Conservacionismo: a nova estratégia de dominação dos ricos

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ricosREACIONÁRIAS UTOPIAS, OU, O VERDISMO ULTRA CONSERVADOR – Uma das coisas que mais me deixam perplexo é como a questão ambiental é tratada por algumas correntes de esquerda.

Tratam a construção de hidrelétricas ou de outras obras de infraestrutura como pecados capitais contra a humanidade. Adotam uma linha conservacionista anti indústria e defensora ferrenha dos ‘santuários ecológicos’ e dos ‘modos de vida tradicionais’.

Na prática, o que representa a conservacionista manutenção destes ‘santuários ecológicos’ e dos ‘modos de vida tradicionais’, senão manter determinados grupos de pessoas vivendo como viviam seus antepassados há dois ou cinco mil anos?

Há uma ilusão terrível por parte de algumas pessoas a respeito do passado. A visão idílica de que no passado é que se vivia bem é uma rotunda falácia.

Para não voltar muito no tempo basta ficar aqui mesmo no Brasil, no tempo de nossos avós e bisavós.

A expectativa de vida no início do século XX, aqui em Pindorama, era de apenas 33 anos, hoje está em quase 75 anos. Era melhor há 114 anos atrás?

Pessoas morriam como moscas de tuberculose, gripe, malária e de outras doenças várias, sem nenhum tipo de tratamento. Com menos de 20 anos, na época citada, 98 por cento da população já não tinha um único dente na boca!
Uma simples apendicite nos rincões deste imenso país causava a morte de homens e mulheres que ainda não haviam tido a oportunidade de conhecer o ‘diabólico’ avanço da medicina!

A fome era endêmica e o analfabetismo uma chaga de proporções vexaminosas. Não existia anestesia nem raio X e nem outras ‘crueldades’ do mundo moderno…

E ainda existem pessoas capazes de dizer que lá no tempo dos nossos bisavós é que era bom? Tem mais.

Energia elétrica era um luxo que somente os riquíssimos tinham, em pouquíssimas capitais do país.

E geladeira? Fogão a gás? Freezer? Microondas? Vaso sanitário? Telefone? Hospital? Posto de saúde?

Tudo isso não existia ou, se existia, era de uso restrito dos ultra ricos, representantes do um por cento dos ‘homens bons e de bens da nação’!

Como é possível imaginar que naquele tempo era melhor do que hoje? É impossível tecer tal comentário!

As pessoas sobreviviam em situação de pobreza extrema, sem perspectivas nenhumas, com uma gigantesca taxa de mortalidade infantil, de mortalidade materna, com epidemias diversas para as quais não existiam tratamentos adequados e com todo o tipo de privações que se possa imaginar.

Não, não era melhor o tempo dos nossos bisavós, nem dos nossos avós ou de nossos pais.

Pesquisem sobre os índices econômicos, sociais, educacionais, de saúde e de alimentação dos tempos passados e verão que isso é uma ilusão.

Desde tempos imemoriais os seres humanos travam uma batalha de vida ou morte com as forças da natureza. É a batalha pela sobrevivência, pela busca de alimentos, de abrigo, etc.

Algum ser humano com mais de dois neurônios seria capaz de defender hoje que bom mesmo era no tempo das cavernas, onde éramos homo sapiens nômades, caçadores, pescadores e coletores de frutos silvestres, cuja expectativa de vida não era superior a de um cão nos dias atuais?

Ser de esquerda não é ser contra a indústria, contra os avanços tecnológicos, contra a ciência ou contra a agricultura (que foi uma das invenções mais importantes da história da humanidade pois propiciou aos seres humanos o cultivo de seus próprios alimentos, fixando as pessoas em determinados lugares e diminuindo o nomadismo).

Ser de esquerda é se apropriar de todos os avanços que a humanidade conseguiu empreender, em todos os campos do conhecimento, e tratar de estender esses avanços para o maior número possível de pessoas.

Ser de esquerda é lutar para que as pessoas possam usufruir dos benefícios que a humanidade produz.

Ser de esquerda não tem nada a ver com ser contra a construção de uma hidrelétrica, arriscando deixar pessoas sem energia em pleno século XXI!

A quem interessa o conservacionismo, senão aos países ricos que consomem muitíssimo e que agora querem impedir que os países em desenvolvimento possam elevar o padrão de vida de suas gentes?

É preciso investir na indústria, no aumento da renda, na diminuição das desigualdades sociais, nos avanços tecnológicos e na ciência.

É preciso aumentar a produção brasileira e mundial de víveres e é preciso estender os avanços civilizacionais aos desassistidos que vivem ainda hoje como viviam seus antepassados há 150 ou 200 anos.

Esta ilusão pueril e anti científica sobre a natureza (que é e sempre foi um ambiente hostil ao homem) e esta busca incessante por um idílico passado que nunca existiu, não é nem mais e nem menos do que uma reacionária utopia.

Reacionária, neomalthusiana e sem o menor sentido, desde o ponto de vista da esquerda.

Finalizo lembrando que o guru econômico de uma certa candidatura presidencial, Eduardo Gianetti, defende abertamente que para ‘evitar desastres ambientais’ o preço da carne e do leite tem que aumentar, e muito!

Ou seja, os conservacionistas modernosos, reacionários até a medula, proclamam: ‘Vamos salvar a natureza, para tanto, que os pobres morram de fome enquanto os ricos continuam a se entupir de proteínas animais e vegetais’.

Impossível é confundir isto com qualquer coisa que se assemelhe a uma proposta de esquerda, emancipadora de fato da humanidade e capaz de mitigar a escassez.

Para diminuir a escassez é preciso aumentar a produção e a renda das pessoas, não matá-las de fome!

GGN