Cúpula do Mercosul será realizada em Caracas às vésperas de nova crise da dívida argentina

venezuelaChanceleres dos países do Mercosul (Mercado Comum do Sul) estarão em Caracas, nesta segunda feira (28/07), para reunião prévia à 46ª Cúpula presidencial do bloco, que será realizada na terça. A presidência pro-tempore do Mercosul será passada da Venezuela para a Argentina com seis meses de atraso, já que a cúpula vem sendo postergada desde dezembro.

O encontro de Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil), Horacio Cartes (Paraguai), José Mujica (Uruguai), e o anfitrião Nicolás Maduro (Venezuela) se dará um dia antes do último dia do prazo dado por um juiz norte-americano para que a Argentina pague os denominados “fundos abutres”, credores que não aceitaram reestruturar as dívidas arrastadas e ampliadas desde a crise de 2001.

Caso não o pagamento não seja efetuado, a Argentina entraria em default. A questão deve ser levada à cúpula pela presidente Cristina Kirchner para um pronunciamento de ratificação do apoio ao país e rechaço à sentença pelos membros do bloco. Teme-se, adicionalmente, que crise da dívida argentina tenha impactos não somente regionais, mas também globais.

De acordo com o jornal argentino Clarín, o ministro de economia do país, Axel Kicillof, não irá a Caracas para se concentrar nesta questão. Em seu lugar, participará o secretário de comércio Augusto Costa para o encontro com os representantes de Bancos Centrais, que se desenvolve paralelamente à reunião de chanceleres.

Já a presidente brasileira levará a proposta de antecipar para dezembro a eliminação de tarifas comerciais entre os países do bloco e o Chile, a Colômbia e o Peru, segundo adiantou o embaixador Antônio Simões, subsecretário geral da América do Sul, Central e do Caribe. A previsão é que as tarifas de importação sejam eliminadas em 2019.

Michelle Bachelet, presidente do Chile, país associado do bloco regional, estará presente na cúpula, assim como seus pares da Bolívia (Evo Morales), de El Salvador (Salvador Sánchez Cerén) e da Nicarágua (Daniel Ortega,) conforme informado por Maduro.

A volta do Paraguai ao Mercosul após mais de um ano é um dos elementos que marcará a cúpula. Suspenso em 2012 com a destituição do ex-presidente Fernando Lugo, o país regressará com algumas resoluções aprovadas durante sua ausência, como o protocolo de adesão da Bolívia ao bloco, assinado em Brasília, em dezembro de 2012.

O chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, afirmou que as expectativas do governo de Cartes giram em torno da incorporação de observações que o país formulou ao bloco com respeito a seis resoluções, decisões e diretivas adotadas durante sua suspensão. “A revisão das resoluções está bem encaminhada”, afirmou na última sexta, segundo o jornal local Última Hora. 

Outro assunto de discussão será o acordo com a União Europeia para a criação de um acordo de livre comércio, cuja negociação é arrastada há vários anos. A Venezuela, por sua vez, propõe a criação de uma zona econômica do Mercosul com os países da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e do Caribe.

Operamundi

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