos os dias.

A última contagem feita pela ONU, no dia 26 de julho, somava 1.129 vítimas fatais — número que inclui soldados ucranianos, separatistas pró-russos armados e também civis. Entre as vítimas, figuram cerca de 20 crianças, um número próximo ao de menores feridos.

A comissária da ONU, no entanto, ressalva que não sabe ao certo se o sensível aumento no número de mortos foi registrado pelo recrudescimento dos protestos ou no atraso por parte de agências governamentais e locais em prover informações.

Restrições para comboio humanitário

Também hoje, o governo da Ucrânia anunciou que aceitará a ajuda humanitária russa com destino à população da região pró-russa de Lugansk, mas com a condição de que seja revisada por representantes da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação da Europa) e repartida pela Cruz Vermelha.

“A missão circulará por território controlado pelos rebeldes e, após sua chegada a Lugansk, a distribuição da ajuda entre a população civil correrá a cargo da Cruz Vermelha”, anunciou o porta-voz da presidência ucraniana, Sviatoslav Tsegolko, em entrevista coletiva.

Segundo a fonte, essa decisão foi tomada durante a madrugada pelo presidente Petro Poroshenko, que abordou este assunto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

A ajuda humanitária não entrará em território ucraniano pela região de Carcóvia, como era previsto em um primeiro momento, mas “passará pelo ponto de quebra mais próximo a essa cidade ucraniana (Lugansk)”.

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“Nossos guardas fronteiriços, funcionários de alfândegas e os representantes da OSCE poderão registrar essa carga na fronteira russo-ucraniana”, precisou.

Ao mesmo tempo, Tsegolko não descartou que o comboio russo seja utilizado como desculpa para uma provocação com o pretexto de socorrer à população civil da região de conflito.

Chancelaria russa

A Chancelaria russa, por sua vez, classificou como “absurdas” as acusações que o comboio com ajuda humanitária seja um pretexto para a invasão do país vizinho.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, já tinha anunciado ontem um acordo com o governo de Kiev para a entrada dos caminhões russos pelas mãos da Cruz Vermelha em território ucraniano, por um ponto fronteiriço sob controle das forças governamentais na região de Kharkiv.

No entanto, o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov, o descartou essa possibilidade nesta manhã, quando publicou em sua conta de Facebook que “nenhum comboio humanitário de Putin teria passagem permitida através da região de Kharkiv”.

Segundo fontes russas, o comboio inclui 262 caminhões que transportam, entre outras coisas, 400 toneladas de cereais, 100 toneladas de açúcar, 62 toneladas de alimentos para crianças, 54 toneladas de remédios, 12 mil sacos de dormir e 69 geradores elétricos de diversas potências.

(*) Com informações da Agência Efe

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