Comerciantes da Asa Sul começam a remover grades de segurança

0
106

Começou ontem pela manhã a retirada das grades no Bloco C da comercial da 307 Sul. A estrutura, que custou R$ 20 mil aos seis comerciantes do local, precisou ser removida, pois encontra-se em área tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) (leia Entenda o caso). A imobiliária proprietária do prédio recebeu a notificação da Agência de Fiscalização (Agefis) na última sexta-feira e tinha cinco dias para remover a intervenção. O órgão volta hoje à quadra para vistoriar e produzir um relatório.

A grade de 5m de altura por 35m de extensão nos fundos das lojas tinha a função de impedir a presença de moradores de rua. Os comerciantes alegam que eles faziam barulho, mas também atraíam o uso e o tráfico de drogas. Sylvio Menezes, 39 anos, é dono da farmácia que faz parte do bloco. Segundo ele, os sem-teto também causavam dificuldades com a Vigilância Sanitária em razão das condições de higiene no local. Sylvio paga, por mês, R$ 9 mil de aluguel. “Eu me sinto lesado. A partir de hoje, tenho certeza de que vou começar a ter problemas. Já falaram que, se eu não desse um jeito, fechariam a loja”, conta.

Para o comerciante, é preciso reforçar a segurança na região. “É um dinheiro (gasto com as grades) que não volta mais. Dá até desânimo, é muita injustiça. Com o antigo proprietário, entraram na loja oito vezes. Comigo, três. Além disso, pago um aluguel caro para o cliente chegar à minha loja e reclamar do cheiro. Alguma coisa tem de ser feita”, cobra.

Ana Fontes, 52, tem uma loja de roupas na 307 Sul. Ela reclama da retirada da proteção, pois, além da falta de segurança no comércio, gastou um dinheiro que não poderia para a instalação da estrutura de metal. “Eu já fui ameaçada aqui. Agora, com essa situação, sinto-me mais insegura ainda. Aos sábados, poderia muito bem fechar às 19h, pois é um dia que as pessoas têm para comprar, mas fecho às 15h pela falta de segurança”, comenta.

Ação

A Associação Comercial do DF entrará com uma ação contra o Governo do Distrito Federal (GDF) amanhã. Segundo o presidente da entidade, Cléber Pires, há um número expressivo de empresas que fecham as portas por falta de segurança. “Nós não estamos pedindo em nome do empresariado, mas do cidadão. Nós saímos de casa sem saber se voltaremos vivos”, reclama. Para ele, o caso da 307 Sul revela uma contradição, pois há “puxadinhos” por todo o Plano Piloto. “Os empresários não tiveram alternativa, mais uma vez a classe é prejudicada”, avalia.

O último levantamento divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social mostra que houve 242 roubos a comércios no Distrito Federal apenas durante março deste ano. No mesmo mês de 2014, houve 488 casos. A média geral para a capital é de nove assaltos por dia.

Entenda o caso

Proteção contra a falta de segurança

Por causa da falta de segurança, há dois meses, comerciantes do Bloco C da 307 Sul começaram a colocar uma grade de 5m de altura por 35m de extensão nos fundos das seis lojas. A obra ficou pronta em 22 de abril, mas, seis dias depois, técnicos da Agência de Fiscalização (Agefis) estiveram no local e intimaram o proprietário a retirar a proteção no prazo de cinco dias corridos. No entendimento da agência, a construção não poderia ser feita, pois o comércio se encontra na região tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e configura invasão de área pública. Servidores do Iphan também foram até os estabelecimentos e tiraram fotos para analisar a situação. Em nota, a entidade reforçou que a instalação de grades fere as normas urbanísticas e os critérios de tombamento.

CorreioBraziliense