Com o fim da Copa, Brasília descobre histórias de ganeses refugiados

refugiadosNos arquivos de celular, Abu Mohammed olha as fotos das duas filhas, Farida e Adisa. As crianças, de 3 e 2 anos, estão a mais de 6 mil quilômetros de distância. Ficaram em Acra, capital de Gana, com a mãe, Monira. Para pagar o bilhete de avião até o Brasil, Mohammed vendeu o que pôde e reuniu alguns euros enviados pelo sogro, que vive na Alemanha. O ganês planejou durante dois anos como faria para cruzar o Atlântico. Então, a Copa do Mundo abriu a janela perfeita de oportunidade. Não apenas para ele, mas para centenas de compatriotas que agora, com o fim do Mundial, pedem refúgio no Brasil. Só em Brasília, são quase 250.

O status de refugiado pode ser reivindicado não apenas por cidadãos perseguidos por política, religião ou etnia. O recurso também é uma possibilidade a quem está submetido a violações sistemáticas de direitos humanos. As justificativas de cada ganês para permanecer em solo brasileiro são variadas tais quais a vida de cada um. Homens como Mohammed gostam muito de contar histórias. Isso quando alguém compreende inglês ou algum dos incontáveis idiomas tribais falados no país africano.

Numa casa de esquina da Quadra 429 de Samambaia, a sala virou quarto, os quartos viraram alojamento, o pátio de entrada virou sala, virou quintal, virou área de serviço. Há cerca de um mês, 15 ganeses está lá. Mohammed já tem a carteira de trabalho, só falta uma chance.

“Vim aqui para trabalhar. Em Gana, se você não é amigo de políticos, arrumar um emprego é muito difícil. A corrupção é geral. Votamos neles porque nos prometeram melhorias. Até agora, não vimos nada. Eu me cansei de não ter como sustentar a minha família”, diz o homem de 28 anos. Na casa de madeira que vivia nos arredores de Acra, não há saneamento básico, ou seja, nem a água é potável nem há banheiros dentro do imóvel. “Você tem de pagar para usar banheiros públicos. Sem dinheiro, como você vai ao banheiro?”, ilustra.

Correiobraziliense

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