Comando da CLDF será definida pela votação em projetos do Código de Ética

#tomavergonhadeputado: começam a se formar as bancadas contra e a favor das propostas que garantem a impunidade de distritais

camaraA aprovação dos projetos que criam uma blindagem de deputados enrolados e impedem a abertura de processos de cassação parlamentar virou moeda de troca nas negociações para a presidência da Câmara Legislativa. Quem promete adesão às alterações do Código de Ética da Casa ganha pontos entre colegas que defendem a medida e votos na disputa para o comando da Casa nos próximos dois anos. Um dos cotados para o cargo, Joe Valle (PDT) recebeu a oferta de defender as iniciativas em troca do apoio à presidência e, por isso, acabou desistindo do pleito. Liliane Roriz (PRTB) também foi procurada com a oferta de assinar os projetos em troca de votos para garantir um lugar na Mesa Diretora.

Entre os contrários aos dois projetos de resolução, o deputado Chico Leite (PT) perdeu totalmente a chance de receber votos de colegas, como Cristiano Araújo (PTB), Wellington Luiz (PMDB) e Agaciel Maia (PTC), reeleitos para a próxima legislatura e defensores da ideia. A eleição para o comando da nova Mesa Diretora vai ocorrer no primeiro dia do próximo ano, à tarde. De manhã, os novos deputados assumirão o mandato e participarão da cerimônia de posse do governador eleito, Rodrigo Rollemberg (PSB). Falta pouco mais de um mês para a votação, mas os 12 distritais que vão permanecer na Casa estão engajados no assunto. Todos são candidatos a cargos na Mesa.

Aliado de Rollemberg, Joe Vale era um dos nomes fortes para a presidência, mas a postura anti-blindagem o colocou fora da disputa. “Fiquei decepcionado com a forma como a Casa se comportou. Acho que o próximo presidente deve promover a aproximação com o povo, deixando de lado questões pessoais, ao contrário do que vimos na última semana”, afirma Joe. Além de Joe e de Chico Leite, que já se colocaram como candidatos à presidência, Celina Leão (PDT) também perdeu pontos com colegas ao mudar de posição. A princípio, ela era favorável à blindagem e votou a favor de um dos projetos, em primeiro turno. Com a repercussão negativa, a distrital pediu para retirar a assinatura do pedido de tramitação. O mesmo ocorreu com Dr. Michel (PP), outro potencial candidato à presidência.

Um dos projetos de resolução, o de número 81, estabelece que deputados envolvidos em irregularidades só poderão sofrer processo por quebra de decoro se já estiverem condenados em última instância, sem possibilidades de recorrer contra a decisão. O outro, de número 82, impede que cidadãos comuns e associações da sociedade civil deem entrada em representações contra deputados por quebra de decoro. Até mesmo entre os novatos, há defensores da imunidade. Apenas três dos 12 eleitos se posionaram contra: Raimundo Ribeiro (PSDB), Professor Reginaldo Veras (PDT) e Ricardo Vale (PT).

Dessa forma, cria-se uma divisão na futura Câmara. A bancada contrária aos dois projetos pode construir um nome para a presidência. Para isso, no entanto, o candidato precisa agregar outros atributos, como apoio do próximo governador e baixa rejeição entre os colegas. Cresce, assim, o nome de Raimundo Ribeiro. O tucano apoiou Rollemberg no segundo turno das eleições e conta, ainda, com a discreta ajuda do ex-governador José Roberto Arruda (PR). Ribeiro é advogado da União aposentado e já foi eleito distrital em 2006.

Correiobrazilense

 

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