Clubes brasileiros veem jogadores de países vizinhos como bola da vez em apostas

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Mais da metade das equipes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro deste ano conta com pelo menos um jogador que atuava em alguma outra equipe sul-americana

angelUm golaço de cobertura de Montillo em Santiago ajudou a Universidad de Chile a eliminar o Flamengo nas quartas de final daLibertadores de 2010. As boas atuações pelo time chileno chamaram a atenção doCruzeiro, que o contratou em julho daquele mesmo ano e viu o meia argentino cair nas graças da torcida. Esse tipo de ação não é um caso isolado e vem se intensificando no futebol nacional.

Recentemente, os times brasileiros têm se mostrado bastante atentos ao que acontece nos países vizinhos e recorrido mais ao mercado sul-americano na hora de se reforçarem. Mais da metade dos integrantes da primeira divisão do Brasileirão apresentaram neste ano jogadores que atuavam em alguma outra equipe do continente. Não à toa, o limite de estrangeiros no elenco de cada clube subiu de três atletas para cinco.

“Observamos jogos de times sul-americanos de acordo com indicações”, contou Mauro da Silva, olheiro do Corinthians, ao iG Esporte. “Focamos nas posições carentes do elenco, as que o Mano (Menezes, técnico da equipe) pede e sempre fazemos relatórios, até cinco por mês, de jogadores que observamos. Se nós nos convencemos que podemos contratalá-lo, vou lá e inicio o contato”, completou.

Foi ele o responsável pela indicação de Ángel Romero, atacante paraguaio que estava no Cerro Porteño e chegou ao Parque São Jorge durante a Copa do Mundo. Em anos anteriores, já tinha feito o mesmo com os peruanos Paolo Guerrero e Cachito Ramírez.

Segundo Mauro, os valores pagos pelos clubes brasileiros atraem muito os estrangeiros. Para justificar o ponto de vista, citou o exemplo de Romagnoli, meia argentino que disputa a final da Libertadores com o San Lorenzo e já está acertado com o Bahia para a sequência da temporada. “Tenho certeza que no Bahia ele vai ganhar no mínimo quatro vezes que no San Lorenzo”, comentou.

Para o técnico Mano Menezes, é importante os clubes observarem o mercado sul-americano porque podem encontrar alternativas a jovens  brasileiros que se destacam cedo, atingem o status de promessa e ficam bem mais caros. “Nesse ponto, a América Latina é mais favorável. Os valores são menores. Mas temos de ter cuidado para não inchar nosso campeonato com jogadores que estão abaixo dos daqui. Às vezes, as contratações não se justificam”, observou.

No caso do Palmeiras, o olhar para o mercado sul-americano não se limitou apenas a quem entra em campo. Depois de demitir o técnico Gilson Kleina em maio, o clube foi buscar na Argentina um novo comandante: Ricardo Gareca, ex-Vélez Sarsfield, que trouxe consigo outros dois profissionais: o auxiliar Sergio Santín e o preparador físico Néstor Bonillo.

Quando chegou, ele negou ter algo diferente para apresentar no Brasil. “Não tenho segredo, admiro os técnicos brasileiros. Felipão, Luxemburgo, (Muricy) Ramalho, Cuca, Tite… Não tenho nada de novo, viemos para triunfar em um time tão importante como o Palmeiras, o time que mais tem títulos no Brasil. Temos de nos adaptar ao Palmeiras, não é o Palmeiras que tem de se adaptar a nós. A história do Palmeiras é maior que a minha. Venho aprender com o futebol brasileiro, quero ganhar e fazer história no Palmeiras”, declarou.

Após Gareca começar a trabalhar no clube, o Palmeiras tratou de ir atrás de atletas argentinos indicados por ele. Desde então, foram apresentados pelo clube o zagueiro Fernando Tobio, o meia-atacante Agustín Allione e o atacante Pablo Mouche. Os dois primeiros trabalharam com o técnico no Vélez. O último estava na Turquia, mas o comandante o conhece dos tempos em que o tinha como rival no Boca Juniors.

As apostas todas ainda não começaram a dar resultados para o Palmeiras. Desde que Gareca assumiu o cargo de treinador, o time ainda não venceu no Brasileirão e está a um ponto da zona de rebaixamento. Para sair da situação e escapar das últimas colocações, o time depende do sucesso desse investimento em técnico e jogadores argentinos nas rodadas futuras.

Enquanto uns ainda esperam para ver se a investida fora do país valeu a pena, outros já estão certos de que fizeram boa escolha. É o caso, por exemplo, do Internacional. No início do ano, o clube contratou o volante chileno Aránguiz, que vinha se destacando na Universidade de Chile havia três temporadas.

Rapidamente, ele se tornou peça fundamental para o clube gaúcho, vice-líder do Brasileirão. Nas seis partidas em que contou com o jogador no Brasileirão, o Internacional venceu cinco e empatou uma. Para o técnico Abel Braga, as chances de título no campeonato estão diretamente relacionadas ao trabalho do chileno, que representou seu país na Copa do Mundo.

“Se quisermos conquistar alguma coisa, isso passa pela permanência dele”, declarou o treinador, logo após a vitória do Internacional sobre o Grêmio no domingo por 2 a 0. Um dos gols foi marcado justamente pelo volante.

IG