Em Águas Lindas de Goiás, mortes de jovens negros é 15 vezes maior

Estudo analisou homicídios do DF e de 12 cidades goianas do Entorno.

pmO número de jovens negros assassinados em Águas Lindas de Goiás, cidade goiana do Entorno do Distrito Federal, é 15,6 vezes maior do que o total de homicídios contra jovens de outras raças. É o que revela um levantamento da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), baseada nos dados de mortalidade entre os anos de 2000 e 2012.

A pesquisa avaliou os índices da Área Metropolitana de Brasília, constituída pelo Distrito Federal e 12 municípios goianos da região do Entorno. As vítimas têm entre 15 e 29 anos. De acordo com o levantamento, Águas Lindas se destaca com o índice mais alto na relação entre raça e homicídios.

Segundo a demógrafa responsável pelo estudo Lucilene Cordeiro, a iniciativa para a pesquisa surgiu a partir da constatação dos altos índices de assassinatos de jovens na região. “Esse grupo de 15 a 29 anos tinha um percentual de morte alta por causas externas. Aliado a isso, você vê outras divulgações de trabalhos como ‘Juventude Viva’, ‘Mapa da Violência’, que referendou isso. Então nós resolvemos estudar esse grupo de 15 a 29 anos tratando a questão raça/cor”, explica.

Apesar dos números apontados pelo estudo, a Polícia Civil acredita que o perfil das vítimas está mais ligado com o tráfico de drogas do que com questões raciais. “[As vítimas têm] baixo grau de escolaridade, via de regra não trabalham, têm envolvimento com tráfico de drogas, seja como traficante ou como usuária. Nós não percebemos então uma incidência muito grande de determinada raça ou cor”, avalia o delegado Rodrigo Mendes.

Já para a socióloga Caroline Soares, os índices revelam que é necessária a realização de políticas públicas que integrem o jovem na sociedade usando, por exemplo, a arte e esportes. “É um quadro que não pode ser pensado apenas a partir da perspectiva do indivíduo, dos jovens que se envolvem em situações de violência ou de criminalidade. É um problema que precisa ser tratado de forma conjunta com toda a sociedade”, opina.

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