Comprada pela Apple, Beats mudou o mercado de fones de ouvido

tecFoi nesse cenário que, em 2008, surgiu a Beats Electronics, fundada pelo rapper e produtor musical Dr. Dre e pelo empresário Jimmy Iovine. A empresa foi comprada pela Apple nesta semana por US$ 3 bilhões.

Se os fones pequenos e sem graça eram a moda na época, a empresa apostava em um modelo oposto: fones grandalhões e em cores chamativas, voltados principalmente para o público jovem fã de hip hop e música eletrônica.

A estratégia deu certo. Para desgosto de alguns audiófilos, que consideram os graves dos fones Beats acentuados demais, a empresa logo se tornou sinônimo de fone de ouvido, principalmente nos Estados Unidos.

Caros e chamativos, os fones se tornaram rapidamente um símbolo de status, de forma similar ao que havia ocorrido com os pequenos fones brancos do iPod dez anos antes. Os fones Beats logo se tornaram os favoritos de jogadores de futebol e atletas, o que contribuiu para aumentar seu apelo junto aos jovens.

Ataque dos clones

Com o sucesso da Beats, outras empresas do setor passaram a apostar na mesma estratégia. Companhias tradicionais do setor, como Sony, Philips e Audio Technica, criaram fones coloridos com design mais arrojado.

Outras empresas apostaram em rappers para criar seus clones do Beats. O rapper Ludacris é garoto-propaganda dos fones Soul. Já 50 Cent tem uma parceria com a SMS Audio. A Monster, que era parceira da Beats na fabricação dos fones até 2011, também criou uma linha de fones similar aos produtos da empresa de Dr. Dre.

No Brasil, os genéricos do famoso “fone com b” fazem sucesso em bairros de comércio popular. Mais baratos e sem a mesma qualidade, eles copiam o modelo “fone grande e colorido com uma letra na parte de fora”.

Serviço de música pode ser maior atrativo para Apple

Em janeiro deste ano, a Beats entrou em um novo e disputado mercado, o de serviços de música por assinatura. Atualmente disponível apenas nos Estados Unidos, o Beats Music oferece acervo de cerca de 20 milhões de músicas e cobra uma assinatura mensal. É um modelo semelhante a serviços como Spotify, Rdio e Deezer.

Apesar da badalação, o Beats Music até o momento não foi o sucesso esperado. Fontes de mercado afirmam que o serviço tem apenas 200 mil assinantes, contra cerca de 10 milhões de assinantes com conta paga do Spotify, líder de mercado e disponível em cerca de 40 países.

Alguns analistas afirmam que a compra da Beats foi motivada principalmente pelo Beats Music. Ele seria a aposta da Apple para concorrer com o Spotify e serviços similares. Nos anos 2000 a Apple obteve muito sucesso com o modelo de download de músicas, em que o usuário paga por cada música baixada. Aos poucos, porém, esse modelo está sendo substituído pelos serviços de música por assinatura. O iTunes Radio, tentativa da Apple de competir nesse segmento, não decolou.

Com a compra da Beats, a Apple ganha um serviço de música por assinatura já estruturado e com todos os direitos autorais negociados. Ela pode agora integrar o Beats Music a seus produtos e ter um serviço competitivo de música por assinatura.

Mercado com pé atrás

Desde a notícia da compra vazou, há duas semanas, os especialistas da área de tecnologia estão divididos. A revista Time observou à época a compra não segue o modelo de aquisições da Apple. Historicamente, a Apple prefere comprar empresas pequenas com tecnologias inovadoras que podem ser integradas a seus produtos. A Beats, por outro lado, tem fones de sucesso, mas nenhuma tecnologia realmente exclusiva ou revolucionária.

Já Om Malik, um dos mais respeitados analistas da área de tecnologia, considerou a compra uma medida defensiva. Malik ressalta que, apesar de ter dinheiro sobrando, a Apple sempre teve dificuldades em criar bons serviços em nuvem. A compra do serviço Beats Music seria uma forma rápida de ter um produto nesse mercado, ainda que esse produto não seja o melhor ou o mais usado no momento.

IG

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