Desrespeito ao tombamento de Brasília atrapalha mobilidade do cidadão

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11/06/2015. Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Puxadinhos. Construção na Superquadra 402/403 Sul.

Medidas fazem com que a área central perca algumas das principais características originais. Os puxadinhos segue como um problema para o GDF

Puxadinhos, comércio nas quadras 700, quiosques, falta de estacionamento. Os pequenos e os grandes problemas urbanísticos do Plano Piloto ferem o tombamento e atrapalham o dia a dia. Nem mesmo as leis são capazes de impedir a ocupação indiscriminada de área pública nas asas Sul e Norte, como mostra a segunda reportagem da série Do planejamento ao caos urbano. A elaboração do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub) é uma saída para organizar a área tombada, mas, depois de apresentar itens polêmicos e deixar de fora da discussão a comunidade, o projeto só será levado à Câmara Legislativa para votação no próximo ano (leia Entenda o caso).

As agressões são tantas que, em março, o Conselho Comunitário da Asa Sul enviou uma carta à Agência de Fiscalização do DF (Agefis) com várias reivindicações dos moradores. Entre elas estavam o fechamento de comércio irregular nas quadras 700, a proibição da privatização de áreas verdes nos fundos dos blocos comerciais, a verificação da regularidade do funcionamento de bancas de revista e a retirada de carros com propaganda e de faixas de publicidade.

O documento cobra ações de fiscalização para fechar os que já existem e impedir novos comércios instalados em residências nas quadras 700. A reportagem do Correio visitou alguns endereços na Asa Sul e identificou um escritório de advocacia e um outdoor com a propaganda de uma clarividente em meio às casas. “Há uma questão que pode vir a ser discutida sobre aquelas atividades que não trazem incômodo aos moradores ou não provocam problemas no trânsito. Mas o fato é que ali é uma área exclusivamente residencial e não é permitido comércio de qualquer natureza”, diz a presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul, Heliete Bastos.

Os puxadinhos também figuram na lista entregue à Agefis. Os moradores reclamam, principalmente, da forma como cada comerciante ocupa a área pública sem qualquer regra. Em alguns casos, como na esquina da 403 Sul, o estabelecimento fecha a passagem de pedestres com cerca e móveis. Morador da quadra, o aposentado José Geraldo Pereira, 69 anos, não reclama do desrespeito, mas defende a padronização. “É agradável você ir a um restaurante e se sentar na parte de trás, o espaço é arborizado. Mas não pode ser cada um de um jeito, da forma como está”, comenta.

Na Asa Norte, ao contrário da Asa Sul, não existe uma lei para regulamentar as regras para a ocupação da área pública. “Eles são desorganizados e cada um ocupa da forma como quiser. Tem de padronizar e deixar livre a passagem. É constrangedor passar no meio das mesas enquanto as pessoas estão almoçando”, afirma a bibliotecária Sônia Pires, 56 anos, da 116 Norte.

Heliete critica a falta de políticas para mobilidade urbana, prejudicada pela ocupação excessiva e sem controle dos espaços públicos. “Incluo aí a questão das calçadas, das ciclovias e das passarelas subterrâneas, que são temas antigos, mas sempre relegados pelos governos. Isso afeta a rotina de todos os cidadãos”, comenta. “Infelizmente, vemos um uso inadequado e desrespeitoso dos espaços públicos, como as calçadas dos comércios locais, usadas pelos lojistas como extensão de suas lojas. Também é comum a ocupação dos gramados e a instalação sem controles de quiosques.”

Correiobraziliense