Em acareação na CPMI, ex-diretores da Petrobras divergem sobre propina

0
50

cpiA acareação dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró está sendo realizada, neste momento, na comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que investiga denúncias de corrupção na petroleira. O primeiro assunto colocado pelos parlamentares para esclarecimento entre os dois foi o pagamento de propina no contrato da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Na condição de diretor responsável, à época, pela compra da refinaria, Cerveró negou que tenha havido pagamento de propina nos contratos referentes a essa transação e em outros da Petrobras. “Eu desconhecia. Pelo fato de desconhecer, para mim, não havia [pagamento de propina]”, voltou a afirmar Cerveró hoje. Em seguida, questionado sobre uma carta escrita por ele que propiciou a compra da refinaria, ele disse que não recebeu propina por isso. “Eu não recebi nada, eu fiz um procedimento normal. Eu não recebi nada por essa carta”, reiterou.

Sobre o assunto, Paulo Roberto Costa se limitou a dizer que reitera o que já disse ao juiz Sérgio Moro, nos depoimentos que prestou em Curitiba. Em setembro, o Jornal Nacional, da TV Globo,informou que Costa havia admitido para o juiz ter recebido, ele próprio, R$ 1,5 milhão de propina pelo contrato da Refinaria de Pasadena.

No início da acareação, Costa foi o primeiro a falar e começou dizendo que tudo o que já disse nos depoimentos da delação premiada tem comprovação. “Não tem nada da delação que eu falei que eu não confirme. Porque a delação é um instrumento extremamente sério, não podem ser usados artifícios, não pode haver mentira, nem coisas que não se possa confirmar depois”, afirmou. “Falei de fatos, falei de dados, falei de pessoas. Na época oportuna, essas pessoas serão conhecidas”, enfatizou.

Paulo Roberto é apontado pela Polícia Federal como uma das pessoas no topo de uma organização que intermediava o pagamento de propina de empreiteiras a partidos políticos e agentes públicos para conseguir contratos com a Petrobras. Na condição de diretor de Abastecimento da empresa, ele admitiu à Justiça – em depoimento aberto, fora da delação premiada – que era responsável pelo recebimento do dinheiro de propina que posteriormente seria repassado ao PP, ao PT e ao PMDB.

No início do depoimento de hoje na CPMI, ele se disse arrependido do que fez e até mesmo de ter aceitado uma indicação política para chegar ao cargo de diretor da Petrobras. Segundo ele, foi essa indicação que o levou à condição de réu atualmente. “Mas, em todos os governos, desde o governo Sarney, o governo Collor, o governo Itamar, o governo Fernando Henrique, o governo Lula e o governo Dilma, em todos os governos, só se chega ao cargo de diretor da Petrobras se tiver uma indicação política. E eu aceitei essa indicação, da qual me arrependo amargamente, porque agora estou aqui”, disse. De acordo com ele, o mesmo esquema que ocorre com obras da Petrobras repete-se em todos os contratos públicos feitos no país, incluindo ferrovias, portos e aeroportos.

Logo em seguida, Cerveró disse que sua defesa está sendo paga pela Petrobras por meio de um seguro que é feito pela companhia para custear a defesa de seus funcionários em processos que estejam relacionados à gestão. “Esse seguro só cobre a defesa. No caso de condenação ou dolo comprovado, o seguro tem que ser ressarcido pelo responsável”, esclareceu em seguida.

Nestor Cerveró começou a acareação comunicando aos parlamentares que não iria responder a perguntas formuladas com base em vazamento de informações do processo à imprensa. “Não vou responder a perguntas que sejam extraídas de possíveis vazamentos ou ilações da mídia. Não vou responder a perguntas que eu desconheço e que os senhores também desconhecem”, disse.

A acareação continua e os dois respondem a perguntas dos membros da CPMI.

ABr