Cinco razões para garantir tratamento à mulher com câncer de mama avançado

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Mesmo diagnosticada em fase metastática, doença pode ser tratada com medicamentos que dão mais tempo com boa qualidade de vida às pacientes

Todos os anos, duas em cada dez mulheres recebem a notícia do câncer de mama já em fase avançada da doença. No serviço público no Brasil, o número é mais alarmante, com metade das pacientes descobrindo a enfermidade tardiamente. Entre os 57 mil novos casos projetados para 2015 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), uma parcela de 30% irá evoluir para a fase metastática, quando o tumor atingiu outros órgãos do corpo, o que pode acontecer meses ou décadas após o diagnóstico.

Aos ouvidos das pacientes, esses dados impactantes podem soar como uma sentença de morte ou uma trajetória marcada por dor e sofrimento. A medicina, no entanto, traz perspectivas para este diagnóstico e convida a população a ter um novo olhar para este tipo de ocorrência.

“Na verdade, temos mais opções de tratamento para a doença avançada do que para as fases mais iniciais do câncer de mama”, ressalta o especialista em cancerologia e membro da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, Ricardo Caponeiro.  “Nesta fase, ainda que não tenhamos o propósito de cura, há o empenho em colocar a doença sob controle. Temos observado muitos avanços na medicina e, em função disso, hoje a perspectiva de vida que a paciente consegue ter com a metástase tem aumentado significativamente”, complementa Maira Caleffi, mastologista e presidente voluntária da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).

Metástase é basicamente quando o câncer atinge outros órgãos, o que compromete a intervenção certeira do tratamento. O estágio também está relacionado a descoberta tardia da doença, muitas vezes resultado da dificuldade de acessar consultas e exames médicos que detectam o tumor precocemente.

Aliás, as mulheres com câncer de mama metastático que não podem pagar o atendimento em hospitais particulares e nem têm recursos para comprar os medicamentos específicos que o tratamento exige veem o seu sofrimento ampliado. As pacientes que se tratam no SUS não recebem as medicações que aliviam os efeitos colaterais da doença, já que esses tratamentos ainda não fazem parte do rol disponibilizado no serviço público de saúde no Brasil.

O dado é ainda mais preocupante quando se considera que 65% dos brasileiros usa o SUS para se tratar, segundo pesquisa Datafolha. O restante da população se divide em convênios médicos e o atendimento particular.

Por mais tempo
Os especialistas, pesquisadores e psicólogos especializados em oncologia fazem coro para rebater a premissa de que o estágio metastático da doença feminina determine uma ausência de tratamento, de investimento e de empenho por parte dos médicos, familiares e da própria paciente em conviver com o câncer de mama. Ao contrário. Construir um caminho com menos efeitos colaterais, maior chance de sobrevida e conquistas é uma possibilidade condizente a estas mulheres.

“Após a evidência de uma metástase, as pessoas tendem a fazer  questionamentos, têm pensamentos e sentimentos sobre toda sua realidade”, avalia a psicóloga clínica do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul, Lucy Bonazzi. “Este processo interno de lançar um novo olhar sobre cada aspecto da vida e dar novos significados pode, inclusive, transformar-se em  um projeto de vida que desenvolve-se paralelo à vivência dos medos e à sensação da  incerteza quanto ao futuro”, completa a especialista.

Com esta bandeira da conscientização, a Femama, o Instituto Oncoguia e Roche lançaram a campanha Por Mais Tempo, que reúne pacientes, médicos e a indústria farmacêutica para discutir a doença e torná-la mais conhecida pela sociedade, desmistificando percepções erradas. Contratada pela campanha, pesquisa Datafolha mostrou que metade dos brasileiros não sabe da possibilidade de tratamento ou desconhece que há terapia para fase metastática do câncer de mama.

Também faz parte da campanha Por Mais Tempo uma petição online que solicita ao Ministério da Saúde a incorporação no SUS de remédios mais adequados aos pacientes com câncer de mama metastático. É possível aderir à iniciativa no site www.pormaistempo.com.br.

“Precisamos tornar esses avanços da medicina acessíveis a todas as pacientes com câncer de mama metastático. Essas mulheres hoje vivem a dura realidade de lutar contra o tumor e pelo direito de viver mais”, conclui Luciana Holtz, presidente do Oncoguia.

IG