Conheça o Lifan 530, o ‘Voyage chinês’

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Atualmente trabalhando com apenas um produto no Brasil, o jipinho X60, a Lifan Motors se prepara para ampliar o seu leque de opções em julho com o novo sedã 530, um carro de porte semelhante a um Voyage ou Siena, e que vem sendo desenvolvido baseado em críticas e recomendações dos diversos mercados internacionais onde a marca chinesa atua, como Rússia, Irã, Nigéria e Brasil, de onde vem as exigências mais “chatas”. O resultado é um carro com um padrão de qualidade mais cuidadoso, desempenho adequado e um visual original, sem copiar modelos do Ocidente, como aconteceu, por exemplo, com o famigerado compacto 320, que ficou conhecido como o “clone” do Mini Cooper.

O Lifan 530 é uma das provas de que os carros chineses estão melhorando – outro exemplo é o JAC T6, que chega até o final deste ano – e isso é irreversível. O carro que vem para o Brasil será montado no Uruguai e a divisão brasileira da marca promete ficar de olho no padrão de qualidade. O sedã destinado aos brasileiros terá algumas exclusividades, como o interior em tons escuros (que não deixa aparente a sujeira acumulada com o tempo), isolamento acústico reforçado e até LEDs. De acordo com a empresa, será a versão mais sofisticada do modelo no mercado mundial.

O conjunto mecânico é composto pelo motor 1.5 16V com comando variável de aproximadamente 105 cv e câmbio manual de 5 marchas – mais adiante vem a versão com câmbio automático CVT. O desempenho não é surpreendente, mas também não é desanimador. Está na média dos carros com motores 1.4 a 1.6. Já o acerto de suspensão é firme, longe da “moleza” típica de muitos carros chineses, o câmbio tem bons engates e a direção não é “boba”, com folga evidente. A carroceria também é firme, diferente da geração passada de carros chineses, que literalmente torciam o chassi.

Durante o test-drive, realizado na fábrica da Lifan em Chonqing, a “São Bernardo do Campo” chinesa, o carro mostrou desempenho razoável em aceleração e retomadas, além do bom nível de ruído. Ao pisar fundo no freio, manobra realizada longe dos olhos do chineses para não assustá-los (eles não apreciam a ousadia brasileira) o 530 se mostrou firme e não balançou a traseira de forma assustadora, como fazem, por exemplo, os carros da Chery eJAC, além dos Lifan mais antigos. Isso ocorre pois o modelo conta com freios a disco (com ABS e EDB) nas quatro rodas, recurso que não existe em nenhum sedã compacto à venda no Brasil.

Pacotão de itens

No Brasil, carro chinês virou sinônimo de carro completo com preço de “pelado” nacional. O Lifan 530 não foge à regra e virá bem recheado. A lista de itens incliu ar condicionado, banco do motorista e volante com regulagem de altura, sistema Isofix para fixação de assentos infantis, airbags frontais, freios ABS e até central multimídia com navegador GPS, câmera de ré e conexões Bluetooth e auxiliar para smartphones e reprodutores de áudio externos. É um pacote que dá um banho na concorrência, que oferece apenas parte desses recursos e como (caros) opcionais.

Visual apenas razoável

Os chineses ainda estão aprendendo a desenhar seus próprios carros, por isso ainda seguem no ritmo de tentativas, algumas acertadas e outras nem tanto. O visual do 530 tem potencial para agradar. É imponente com sua grade frontal e o formato geral da carroceria é esguio. O conjunto óptico, porém, exagera no tamanho dos faróis, e as lanternas têm um formato já manjado, com o bulbo escapando pelas laterais. É um carro que quer ser arrojado, ao menos na parte estética externa.

Por dentro, os designers chineses parecem ter ficado tímidos e faltou inspiração. Há cabeças de parafusos evidentes nas portas, no console, na coluna de direção e no porta-luvas. Os chineses parecem não ligar para isso, mas os brasileiros certamente vão fazer bico. A disposição dos equipamentos no painel também não é das melhores. Comandos de climatização e áudio ficam pequenos no console tão espaçoso. Já o cluster de instrumentos é bacana, com os relógios separados por um mostrador digital no centro – lembra painel de instrumentos do Chevrolet Camaro.

Quanto vai custar?

“Nossa ideia é oferecer um carro com bom custo/benefício e um padrão de qualidade mais elevado entre os chineses. A ideia é lançar as duas versões do 530 com preços entre R$ 35 mil e um pouco acima de R$ 40 mil”, contou ao iG Jair Leite, diretor comercial da Lifan Motors do Brasil. A expectativa de vendas gira em torno de 300 a 400 unidades por mês, número semelhante ao do X60, que vem mostrando um desempenho bem-sucedido para os seus padrões e volumes.

Os  fabricantes chineses, diferentemente de montadoras tradicionais, têm mais facilidade em absorver críticas para melhorar seus produtos. Aceitam as opiniões sem birra pois não têm a vasta experiência de marcas como VW e GM, e executam as melhorias em questão de semanas, afinal têm ao seu lado todos os fornecedores e uma mão de obra esforçada e praticamente ilimitada. Sendo assim, a cada novo carro chinês a evolução é nítida, embora ainda haja pontos a melhorar, afinal ninguém no mundo é perfeito, seja no Ocidente ou no Oriente.

Notícia postada em  

  • 3 de junho de 2014
  • Da Redação