Dois professores brasileiros finalistas do ‘Nobel da Educação’

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O capixaba Wemerson da Silva Nogueira e o amazonense Valter Pereira de Menezes são os dois professores brasileiros que estão entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize, uma das maiores premiações educacionais do mundo e considerada o “Nobel da Educação”.

O prêmio reconhece ações transformadoras protagonizadas por educadores dentro da sala de aula e em suas comunidades. Exatamente o que Wemerson e Valter fizeram: não só mudaram as perspectivas de aprendizagem de seus alunos, mas levaram soluções para a população local.

O professor Wemerson, que leciona química e ciências, desenvolveu o projeto chamado “Filtrando as lágrimas do Rio Doce”, na EEEFM Antonio dos Santos Neves, em Boa Esperança (ES). Durante um trabalho de campo, ele e os estudantes da 8ª série criaram um filtro para purificar a água do Rio Doce.

A ideia era ajudar os moradores atingidos pela lama vazada do rompimento da barragem de Mariana (MG), o maior desastre ambiental do Brasil ocorrido em novembro de 2015. Segundo o professor, os filtros foram levados para a comunidade de Regência (ES), onde muitos ribeirinhos não tinham água potável para usar.

“Os alunos choravam muito ouvindo as histórias dos moradores afetados pela lama. Aí não era mais só entender a química, era tentar ajudar a população. Voltamos para a escola transformados”, relembra Wemerson em entrevista à BBC.

O filtro é à base de areia que deixa a água transparente, própria para o uso doméstico e agrícola, tornando-a 75% potável (com base em uma portaria do Ministério da Saúde). A iniciativa, inclusive, participou e ganhou na 19ª edição do prêmio nacional Educador Nota 10, conferindo ao capixaba o título de “Educador do Ano” de 2016.

Água limpa para os curumins do Tracajá

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om ação também voltada para reutilização da água, o professor Valter elaborou o projeto “Água limpa para os curumins do Tracajá” e ajudou a comunidade ribeirinha de Santo Antônio do Tracajá sem acesso a rede de esgoto nem água potável encanada.

Ele e sua turma de 9º ano da Escola Municipal Luiz Gonzaga, em Parintins (AM) levantaram discussões sobre a importância desse recurso e pensaram em estratégias para solucionar o problema enfrentado pelos moradores. Foram instalados filtros de areia e fossas biológicas nas casas da região, protegendo a saúde da população e preservando o meio que os cerca.

Valter veio de uma família de 11 irmãos que viviam na área rural. Seus pais não eram alfabetizados. Como não havia escola em sua comunidade, Valter teve que sair de casa aos sete anos de idade para ir estudar na cidade e passou diversas dificuldades.

“Tenho orgulho de dizer que sou um Top 50 do mundo com muita honra, por ser um caboclo amazonense do meio da Floresta Amazônica, elevando para o mundo a educação do norte, do Amazonas de Parintins e da zona rural”, disse o professor em post de agradecimento no Facebook. Ele também já foi vencedor do prêmio Educador Nota 10, organizado pela Fundação Victor Civita, em 2015.

Divulgação do vencedor 

O nome do vencedor será anunciado em março de 2017, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A professora palestina Hanan Al Hroub foi a vencedora da última edição do Global Teacher Prize.

Esta é segunda vez que brasileiros fazem parte da lista de finalistas divulgada pela ONG Varkey Foundation. O educador vendedor recebe uma premiação no valor de US$ 1 milhão.