Dengue: como evitar?

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dengueA dengue é uma doença febril causado por uma infecção viral. Existem 4 sorotipos do vírus da dengue, DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A infecção por um sorotipo só confere imunização contra o próprio, podendo o indivíduo ter dengue novamente se for exposto a outro subtipo. Estima-se em 100 milhões de pessoas infectadas anualmente em todo mundo. A maioria dos casos ocorre na América Latina, Ásia e África, locais onde há grande concentração do Aedes aegypti. Em Portugal, o mosquito pode ser encontrado na ilha da Madeira.
Neste texto abordaremos os seguintes pontos sobre a dengue:
Características do mosquito da dengue.
Transmissão da dengue.
Sintomas da dengue.
Dengue hemorrágico.
Sinais de gravidade da dengue.
Diagnóstico da dengue.

Tratamento da dengue
Obs: Dengue é um substantivo de dois gêneros, ou seja, pode-se falar “o dengue” ou “a dengue”. Como a forma mais popular é “a dengue”, vamos dar preferência a ela neste texto.

Mosquito da dengue
O vírus da dengue pode ser transmitido por duas espécies de mosquito: Aedes aegypti e Aedes albopictus. Vamos falar um pouquinho sobre cada um deles:

Aedes aegypti
O Aedes aegypti é um mosquito de aproximadamente 1 cm, preto com listras brancas distribuídas pelo corpo e patas (veja foto abaixo). Ao contrário dos mosquitos comuns, o mosquito da dengue tem hábitos diurnos e costuma voar baixo, picando preferencialmente os pés, tornozelos e as pernas. O Aedes aegypti não gosta de calor, por isso é mais ativo nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói e nem coça.

Características do Aedes aegypti, mosquito da dengue
O Aedes aegypti vive e reproduz-se em áreas próximas a domicílios, onde haja água relativamente limpa e parada (pneus, vasos, latas, caixas d’água e até em bromélias). O mosquito geralmente deposita seus ovos em áreas úmidas, como paredes de pneus ao ar livre ou caixas d’águas abertas. Quando chove, o ovo depositado volta a se molhar, podendo completar seu ciclo de desenvolvimento.O Aedes aegypti é um mosquito muito difícil de ser controlado, seus ovos são muito resistentes e podem sobreviver no meio ambiente durante meses (até 1 ano e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes) à espera de água da chuva para completar seu ciclo de desenvolvimento. Após o contato com água, o ovo depositado dá origem a uma larva, e posteriormente a um mosquito, em menos de 10 dias, o que torna o Aedes aegypti uma espécie de reprodução muito rápida. Isto significa que mesmo que as equipes de saúde de uma região consigam eliminar todos os mosquitos e larvas, se houver ovos no ambiente, basta uma chuva para a população de mosquitos voltar a crescer. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois deste acasalamento, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos. Portanto, a colaboração da população é imprescindível, evitando deixar recipientes que possam acumular água ao ar livre. O Aedes aegypti também é responsável pela transmissão da febre amarela. Febre amarela?

Explicando melhor
Existem dois tipos diferente de febre amarela: a urbana e a silvestre. A principal diferença é que nas cidades, o transmissor da doença é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente os macacos. Esses mosquitos vivem também nas vegetações à beira dos rios. Primeiro picam o macaco doente e depois, o homem. A contaminação do homem acontece quando ele invade o habitat dos macacos. A forma silvestre da doença provoca surtos localizados. A forma urbana da febre amarela desapareceu há várias décadas.
num2 – Aedes albopictus

O principal agente transmissor da dengue é mosquito Aedes aegypti, mas a dengue também pode ser transmitido pelo mosquito Aedes albopictus. Este mosquito, entretanto, parece não ter a mesma capacidade de transmissão do Aedes aegypti. Não está bem esclarecido o motivo, mas a taxa de Aedes albopictus no ambiente contaminados pelo vírus da dengue é muito mais baixa do que do Aedes aegypti. Imagina-se que uma das causas seja o fato deste mosquito picar preferencialmente outros animais mamíferos que não costumam estar infectados com o vírus da dengue, ao contrário do Aedes aegypti, que prefere se alimentar de sangue humano.

O fato é que são raras as epidemias de dengue em áreas onde só exista o Aedes albopictus. Portanto, sabemos hoje que esta espécie pode transmitir o vírus da dengue, mas não parece ter, no momento, as características necessárias para provocar epidemias como faz o Aedes aegypti. A aparência do Aedes albopictus é muito semelhante ao do Aedes aegypti, sendo muito difícil distingui-los, se a pessoa não tiver algum grau de conhecimento das espécies.

Transmissão da dengue
Quem pica os seres humanos é fêmea do mosquito da dengue. Para haver transmissão da doença, o mosquito precisa estar contaminado com vírus. Isto significa que nem todo Aedes aegypti transmite a dengue. Portanto, se você foi picado por um Aedes aegypti, só haverá risco de desenvolver dengue se este mosquito estiver transportando o vírus consigo. Além de estar contaminado pelo vírus, o mosquito da dengue só transmite a doença se tiver contraído o vírus há mais de duas semanas. Isto porque o vírus da dengue precisa de 10 a 14 dias dentro do mosquito para se tornar viável para transmissão. Portanto, se você está visitando um paciente com dengue no hospital, ou no seu domicilio, e entra pela janela um mosquito Aedes aegypti que pica o doente e logo depois você, a não ser que o mosquito já esteja previamente contaminado, ele ainda não terá condições de transmitir a dengue.

Sintomas da dengue
Uma vez picado pelo mosquito carreador do vírus, o tempo de incubação é em média de 4 a 7 dias. Os 4 sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O espectro de manifestações da dengue varia desde um quadro assintomático, ou com mínimos sintomas, até a temida dengue hemorrágica. Sim, você leu corretamente, é perfeitamente possível se contaminar com um dos tipos de vírus da dengue e nada apresentar; isso é particularmente verdadeiro em adolescentes e crianças. Nos pacientes que desenvolvem sintomas, temos duas apresentações típicas: o dengue clássico e o dengue hemorrágico.
A dengue não é transmitido diretamente de humano para humano. Familiares de um paciente com dengue não precisam de nenhum tipo de cuidado. Dengue não se transmite pelo beijo, abraço, aperto de mãos, talheres, toalhas, etc. Como existem 4 sorotipos do vírus da dengue, é possível se contaminar 4 vezes. O paciente que já teve dengue 1, pode voltar a ter a doença se o Aedes aegypti que o picar estiver

contaminado com o tipo 2, 3 ou 4.

Sintomas da dengue clássico
A dengue clássico se manifesta como um quadro de febre alta, acompanhado de cefaleias (dores de cabeça), dores nos olhos, fadiga e intensa dor muscular e óssea, o que justifica a alcunha de “febre quebra-ossos”. Outro sintoma comum é o rash, manchas avermelhadas predominantes no tórax e membros superiores, que desaparecem momentaneamente a digito pressão. O rash normalmente surge no 2º ou 3º dia de febre.
Atenção: Alguns pacientes com dengue clássica podem apresentar pequenos sangramentos no nariz, na gengiva e até nas fezes. A presença de sangramentos não indica obrigatoriamente o diagnóstico de dengue hemorrágico.
Outras manifestações como diarreia, vômitos, tosse e congestão nasal são comuns e podem levar à confusão com outras viroses. O quadro de dengue clássico dura de 5 a 7 dias e desaparece espontaneamente. O paciente costuma curar-se sem sequelas.
Sintomas da dengue hemorrágico
A dengue hemorrágico é a manifestação mais grave da doença. Caracteriza-se por alterações na coagulação do sangue e por inflamação difusa dos vasos sanguíneos, nomeadamente dos capilares (menores vasos do corpo). Como resultado, temos as seguintes manifestações:
Aumento da permeabilidade dos vasos. A inflamação dos capilares (capilarite) faz com que haja extravasamento de líquido para os tecidos, podendo causar derrame pleural (água na pleura do pulmão) e ascite (água dentro da cavidade abdominal). O extravasamento pode ser tão intenso que o doente pode evoluir para choque circulatório (O choque circulatório é marcado por reduções críticas na perfusão tecidual, provocando alterações sistêmicas graves, com comprometimento da função celular e orgânica, com alto índice de mortalidade).
Trombocitopenia (queda do número de plaquetas). As plaquetas são células que fazem parte do sistema de coagulação. São a primeira linha de defesa contra sangramentos. Indivíduos normais apresentam uma contagem entre 150.000 e 400.000 plaquetas. Na dengue hemorrágica esse número cai para menos de 100.000, às vezes menos que 10.000 (trombocitopenia grave).
Devido à queda das plaquetas e à inflamação dos vasos, os pacientes apresentam tendência a sangramentos. Mais uma vez, a presença de sangramentos sem evidências de capilarite e plaquetas abaixo de 100.000 não caracteriza a dengue hemorrágico. Entretanto, como a dengue hemorrágico evoluiu em horas, na dúvida, é melhor sempre levar o paciente para ser avaliado por um médico. Um sintoma muito comum na dengue hemorrágica é a dor abdominal. A ocorrência da forma hemorrágica parece ser mais comum em pacientes que apresentam um segundo episódio de dengue, causado por um sorotipo diferente do primeiro caso.