Com cem mortos em quatro dias, situação em Gaza é “emergência humanitária”, diz ONU

Segundo fontes de saúde palestinas, número de feridos beira os 700; Nações Unidas falam em 2 mil desabrigados e pedem ajuda psicológica para 600 crianças

Com a morte de mais duas pessoas nesta sexta-feira (11/07) após um bombardeio israelense contra um veículo que circulava pelo campo de refugiados palestinos de Al Bureij, no centro de Gaza, chega à marca de 100 pessoas mortas e quase 700 feridos durante os quatro dias de ofensiva militar israelense, segundo informaram fontes médicas palestinas.
Em função do cenário registrado, a ONU (Organização das Nações Unidas) definiu hoje a situação na Faixa de Gaza como “uma emergência humanitária crescente”. Até a tarde de ontem, a instituição havia contabilizado cinco instalações hospitalares gravemente danificadas e cerca de 350 residências parcial ou totalmente destruídas pelos bombardeios da ofensiva de Tel Aviv, batizada de Operação Margem Protetora, ou Operação Penhasco Sólido. Sem moradia, cerca de 2 mil pessoas tiveram que se refugiar em espaços públicos ou em casas de parentes; muitas são acolhidas por desconhecidos.

A ONU está tentando avaliar as necessidades humanitárias da população palestina, incluindo o impacto psicológico provocado pelos bombardeios. O relatório inicial dos psicólogos das Nações Unidas assinala que pelo menos 673 crianças necessitam tratamento psicológico urgente para poder lidar com o medo e o luto.

O porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Jens Laerke, explicou que as Nações Unidas tentarão informar hoje mesmo sobre as consequências dos bombardeios e as necessidades humanitárias atualizadas da população.

Últimos bombardeios de Israel

Entre as últimas vítimas fatais dos ataques da aviação israelense antes do amanhecer estão oito pessoas, entre elas uma criança pequena e outra de sete anos, informou o Ministério dfun palesta Saúde em Gaza.

O bombardeio mais grave aconteceu contra uma casa da cidade palestina de Rafah, ao sul de Gaza, onde cinco membros da mesma família perderam a vida, um ato sem aviso prévio que, segundo os vizinhos, destruiu completamente o edifício e várias propriedades próximas.

Aviões e embarcações de guerra de Israel atacaram de madrugada cerca de 50 alvos na Faixa, entre eles quatro casas, uma delas próxima a um túnel no sul de Gaza.

O Exército israelense informou em comunicado que nas últimas 24 horas atacou aproximadamente 210 lugares no enclave palestino como plataformas de lançamento de foguetes de longo alcance, instalações do Hamas, subterrâneos para o contrabando de armamento ou complexos onde grupos armados são treinados. Israel diz ter atacado ao redor de 1.090 alvos por mar e ar desde o início da ofensiva “Margem Protetora” no dia 8 de julho.Ataques contra Israel

O braço armado do Hamas, em comunicado emitido hoje, alertou os passageiros e companhias aéreas do aeroporto internacional Ben Gurion, na capital Tel Aviv, que o local pode ser um de seus alvos. A organização, que “deciciu responder à agressão israelense”, afirma que enviou o alerta para que vítimas possam ser evitadas, já que há uma base militar aérea em uma área muito próxima ao aeroporto.

Na manhã de hoje, os alarmes que indicam risco de bombardeio aéreo chegaram a soar no aeroporto, interrompendo as atividades por cerca de dez minutos — mas nenhum risco foi detectado pelas forças israelenses, que possuem poderoso sistema de defesa antiaéreo.

Também nesta sexta, Israel afirma que seu território foi atingido por três projéteis disparados a partir do Líbano, na fronteira norte do país. Os foguetes não causaram vítimas, apenas danos materiais. Em represália, Israel lançou 25 projéteis nos arredores de Kfarchuba, na região libanesa de Shebaa.

Segundo uma agência de notícias libanesa, o Líbano realiza inspeções para obter mais informações sobre o episódio; drones israelenses também sobrevoam o local. Até o momento, Israel ainda não acusou o Hezbollah — organização cujo braço armado tem maior poder de fogo que o Hamas — de ser o autor dos disparos.

Mediação dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se ofereceu ontem ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para servir de mediador . Obama ainda pediu às duas partes que “restaurem a calma”.

Em uma conversa telefônica, Obama garantiu a Netanyahu que os Estados Unidos “continuam preparados para facilitar uma cessação de hostilidades, incluído um retorno ao acordo de cessar-fogo de novembro de 2012”, que foi mediado pela então secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

Em outra conversa telefônica, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, que governa o território da Cisjordânia, pediu ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que intervenha para conseguir um cessar-fogo imediato.

(*) Com informações da Agência Efe

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