“Ele foi levado a isso”, diz mãe de homem que morreu com 4 filhos na BR-070

Familiares e amigos das cinco vítimas de acidente na BR-070 trocam xingamentos e acusações sobre a tragédia que matou o pai e os quatro filhos

tragediaO sepultamento das cinco vítimas da colisão entre um carro e uma carreta na BR-070, no último sábado, ficou marcado por ofensas, xingamentos e muitas lágrimas. A suspeita de que o pai das quatro crianças teria causado o acidente fatal para punir a ex-companheira foi o estopim para que amigos e familiares de ambos entrassem em conflito. Policiais militares acompanharam toda a cerimônia e apartaram brigas.

O velório das cinco vítimas ocorreu na mesma capela, no Cemitério de Brazlândia. Foram velados os irmãos Tainá Alves dos Santos, 5 anos; Marcos Eduardo Alves dos Santos, 4; Luciano Alves dos Santos, 3; e João Pedro Alves, 2; além do pai deles, Marcos Aurélio Almeida Santos, 42. Samara Alves da Silva, 24, mãe das crianças e ex-mulher de Marcos, passou a maior parte do tempo no interior do local, em silêncio.

Outros parentes, com os ânimos exaltados, causaram tumulto. Houve bate-boca em frente aos jornalistas que acompanhavam o enterro. Durante uma entrevista, Eduarda Almeida, 64 anos, mãe de Marcos Aurélio, reconheceu que o filho cometeu um “erro muito grave”, mas alegou que “ele foi levado a isso”. Segundo ela, Marcos estava em depressão e tomava medicamentos controlados para lidar com a separação. “Ele estava muito mal. Sei que errou, e eu estou sentindo muita dor por ter perdido ele e os meus netos, mas ele estava desesperado”, completou.

As duas famílias reagiram às declarações de Eduarda. Alguns defenderam Samara; outros apoiaram Marcos Aurélio. A irmã da jovem, Tatiane Costa Silva, afirmou que ela era infeliz no relacionamento e Marcos a teria ameaçado e agredido. Outra vez houve gritaria. Depois de muitos pedidos para que as crianças fossem respeitadas, as famílias se acalmaram, mas se mantiveram distantes.

Cerca de 300 pessoas acompanharam a cerimônia, que durou três horas. No momento do cortejo, ao ver o caixão do filho, Eduarda passou mal e precisou ser carregada. Depois de beber água e ser consolada, ela pediu para acompanhar o enterro, afirmando que seria a última vez que veria o filho.

O acidente aconteceu quando o Renault Clio conduzido por Marcos Aurélio colidiu de frente com um caminhão, no Km 20 da BR-070, em Cocalzinho (GO) — no local, não havia sinal de freadas. Os quatro filhos seguiam no veículo menor. O condutor da carreta não teve ferimentos. O caso começou a ser investigado como acidente de trânsito até o aparecimento de uma carta deixada por Marcos para a ex-mulher Samara. A partir de então, de acordo com o delegado da unidade de Cocalzinho (GO), Adriano Pereira Melo, a ocorrência ficou tipificada como homicídio doloso (com intenção de matar).

A principal linha de investigação surgiu com o tom de despedida da carta: “Hoje, 24 de janeiro, será o último dia que você verá seus filhos e seu marido”. O histórico conturbado do ex-casal contribui com as suspeitas de que Marcos Aurélio provocou a colisão. Samara havia registrado duas ocorrências de violência doméstica contra o ex-marido e pedido medidas protetivas de urgência com base na Lei Maria da Penha. O delegado informou que espera os laudos periciais e os depoimentos das testemunhas para concluir o inquérito.

Correiobraziliense

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