Descoberta de novos espiões aumenta tensão entre Alemanha e EUA

Após expulsão de chefe do serviço secreto norte-americano em Berlim, jornal local diz haver novos espiões norte-americanos no Governo Merkel

Além do agente-duplo a serviço dos EUA atuando dentro das estruturas de poder alemãs, informações na imprensa local deste domingo (13/07) dão conta de que os Estados Unidos teriam mais 12 espiões em ministérios alemães. A notícia, baseada em informações dos serviços secretos norte-americanos, podem abrir um novo capítulo nas tensões entre Berlim e Washington.

Os focos de interMerkel1esse dos serviços secretos dos Estados Unidos seriam os ministérios de Defesa, Interior, Economia e Cooperação Econômica.

As informações publicadas pelo jornal Bild am Sonntag acontecem em meio a um escândalo depois que um funcionário do Serviço Federal de Inteligência (BND) alemão foi detido na semana passada por contraespionagem para os EUA e que se conhecesse uma suspeita similar a respeito de um empregado do Ministério da Defesa.

Em meio às revelações sobre a espionagem em massa dos EUA na Alemanha, o governo alemão pediu publicamente ao contato dos serviços secretos na embaixada norte-americana em Berlim que deixasse o país.

Postura de Merkel

Dias antes, a chanceler alemã, Angela Merkel, já havia reconhecido que seria difícil conseguir que os EUA abandonem suas práticas de vigilância no país. No entanto, ela insistiu ser importante ressaltar as diferenças de postura com relação ao modo de trabalho dos dois serviços secretos.

“Acho que não é fácil convencer os EUA que mudem totalmente o trabalho de seus serviços secretos, se trata de uma postura geral. Por isso temos que deixar claro que temos posturas diferentes”, disse Merkel em entrevista à ZDF. Merkel disse que não pode prever qual será a conduta dos EUA com relação a isso, mas falou que naturalmente esperava que a ação fosse suspensa.

Na entrevista, Merkel deixou claro que as práticas de espionagem que foram detectadas não têm nada a ver com uma cooperação entre amigos. “Não pode haver confiança quando um tem que assumir que está sendo espionado. Queremos uma cooperação entre aliados e isso implica que não nos espionemos mutuamente”, disse.

Apesar suas críticas, Merkel disse que não vê razões para reduzir a cooperação da Alemanha com os serviços secretos alemães e se mostrou contra uspender as negociações para um tratado de livre-comércio entre a UE e EUA.

Saia justa com Kerry

Após reunião em Viena com chanceleres — que incluiu o alemão, Frank-Walter Steinmeier — sobre o programa nuclear iraniano, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, destacou hoje a importância estratégica das relações entre os dois países.

“Temos uma enorme cooperação política e somos grandes amigos”, disse Kerry, sem abordar diretamente as denúncias de espionagem. “Vamos continuar a trabalhar juntos, com o mesmo espírito que demonstramos hoje, em uma discussão muito profunda”, acrescentou.

(*) Com informações da Agência Efe

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