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Com a autorização dada hoje (7) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) utilize o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA feito pela própria fundação na fabricação da vacina contra covid-19, as primeiras doses do imunizante 100% nacionais devem ser entregues ao Ministério da Saúde em fevereiro.ebcebc

De acordo com a Fiocruz, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) dispõe, no momento, de insumo o suficiente para a fabricação de 21 milhões de doses com o IFA nacional, que se encontram em diferentes etapas de produção e controle de qualidade.

“A previsão é que as primeiras doses do imunizante sejam envasadas ainda em janeiro e entregues ao Ministério da Saúde em fevereiro, assim que forem concluídos os testes de controle de qualidade que ocorrem após o processamento final da vacina”, informou a Fiocruz.

A presidente da instituição, Nísia Trindade Lima, destacou que é uma grande conquista para a sociedade ter uma vacina 100% nacional, sendo essa a primeira do país.

“A pandemia de covid-19 deixou claro o problema da dependência dos insumos farmacêuticos ativos para a produção de vacinas. Com a aprovação, hoje, pela Anvisa, conquistamos uma vacina 100% produzida no país e, dessa forma, garantimos a autossuficiência do nosso Sistema Único de Saúde para a vacina, que vem salvando vidas e contribuindo para a superação dessa difícil fase histórica do Brasil e do mundo”.

A produção nacional do IFA começou em julho de 2021, após a assinatura do contrato de Transferência de Tecnologia com a parceira AstraZeneca. A absorção da tecnologia ocorreu em tempo recorde, cerca de um ano, quando esses processos costumam levar cerca de 10 anos.

Segundo a Fiocruz, a Anvisa comprovou a equivalência do processo produtivo, ou seja, que as vacinas produzidas com o IFA de Bio-Manguinhos/Fiocruz “possuem a mesma eficácia, segurança e qualidade daquelas processadas com o ingrediente importado”.

No ano passado, a fundação chegou a ficar sem IFA para fabricar as vacinas, devido à dificuldade de importação do produto . Com isso, cidades precisaram atrasar o cronograma de vacinação devido à falta do imunizante.

Edição: Maria Claudia, Agência Brasil

Um estudo publicado no site Medrxiv, mostra que as quatro vacinas aplicadas no Brasil conferem um alto grau de proteção adicional contra a infecção sintomática e as formas graves da Covid-19 em indivíduos que já haviam contraído o Sars-CoV-2 previamente. O estudo, liderado por Julio Croda e Manoel Barral-Neto, pesquisadores da Fiocruz, reforça ainda a importância do esquema vacinal completo, mesmo para essas pessoas. O trabalho pode ser acessado aqui.

Em formato de preprint (sem revisão dos pares), Effectiveness of CoronaVac, ChAdOx1, BNT162b2 and Ad26.COV2.S among individuals with prior SARS-CoV-2 infection in Brazil mostra que as quatro vacinas apresentam efetividade de 39% a 65% para prevenir as formas sintomáticas da doença. No caso das três vacinas com esquema de duas doses (Coronavac, AstraZeneca e Pfizer), a segunda dose fornece uma efetividade significativamente maior quando comparada com a primeira. A média de proteção contra hospitalização ou morte excede 80% 14 dias após o esquema vacinal completo – em comparação com pessoas infectadas e não vacinadas.

“A importância de ser vacinado é a mensagem principal, e a necessidade dessas duas doses para maximizar a proteção. Vemos que alguns países chegam a recomendar apenas uma dose para quem teve Covid, por considerar que estes já contam com um certo nível de anticorpos neutralizantes. Mas esse tipo de avaliação de efetividade na vida real mostra que há um ganho adicional com a segunda dose. É um ganho substancial contra as formas graves”, explica Julio Croda, pesquisador da Fiocruz Mato Grosso do Sul e principal investigador do estudo. 

Efetividade contra reinfecção 

A efetividade das vacinas contra o Sars-CoV-2 já havia sido provada em pessoas que nunca tiveram a doença, mas seus efeitos em indivíduos infectados previamente não eram claros. A partir da base nacional de dados sobre notificação, hospitalização e vacinação, os pesquisadores utilizaram um desenho de teste negativo para verificar a efetividade da Coronavac, AstraZeneca, Janssen e Pfizer em pessoas previamente infectadas.  

“Para AstraZeneca e Pfizer, só havia um artigo sobre desfechos graves, e envolvia apenas 75 indivíduos. Não havia nada sobre Janssen e Coronavac para doença sintomática e casos severos”, observa Croda. 

Foram avaliados 22.565 indivíduos acima dos 18 anos que tiveram dois testes de RT-PCR positivos e 68 mil que tiveram teste positivo e depois negativo, entre fevereiro e novembro deste ano. Os pesquisadores descobriram que a após a infecção inicial a efetividade para posterior doença sintomática 14 dias após o esquema vacinal completo é de 37,5% para a Coronavac, 53,4% para AstraZeneca, 35,8% para Janssen e 63,7% para Pfizer. Nas vacinas de duas doses, a efetividade contra hospitalização e morte no mesmo período é de 82,2% com a Coronavac, 90,8% com a AstraZeneca e 87,7% com a Pfizer. Na Janssen, de apenas uma dose, é de 59,2%. 

Imunização híbrida 

A infecção por Sars-CoV-2 induz respostas robustas das células T e B, relacionadas à imunidade. Pessoas que contraíram o vírus apresentam, então, um risco menor de infecção sintomática e das formas graves da doença. Muitos se baseiam nisso para discutir a necessidade de vacinar ou não quem já teve Covid-19, ou mesmo de a pessoa tomar apenas uma dose, como lembra Croda. O surgimento de novas variantes mais transmissíveis, com capacidade de escapar ao sistema imunológico e resultar em novas ondas de infecção e reinfecção, renovaram discussões sobre o tema. 

“Descobrimos que uma segunda dose de CoronaVac, ChAdOx1, e BNT162b2 forneceu proteção adicional significativa contra infecções sintomáticas e a forma grave da doença”, diz o texto. Segundo o estudo, este alto grau de imunização híbrida, resultante da combinação de infecções e vacinas, poderia explicar por que o Brasil, apesar de ter uma cobertura vacinal comparável à dos Estados Unidos e dos países da Europa, não tenha observado uma alta semelhante das hospitalizações e mortes no período em que a variante Delta se tornou prevalente. 

Várias unidades da Fiocruz e instituições brasileiras e estrangeiras participaram do trabalho. O estudo conta com pesquisadores do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia); do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia); da Fiocruz Brasília e da Fiocruz Mato Grosso do Sul; além de cientistas da Universidade Federal da Bahia; da Universidade de Stanford, do Barcelona Institute for Global Health; Hospital das Clínicas de Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; da London School of Hygiene and Tropical Medicine; da Universidade Federal de Ouro Preto; da Universidade da Flórida; da Yale School of Public Health; da Universidade de Brasília; da Emory University; da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

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rodape botao voltar ao especial sobre covid 19

Para um diagnóstico correto, é preciso fazer testes, afirma médica. Vacinas para nova variante H3N2 chegarão em março, afirma secretaria da saúde

Crescem os casos de gripe no Brasil neste fim de ano, em meio à pandemia de covid-19, embora com queda acentuada das curvas de mortes e infecções e as duas doenças podem se confundir, dada a semelhança dos sintomas.

Na covid-19, febre e tosse seca são sintomas comuns. Já cansaço, dores no corpo, mal-estar e dor de garganta podem surgir às vezes. A doença tem outros sintomas que, em geral, não são sentidos por quem tem gripe, como perda do olfato e paladar.

A covid-19 também pode avançar para quadros mais graves, como evidencia a marca de mais de 600 mil pessoas. Pessoas nessas situações mais graves ou críticas podem ter forte falta de ar, pneumonia grave e outros problemas respiratórios que demandem suporte ventilatório ou internação em unidades de terapia intensiva.  

“A covid-19, principalmente agora, dá muita queixa de perda de olfato e paladar. A influenza costuma deixar mais prostrado, acamado, dor no corpo, sensação de congestão. Quando a gente compara as duas, a influenza dá muito mais sintomas. Pra gente fechar o diagnóstico, somente com exame laboratorial”, diz Ana Helena Germoglio.

Parecidos mais diferentes

Embora os sintomas sejam bastante parecidos, há especificidades entre as duas doenças. Na gripe, sintomas como febre, tosse seca, cansaço, dores no corpo, mal-estar e dor de cabeça são comuns. Coriza ou nariz entupido e dor de garganta podem aparecer, mas são menos frequentes.

A gripe pode evoluir para casos graves e até mesmo para a morte.

Segundo material explicativo do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF-Fiocruz), divulgado em uma reportagem da Agência Brasil, a hospitalização e a possibilidade de óbito estão, em geral, vinculadas aos grupos de alto risco. A influenza pode também abrir espaço para infecções secundárias, como aquelas causadas por bactérias.

Precisa de teste

Segundo a infectologista, que falou com a Agência Brasil Ana Helena Germoglio, não é possível definir se uma pessoa está com covid-19 ou com gripe apenas com a análise do profissional, chamado no jargão técnico de diagnóstico clínico.

Para ela, diante de sintomas, as pessoas precisam procurar assistência médica para que o profissional possa indicar os procedimentos adequados à realização do diagnóstico

Para a avaliação do quadro de saúde do paciente é preciso realizar testes, afirma ela. No caso da covid-19, há diferentes modalidades, como os testes de antígeno ou laboratoriais PCR. No caso da gripe, também há distintos tipos de exames.

Se for Covid

O conhecimento e a reação aos sintomas são necessários diante dos riscos de transmissão da covid-19. Conforme orientações do Ministério da Saúde, uma pessoa infectada deve, além de procurar atendimento, ficar isolada de outros indivíduos e fazer quarentena durante 14 dias. O prazo pode ser menor, dependendo das orientações das prefeituras.

Prevenção

A prevenção da gripe H3N2 segue os mesmos cuidados necessários para evitar a Covid-19, como distanciamento físico, uso de máscara e higienização correta das mãos.

Vacina

O Brasil possui vacinas que protegem contra o vírus Influenza A e B, no entanto, elas não são específicas para a variante H3N2, que está atingindo o país. De acordo com o Instituto Butantan, maior produtor de vacinas para a gripe do Hemisfério Sul, a previsão é de que a vacina para H3N2 chegue ao Brasil a partir de março de 2022.

Fonte: Portal da CUT

Max Gomes (IOC/Fiocruz)*

O aumento de casos de infecções pelo vírus influenza no último trimestre deste ano tem atraído atenção para uma velha conhecida da humanidade. A gripe, como é chamada popularmente, tem gerado surtos regionais pelo país impulsionada pela introdução de uma nova cepa do subtipo A(H3N2), batizada de Darwin. A primeira identificação da nova cepa no país foi realizada pelo Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em amostras provenientes da cidade do Rio de Janeiro.

Atualmente, são conhecidos três tipos de vírus influenza: A, B e C. Os dois primeiros são mais propícios a provocar epidemias sazonais em diversas localidades do mundo, enquanto o último costuma provocar alguns casos mais leves. O tipo A da influenza é classificado em subtipos, como o A(H1N1) e o A(H3N2). Já o tipo B é dividido em duas linhagens: Victoria e Yamagata.

Embora possuam diferenças genéticas, todos os tipos podem provocar sintomas parecidos, como febre alta, tosse, garganta inflamada, dores de cabeça, no corpo e nas articulações, calafrios e fadigas.

A cepa Darwin (recém-descoberta na Austrália) faz parte do tipo A(H3N2). Nos últimos meses, ela contribuiu para um aumento de casos de gripe em um período atípico no Brasil – que, assim como os países do hemisfério sul, possui uma circulação maior do vírus influenza no inverno (entre julho e setembro).

De acordo com Fernando Motta, pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC, o grande número de pessoas infectadas com o vírus da gripe também é resultado da combinação de uma circulação reduzida do vírus influenza em 2020 com a baixa adesão à campanha de vacinação desse ano.

O pesquisador lembra que os cuidados para evitar o contágio e a transmissão da gripe são os mesmos que a população têm usado para frear a transmissão da Covid-19. “Distanciamento social, evitar aglomerações, uso de máscaras, higiene constante das mãos e etiqueta respiratória. São medidas que vimos que ao longo do ano passado e que provavelmente fizeram com que várias viroses respiratórias desaparecessem de circulação. E, com certeza, mitigaram a transmissão do coronavírus”, afirmou Fernando Motta.

Assista ao vídeo e saiba mais sobre o vírus influenza e o subtipo H3N2:

No Portal Fiocruz

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 Realizar uma cirurgia bariátrica está entre os seus planos? Confira quais são os cuidados que deve ter após realizá-la

A taxa de sobrepeso do brasileiro, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2019, corresponde a 60% da população adulta nacional.

Além da questão de saúde, já que é considerada como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade pode acarretar problemas no convívio social, profissional, sexual e consequentemente, na autoestima das pessoas.

Por estes motivos, e diante da dificuldade em emagrecer, a bariátrica tem sido cada vez mais procurada. No Brasil, são realizadas 65 mil cirurgias anualmente, sendo o segundo país que mais realiza o procedimento, atrás somente dos Estados Unidos.

O que é a cirurgia bariátrica?

A bariátrica, também conhecida como redução de estômago ou gastroplastia, tem como finalidade reverter os quadros de obesidade enquadrados em grau 3.

A fim de ilustrar, uma pessoa com grau 3 de obesidade é aquela com 1,70 metros de altura e peso superior a 102 quilos.

A expressão “redução de estômago” é utilizada pois a cirurgia altera a anatomia original deste órgão, reduzindo a capacidade de armazenar alimentos.

Dessa forma, uma pessoa não submetida à bariátrica tem a capacidade de consumir cerca de 1 a 1,5 litros de alimentos. Já quem realizou o procedimento, consegue consumir de 25 a 200 ml de alimentos.

Como a cirurgia é realizada?

Por se tratar de um procedimento cirúrgico, deve ser realizada em hospital, com o paciente submetido a anestesia geral.

Existem mais de uma forma de realização, podendo ser feito por técnica aberta, videolaparoscopia ou cirurgia robótica. Confira quais são eles.

Restritiva

É o tipo mais popularmente conhecido. Consiste em reduzir a capacidade do estômago de receber alimentos, deixando a pessoa saciada mais rapidamente.

Disabsortiva

O foco desta modalidade não é reduzir o tamanho nem a capacidade de armazenamento do estômago, mas sim alterar a absorção dos alimentos no intestino delgado.

Mista

Como o próprio nome sugere, é um misto dos dois tipos já mencionados. Nessa cirurgia, a quantidade de alimento armazenada é restringida, como também é feito um pequeno desvio do intestino. É o método mais utilizado tanto no Brasil, quanto no mundo.

Cuidados pós bariátrica

Após a realização do procedimento da cirurgia bariátrica, alguns cuidados devem ser tomados para evitar complicações e riscos à saúde. 

Nutrição e alimentação

Nos primeiros dias seguintes à cirurgia de redução de estômago, um grande desafio é a conciliação da hidratação e da alimentação, para se adequar ao estômago que foi consideravelmente reduzido.

A quantidade de água recomendada para ingerir por dia é a mesma de antes da cirurgia, ou seja, de dois a três litros. Entretanto, a pessoa precisa fazer a ingestão em porções bem pequenas, várias vezes durante o dia.

Já referente a alimentação, durante os primeiros quinze dias, deve ser seguida uma dieta líquida, para não ocorrer força excessiva nas linhas de sutura, sendo que a primeira se iniciará entre 12 ou 24 horas após a realização da bariátrica.

A ingestão deve ser feita em pequenas quantidades, para a adaptação do organismo. Os alimentos recomendados são caldos de carne ou de verduras, sucos de frutas e vegetais, chás e bebidas de soja.

Depois dos quinze dias iniciais, a dieta deve passar a ser pastosa, durante mais uma quinzena. São permitidos nesta etapa mingaus, purês de frutas, legumes e proteínas, vitaminas de frutas e cremes de legumes.

Somente após trinta dias é que a dieta pode ser sólida, com o devido acompanhamento nutricional.

Suplementação

Depois de realizada a cirurgia, o estômago não absorve mais os nutrientes dos alimentos de forma completa, podendo ocorrer problemas como fraqueza, anemia, dores ósseas e musculares.

Por este motivo, durante o primeiro mês é necessário fazer o uso de suplementos de vitaminas B e D, além de ferro. A partir do segundo mês, é prescrito um polivitamínico, que precisa ser tomado ao longo de toda a vida.

Atividades físicas

A prática de atividades físicas pode ser retomada após uma semana do procedimento, desde que de forma lenta e com pouco esforço, auxiliando no emagrecimento, funcionamento do intestino e para evitar riscos de trombose.

Os exercícios mais recomendados são apenas caminhadas ou subir escadas. Durante o primeiro mês, não devem ser feitos abdominais, tampouco pegar pesos.

Ainda, as atividades cotidianas, como trabalhar, cozinhar e dirigir podem ser iniciadas após duas semanas da cirurgia.

Suporte psicológico

Em alguns casos, a obesidade está atrelada a transtornos psiquiátricos e psicológicos como ansiedade, depressão e compulsão alimentar. Dessa forma, em conjunto com a cirurgia, é importante o acompanhamento com psicólogo competente.

Também, após a realização, deve-se entender a diferença entre a fome e a vontade de comer, para evitar a ingestão inadequada e como consequência, o mal-estar.

Procedimentos estéticos após a redução de estômago

Muitas são os procedimentos estéticos que podem auxiliar na garantia de bons resultados, tendo em vista que a cirurgia não elimina gordura localizada e, dependendo da quantidade de peso eliminada, pode deixar excesso de pele.

Conheça alguns destes procedimentos.

Massagem modeladora

A massagem modeladora é utilizada para eliminar a gordura localizada e a celulite, assim como reduz medidas e modela o corpo.

Drenagem linfática

A drenagem linfática também tem a capacidade de reduzir as medidas e a gordura localizada, mas também promove a eliminação de líquidos, diminuindo o inchaço corporal.

Radiofrequência

A radiofrequência auxilia na produção de fibras colágenas e elásticas e aumento da circulação do sangue, trazendo como resultado a prevenção e tratamento da flacidez.

Laser

O tratamento com luz de laser infravermelho também estimula a produção de colágeno e elastina, que são responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele.

Cirurgias reparadoras

As cirurgias plásticas também são ótimas aliadas em conjunto a bariátrica, seja para remoção de peles ou gordura localizada. As mais comuns são:

É a cirurgia que remove a flacidez e gordura localizada na parte interna dos braços.

É a correspondente da braquioplastia para a parte interna das coxas.

A abdominoplastia pós bariátrica é a cirurgia que tem como objetivo remover toda a pele e gordura em excesso após a gastroplastia.

Conhecidos os cuidados que a cirurgia exige e as opções estéticas que potencializam seus resultados, consulte um médico cirurgião plástico de confiança para maiores informações sobre o procedimento.

Foram descobertas esférulas nos sedimentos presentes no interior da cratera, em profundidades de 180 a 224 metros. Sua forma sugere que as rochas locais foram pulverizadas, nebulizadas e lançadas para o alto devido à colisão (foto: Victor Velázquez Fernandez)

José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP – Com 3,6 quilômetros de diâmetro, cerca de 300 metros de profundidade e uma borda soerguida de 120 metros, a cratera de Colônia é uma formação geológica situada em Parelheiros, na região Sul de São Paulo, a menos de 40 quilômetros da Praça da Sé. Tendo o interior atulhado por sedimentos e a borda coberta por vegetação, essa estrutura permaneceu escondida até o início da década de 1960, quando fotos aéreas e depois imagens de satélite mostraram sua forma circular quase perfeita.

Sua origem, a partir do impacto de um corpo extraterrestre, só foi confirmada, porém, em 2013, por meio da análise microscópica de sedimentos colhidos em diferentes níveis de profundidade. Esse estudo e outros realizados posteriormente, todos eles conduzidos pelo geólogo Victor Velázquez Fernandez, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), já foram objeto de reportagem da Agência FAPESP.

Nova pesquisa feita por Velázquez trouxe agora evidências ainda mais robustas sobre o impacto que produziu a cratera. Artigo a respeito foi publicado na revista Solid Earth Sciences: “Morphological aspects, textural features and chemical composition of spherules from the Colônia impact crater, São Paulo, Brazil”.

“Encontramos esférulas no interior da cratera, em profundidades de 180 a 224 metros, cuja forma só pode ser explicada pelo impacto de um corpo extraterrestre, que gerou temperaturas da ordem de 5 mil graus Celsius e pressões da ordem de 40 quilobars – equivalentes a 40 mil vezes a pressão atmosférica padrão”, conta Velázquez.

Segundo o pesquisador, o fato de as esférulas terem sido achadas no interior da cratera e não fora é bastante raro, porque, normalmente, os impactos ejetam sedimentos para fora. “Nossa explicação é que a energia do impacto transformou as rochas existentes no local em uma nuvem densa e superaquecida. Esse material foi lançado para cima, congelou e voltou a cair na base da recém-formada cratera”, diz.

Os tamanhos das esférulas, em seus eixos de maior comprimento, variam de 0,1 a 0,5 milímetro, com prevalência de 0,4 milímetro. Quanto à forma, 44% são ovais, 30% têm aparência de gota, 18% são esféricas e 8% têm configuração de disco (prolate). As demais não se encaixam nessas classificações.

“O fato de elas não serem todas esféricas é importante, porque indica que não podem ser classificadas como micrometeoritos; uma vez que estes, devido ao atrito com a atmosfera, são sempre esféricos. As formas ovais, de disco e gota são especialmente relevantes, porque só podem ser explicadas por meio de nossa hipótese: da nuvem superaquecida, ejeção vertical e posterior solidificação e queda do material”, comenta Velázquez.

Outra informação importante proporcionada pela pesquisa decorre da composição química das esférulas, consistente com aquela esperada para as rochas que compõem a borda da cratera. “Aqui, é oportuno destacar, entre tantos outros elementos, silício, alumínio, crômio e níquel. A falta de evidências de que tenham recebido material do objeto que impactou a área sugere, fortemente, que esse objeto tenha sido um cometa, e não um asteroide metálico ou rochoso”, argumenta o pesquisador.

Mas uma afirmação definitiva em relação a isso ainda não pode ser feita. E demandaria outras pesquisas. “Embora desconheçamos o tamanho do objeto, a velocidade e o ângulo de incidência, por comparação com outros impactos, podemos dizer que a colisão gerou uma devastação de 20 quilômetros de raio. Outro aspecto que ignoramos também é a data do evento, estimada, por enquanto, em um intervalo de 5 milhões a 36 milhões de anos no passado”, resume Velázquez.

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio de dois auxílios regulares: o primeiro sobre o cadastramento de elementos geológicos e geomorfológicos da Cratera de Colônia e o segundo sobre os registros geológicos na região concedidos ao pesquisador.

O artigo “Morphological aspects, textural features and chemical composition of spherules from the Colônia impact crater, São Paulo, Brazil” pode ser lido na íntegra em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2451912X20300635.

Os resultados são de uma pesquisa feita com frequentadores do Parque Estadual da Água Branca, em São Paulo. Após alguns meses de prática, houve diminuição dos fatores de riscos para doenças cardiovasculares

Por Ivanir Ferreira - Arte: Rebeca Alencar/Jornal da USP

As doenças cardiovasculares são responsáveis por 19 milhões de mortes em todo o mundo e estão associadas a comportamentos de risco, como a inatividade física (dados da Organização Mundial da Saúde – OMS). Uma pesquisa da USP mostrou que hábitos simples, como fazer caminhadas em parques públicos, podem trazer mais saúde e bem-estar às pessoas. O projeto Exercício e Coração desenvolvido com frequentadores do Parque Fernando Costa, mais conhecido como Parque Estadual da Água Branca, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, mostrou que caminhadas orientadas, mesmo quando realizadas sem a supervisão direta de um profissional de educação física, resultaram em aumento da capacidade física e diminuição dos fatores de riscos para doenças cardiovasculares, como a perda de peso, redução da circunferência da cintura e diminuição da pressão arterial.

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Cláudia Forjaz, coordenadora do projeto e professora do Laboratório de Hemodinâmica da Atividade Motora da EEFE-USP – Foto: Arquivo Pessoal

O projeto de extensão universitária Exercício e Coração, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP é coordenado pela professora Cláudia Forjaz, do Laboratório de Hemodinâmica da Atividade Motora da EEFE, e a análise de dados desse estudo foi descrita em artigo publicado na revista Preventing Chronic Disease.

A pesquisadora explica ao Jornal da USP que a proposta do projeto é orientar e prescrever a prática segura de atividade física para frequentadores de locais públicos, como os parques, onde, em geral, a população se exercita sem a supervisão de profissionais qualificados. Tendo seu início em 2000, nos últimos dez anos, o projeto avaliou mais de 1.200 pessoas no parque, ministrou mais de 3.900 aulas de alongamento, participou de mais de 130 eventos, treinou mais de 120 monitores e publicou mais de 40 resumos e dez artigos científicos completos relacionados aos seus dados.

dissertação de mestrado do pesquisador Bruno Temoteo Modesto, um dos autores do artigo e orientando da professora Cláudia, trouxe resultados concretos desta intervenção, referentes ao período de 2001 e 2015. A participação no programa era e ainda é gratuita e aberta a todos os usuários do parque.Dos cerca de 1.500 participantes do projeto neste período, 152 cumpriram os critérios do estudo, afirmaram terem seguido as orientações de caminhada realizada e foram reavaliados após 3 a 6 meses.

Caminhada de 30 minutos, três vezes por semana

Inicialmente, os voluntários da pesquisa (a maioria mulheres com 60 anos ou mais, com excesso de peso e circunferência de cintura elevada) passaram por uma avaliação que consistiu em entrevista sobre o estado de saúde e hábitos de fazer atividade física, além das medidas de aptidão cardiorrespiratória, circunferência da cintura, índice de massa corporal (IMC), pressão arterial, glicemia e colesterol.

Em seguida, receberam instruções individualizadas dos monitores do projeto do quanto e como deveriam caminhar. A ideia era que eles caminhassem três vezes por semana por, pelo menos, 30 minutos em uma intensidade moderada. Ou seja, os participantes deveriam caminhar o mais rápido que conseguissem sem ficar ofegantes e sendo capazes de falar uma frase longa sem precisar interrompê-la para respirar. Depois de realizar a atividade, deveriam fazer exercícios de alongamento. As primeiras sessões foram supervisionadas para garantir que a prática estava sendo feita corretamente.

Saldiva defende a criação de espaços de caminhadas contínuas

As avaliações pós-intervenção foram feitas entre três e seis meses após o início das atividades. Os principais achados do estudo foram que o programa de intervenção proposto aumentou a aptidão física dos participantes, aumentando a capacidade cardiorrespiratória, que passou de 99 para 110 passos em 2 minutos; reduziu o IMC, de 26,3 para 26,1 kg/m2, diminuiu a circunferência da cintura, de 93,8 para 92,7 cm, e a pressão arterial sistólica (o maior valor verificado durante a medida da pressão arterial e que indica a força de contração do músculo cardíaco) de 126 para 123 mmHg. “Com o declínio desses índices, houve a diminuição do risco cardiovascular global dos participantes”, relatou a pesquisadora. Os níveis de glicose no sangue, a pressão arterial diastólica e os níveis de colesterol total permaneceram inalterados.

Espaços públicos como promoção da saúde

Para a professora Cláudia Forjaz, ao demonstrar que a orientação da prática de caminhada por profissionais habilitados, mesmo sem a supervisão da execução, promove benefícios expressivos na aptidão física e na saúde da população, este estudo demonstrou que a intervenção proposta é efetiva e aplicável em espaços públicos. “Esse tipo de intervenção possibilita o atendimento de um grande número de pessoas com baixo custo, pois um profissional pode orientar vários indivíduos, e dá aos praticantes autonomia para obterem os benefícios da atividade física com segurança. Por esse motivo, o estudo pode ter importante implicação na saúde pública se o projeto for replicado em outros parques e ambientes públicos de prática física”, diz.

Alguns dos monitores do projeto Exercício e Coração/2020/2021 – Foto: Cláudia Forjaz

O projeto, atualmente, conta com um convênio acadêmico com o Fundo Social do Governo do Estado de São Paulo e, em anos anteriores, atuou em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Além disso, possui parcerias com diversas instituições que visam à melhora da saúde da população, como a Sociedade Brasileira de Hipertensão, o programa Agita São Paulo, o Sesc e a Associação de Assistência ao Diabético, entre outros. O programa está ainda aberto para visitas e auxílio a pessoas que desejem desenvolver atividades semelhantes em outros parques ou mesmo em outras cidades e já serviu de modelo para programas executados em Minas Gerais, como na cidade de Governador Valadares.

Acompanhe o canal do YouTube do Projeto Exercício e Coração
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Mais informações: e-mail [email protected], com Cláudia Forjaz ou [email protected], com Paula Bassi

Ainda não há transmissão comunitária na cidade. Todos os quatro casos identificados pelo município apresentam relação entre si

Neste sábado, 18 de dezembro, a Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) identificou dois novos casos de covid-19 provocados pela variante ômicron. Os dois pacientes estão em isolamento, sendo acompanhados pela Central de Telemedicina. Eles estão com esquema vacinal completo, passam bem e não apresentam sintomas. Com a identificação desses dois casos, o município totaliza quatro registros de ômicron, todos eles relacionados entre si. Ainda não há, portanto, transmissão comunitária na cidade. SMS segue testando em massa, monitorando os casos positivos e sequenciando todas as amostras de RT-PCR que se enquadrem nos critérios científicos. A estratégia possibilita a rápida identificação de novos casos e o bloqueio da cadeia de transmissão do vírus.

No último domingo, 12, o município detectou a variante ômicron em duas moradoras que tiveram contato com um casal de missionários vindo de Luanda (África), em decorrência de um evento religioso realizado em Goiânia. A partir disso, a SMS rastreou os contatos das pacientes e ofereceu a realização do RT-PCR para essas pessoas. Além disso, como medida de segurança, passou a sequenciar todas as amostras positivas diagnosticadas na cidade pela Prefeitura passíveis de análise. A identificação dos novos casos é resultado desse trabalho. Trata-se de um homem de 51 anos que teve contato com um dos dois primeiros casos confirmados da variante e uma mulher de 48 anos que participou do evento religioso em Goiânia.

“Todas as frentes de trabalho da Secretaria de Saúde estão muito alinhadas no objetivo de controlar a pandemia e salvar vidas. Nós somos a cidade goiana que mais realizou RT-PCR em Goiás. Já foram 406.556 testes padrão ouro. A testagem em massa possibilita o diagnóstico precoce e o rápido isolamento dos doentes. Todos eles passam a ser monitorados pela Vigilância, que investiga caso por caso e promove o rastreamento dos contatos, bem como passam a receber a assistência da Central de Telemedicina. Aliado a isso, temos o maior Programa Municipal de Vigilância Genômica, que já realizou mais 2.200 sequenciamentos, técnica que permite identificar a informação genética contida nas amostras dos exames e assim identificar as variantes do SARS-CoV-2 (novo coronavírus) em circulação”, destaca o secretário de Saúde, Alessandro Magalhães.

Sequenciamento

A diretora de Avaliação de Políticas de Saúde da SMS, Érika Lopes, responsável pelo Programa de Sequenciamento Genômico, explica que o número de sequenciamentos realizados é variável, dependendo do cenário epidemiológico e de fatores como o número total de casos positivos, a circulação de variantes de preocupação e o número de hospitalizações, dentre outros. “Em regra, nosso Programa analisa amostras de pacientes com suspeita de reinfecção, pacientes de baixo risco que precisaram de internação e pacientes aleatórios agrupados por semana epidemiológica. Nas últimas semanas chegamos a analisar mais da metade das amostras positivas coletadas pela SMS e agora ampliamos ainda mais o trabalho: todas as amostras com carga viral suficiente coletadas a partir de 8 de dezembro, data do primeiro registro da ômicron no município, estão em análise”, afirma.

Érika Lopes reforça ainda que enquanto o Sars-CoV-2 estiver circulando, infectando e reinfectando pessoas, ele sofre mutações: “Esse é um processo natural da replicação do vírus e algumas variantes têm um maior poder de adaptação gerando novas linhagens mais infectantes, letais ou com escape imunológico. Daí a importância de se identificar e monitorar as linhagens em circulação para entender melhor a dinâmica de evolução e dispersão do vírus”.

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Aparecida é a cidade goiana que mais realizou RT-PCR em Goiás. Já foram 406.556 testes – Foto: Rodrigo Estrela

Ômicron

De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, até o dia 16 de dezembro, o Brasil havia identificado 19 casos de contaminação pela ômicron, sendo 13 em São Paulo, 2 no Distrito Federal, 2 no Rio Grande do Sul e 2 em Goiás. Segundo a pasta, evidências científicas apontam que a variante possui um índice de transmissibilidade maior que as outras, mas não há estudos comprovados sobre a sua severidade e nem sobre a resposta vacinal contra a nova variante.

Sobre isso, a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida reforça que as medidas preventivas contra a covid-19 precisam ser mantidas pela população, tais como o uso correto de máscara, tapando o nariz e a boca, a ventilação dos ambientes, a higienização das mãos e o distanciamento social sempre que possível. “E sobretudo é preciso se vacinar! A vacinação é fundamental e continua salvando vidas”, destaca o secretário Alessandro Magalhães.

Crianças e jovens com problemas externalizantes podem ter mais chance de impacto negativo no aprendizado, no desenvolvimento social, no mercado de trabalho (foto: Pixabay)

Luciana Constantino / Agência FAPESP – Pesquisa publicada em dezembro na revista científica European Child & Adolescent Psychiatry mostra uma associação entre pobreza infantil e maior propensão para desenvolver transtornos externalizantes, como déficit de atenção e hiperatividade, na juventude, especialmente entre mulheres.

Os pesquisadores concluíram que a pobreza multidimensional e a exposição a situações estressantes, entre elas mortes e conflitos familiares, são fatores de risco evitáveis que precisam ser enfrentados na infância para reduzir o impacto de transtornos mentais na fase adulta. Foram levados em consideração o nível educacional dos pais, as condições de moradia e infraestrutura das famílias, acesso a serviços básicos, entre outros.

O trabalho acompanhou, durante cerca de sete anos, 1.590 alunos de escolas públicas de Porto Alegre (RS) e de São Paulo, que participaram de três etapas de avaliação, sendo a última delas entre 2018 e 2019. Esses estudantes fazem parte de uma grande pesquisa de base comunitária, que, desde 2010, segue 2.511 famílias com crianças e jovens, à época com idades entre 6 e 10 anos, dentro do Estudo Brasileiro de Coorte de Alto Risco para Transtornos Psiquiátricos na Infância (BHRC).

Também conhecido como Projeto Conexão - Mentes do Futuro, o BHRC é considerado um dos principais acompanhamentos sobre riscos de transtornos mentais em crianças e adolescentes já desenvolvidos na psiquiatria brasileira. É realizado pelo Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para a Infância e Adolescência (INPD), apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O instituto tem como coordenador-geral o professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Eurípedes Constantino Miguel Filho. Conta com mais de 80 professores e cientistas de 22 universidades brasileiras e internacionais.

“Parece senso comum dizer que a pobreza pode ter impacto futuro no desenvolvimento de problemas de saúde mental. Porém ainda não havia no Brasil uma pesquisa que permitisse analisar o desenvolvimento da criança até o começo da vida adulta baseado em avaliações psiquiátricas feitas em mais de um momento. Da forma como realizamos o trabalho, foi possível observar a tendência tanto na adolescência como no início da idade adulta”, explica a pesquisadora Carolina Ziebold, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e primeira autora do artigo.

Os diagnósticos psiquiátricos foram obtidos por meio da Avaliação de Desenvolvimento e Bem-estar (DAWBA, na sigla em inglês), aplicada na infância, depois na adolescência (quando os alunos tinham idade média de 13 anos e 5 meses) e na faixa etária dos 18 anos. O estudo levou em consideração distúrbios externalizantes e também os internalizantes, como depressão e ansiedade. No entanto, no caso desses últimos não houve registro significativo no resultado geral.

Para analisar as carências das famílias, os cientistas aplicaram questionários socioeconômicos. No total, 11,4% da amostra estava enquadrada em níveis de pobreza.

“Essa avaliação psiquiátrica em três momentos permitiu obter um resultado consistente. Isso porque houve variação ao longo do tempo. Crianças de famílias pobres chegaram a ter níveis de transtornos externalizantes menores do que as de não pobres no início do acompanhamento. Mas, depois de alguns anos, a curva se inverteu, com um crescimento constante dos distúrbios entre crianças de famílias pobres. A probabilidade de apresentar problemas entre elas foi de 63%, enquanto entre as de não pobres diminuiu no período”, afirma Ziebold.

Desigualdade de gênero

Os autores do artigo destacaram que, nas análises estratificadas por gênero, a pobreza infantil teve consequências prejudiciais especialmente para as mulheres.

“Esse resultado chamou muito a atenção e deve ser um dos mais relevantes. Geralmente os transtornos externalizantes são mais comuns em homens. Nossa hipótese é que as meninas pobres têm menos chance de diagnóstico precoce de problemas, seja na família ou na escola. Além disso, elas assumem mais tarefas desde cedo em casa, como cuidar de irmãos mais novos e de pessoas doentes. Essa sobrecarga expõe a mais eventos estressantes, que aumentam as chances de apresentar problemas mentais quando adultas”, diz a pesquisadora.

Os transtornos externalizantes também foram particularmente prejudiciais para as mulheres nos resultados educacionais, principalmente em relação ao atraso escolar, como mostrou um outro trabalho do grupo, recém-publicado na revista Epidemiology and Psychiatric Sciences.

Essa pesquisa, realizada com a mesma base do BHRC, concluiu que pelo menos dez a cada cem meninas que estavam fora da série escolar adequada para sua idade poderiam ter acompanhado a turma se transtornos mentais, principalmente os externalizantes, fossem prevenidos ou tratados. No caso da repetência, cinco em cada cem alunas não teriam reprovado (leia mais em https://agencia.fapesp.br/37419/).

"Crianças e jovens com problemas externalizantes podem ter mais chance de impacto negativo no aprendizado, no desenvolvimento social, no mercado de trabalho, aumentando assim a possibilidade de se manterem na pobreza quando adultos”, completa Ziebold.

No Brasil, a chance de um filho repetir a baixa escolaridade dos pais é o dobro da probabilidade de que isso ocorra nos Estados Unidos, por exemplo, e bem acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de 38 países ricos e emergentes. Quase seis a cada dez brasileiros (58,3%) cujos pais não tinham o ensino médio completo também pararam de estudar antes de concluir essa etapa. Entre os americanos, o percentual cai para 29,2% e na OCDE fica em 33,4%, de acordo com estudo (https://imdsbrasil.org/indicadores) do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), que analisou as transformações educacionais entre gerações.

Por outro lado, no mercado de trabalho, as chances de os filhos alcançarem o estrato de ocupações mais sofisticadas e com melhores rendimentos aumentam à medida que os pais são mais escolarizados. Filhos cujos pais têm nível superior apresentam 3,3 vezes mais possibilidade de estar no estrato mais sofisticado do mercado se comparados à média da população e quase nove vezes mais chances do que os filhos de pais sem instrução (Mais informações em https://imdsbrasil.org/doc/Imds_Sinopse%20de%20Indicadores01_Ago2021.pdf).

Pandemia

Ziebold destaca que, como os transtornos externalizantes podem ter impactos de longo prazo na saúde e nos resultados sociais durante a vida adulta, as descobertas do estudo reforçam a importância das intervenções antipobreza logo no início da vida.

“Quando falamos que é preciso reduzir a pobreza para diminuir as chances de transtorno mental, estamos pensando na questão de uma forma multidimensional. Não é uma solução rápida. Ações imediatas, como conceder bolsa e auxílio para que as famílias tenham renda, são importantes, mas também é necessário pensar em medidas mais amplas, que envolvam a promoção de habilidades socioemocionais, a redução do estresse, o acesso a serviços de educação e saúde, incluindo a mental.”

A pesquisadora lembra que a pandemia de COVID-19 acabou aumentando o percentual de pessoas vivendo na pobreza a níveis alarmantes. Relatório divulgado pelo Unicef, órgão das Organizações Unidas (ONU) para questões da infância, estimou que 100 milhões de crianças a mais estejam vivendo em pobreza multidimensional no mundo, um aumento de 10% desde 2019.

Segundo o documento, em outubro de 2020, 93% dos países chegaram a interromper ou suspender serviços essenciais de atendimento a transtornos mentais, problemas que afetam mais de 13% das meninas e meninos de 10 a 19 anos em todo o mundo (Mais informações em https://www.unicef.org/media/112841/file/UNICEF%2075%20report.pdf). O relatório projetou que, mesmo com os melhores cenários, serão necessários de sete a oito anos para recuperar e retornar aos níveis da pobreza infantil de antes da pandemia.

O artigo Childhood poverty and mental health disorders in early adulthood: evidence from a Brazilian cohort study, dos pesquisadores Carolina Ziebold, Sara Evans-Lacko, Mário César Rezende Andrade, Maurício Hoffmann, Laís Fonseca, Matheus Barbosa, Pedro Mario Pan, Euripedes Constantino Miguel Filho, Rodrigo Bressan, Luis Augusto Rohde, Giovanni Salum, Julia Schafer, Jair de Jesus Mari e Ary Gadelha, pode ser lido em https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00787-021-01923-2.

“Evangélicos no Brasil não são iguais”, defende a socióloga e pesquisadora Ana Raquel Couto. “São experiências plurais, diversas e muito capilarizadas”, afirmou. Ela e outros estudiosos debateram as questões relativas à identidade evangélica no evento virtual “Evangélicos à esquerda no Brasil hoje”, promovido pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) na terça-feira (14). De acordo com os especialistas, a visão do evangélico como intrinsecamente conservador seria muito mais uma narrativa construída por determinadas denominações, mas que não reflete a diversidade inerente a esses grupos.

Trata-se também de uma concepção deturpada bastante presente na opinião pública, que busca fazer uma correlação direta entre o conservadorismo doutrinário e a posição política desses grupos. Além disso, mais do que essas questões doutrinais, esses grupos também levariam em conta questões objetivas e materiais na hora de decidirem o voto.

Em oposição a esse senso comum, é possível, sim, combinar os ensinamentos cristãos a uma perspectiva política progressista, mais identificada com a esquerda, defendeu a socióloga.

“Como o pastor Ariovaldo diz, o progressismo é naturalmente cristão. E cristianismo é naturalmente progressista”, afirmou. Essa concepção, segundo ela, “vem da própria visão do ser humano como integral, constituído de corpo, alma e espírito”. Nesse sentido, “é preciso também atentar para as necessidades mais básicas do ser humano, como a fome”.

Nessa abordagem mais arrojada dos ensinamentos cristãos, defendida por ela, muda também a própria visão de humanidade. A “unidade”, defendida por leituras mais ortodoxas, dá lugar à “comunidade”, baseada na pluralidade e da diversidade. Nesse sentido, valores como “justiça” e “equidade” também fazem parte do ideário do evangélico progressista. Mais do que isso, para esses grupos, a própria desigualdade seria considerada como “fruto e consequência do pecado”, algo a ser combatido e revertido.

Em disputa
O jornalista Gilberto Nascimento, autor do livro O Reino (Companhia das Letras), sobre a história de Edir Macedo e Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), também destacou que há “muito preconceito” e “desinformação” a respeito dos evangélicos no Brasil. Ele citou pesquisa Datafolha que apontou empate quase absoluto entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (35%) e Jair Bolsonaro (34%) na preferência dos evangélicos. “Não há uma votação esmagadora para a direita ou setores mais conservadores“.

Ele também destacou algumas situações que mostram a diversidade política entre os “cristãos não católicos”. Por um lado, André Mendonça, o ministro “terrivelmente evangélico“, que teve sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) aprovada pelo Senado, é presbiteriano. Tal denominação, incluída pelos estudiosos entre os “protestantes históricos”, estaria mais inclinada ao ideário progressista. Por outro lado, entre os pentecostais tradicionais, mais associados ao campo conservador, estão nomes como a da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) e da ex-candidata à presidência Marina Silva (Rede-AP).

Evangélicos: mais ‘pragmáticos’ que conservadores
Para Nascimento, conservadores “de fato” são os neopentecostais. “Não conheço líderes de esquerda nem na IURD, nem da Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor RR Soares. Muito menos na Igreja Mundial do Poder de Deus (do apóstolo Valdomiro Santiago)”. Seus líderes comandam a pregação contra a chamada “ideologia de gênero”, e que também resistem aos avanços conquistados pela comunidade LGBTQIA+. “Várias dessas lideranças são aliadas de Bolsonaro. E são eles que causam muito de toda essa polêmica, que ajudam a alimentar essa confusão”, disse ele.

No entanto, até mesmo entre essas lideranças neopentecostais, a atuação política é muito mais “pragmática” do que ideológica, de acordo com o jornalista.

“Há muito mais interesses em questões específicas. Como a concessão de verbas de publicidade para emissoras religiosas, anistia a dívidas das igrejas. Elas são isentas de impostos, mas muitas foram punidas pela Receita, com multas milionárias por conta de artifícios e arranjos para justificar transações financeiras suspeitas. Na hora de apoiar Bolsonaro, eram essas questões que estavam em jogo”.

Histórico
O historiador Zózimo Trabuco, autor do livro À direita de Deus, à esquerda do povo”: Protestantismo, esquerdas e minorias – 1974-1994 (Sagga Editora), diz que não são de hoje os esforços de diferentes grupos na tentativa de conformar o que seria uma genuína identidade evangélica. Mas “sempre escapou pelos dedos daqueles que tentavam definir”. Ele fez uma breve retrospectiva da aproximação de grupos evangélicos com a esquerda.

Essa identificação entre a esquerda e setores protestantes ocorreu, principalmente, durante a ditadura, com denominações que se opunham ao regime comandado pelos generais. Foi também nesse momento que surgiram iniciativas como o Movimento Evangélico Progressista (MEP). Ele também destacou o papel central da Teologia da Missão Integral na conformação da identidade desses grupos.

Trabuco ressaltou, ainda, que os evangélicos estão na política “desde sempre”, ainda que a atuação partidária dos grupos conservadores tenha ganhado relevância a partir do surgimento da Bancada Evangélica durante a Assembleia Constituinte. E também destacou que a disputa pelos evangélicos aumenta “nos momentos de maior confrontação da sociedade, que são os momentos eleitorais”.

Leia artigos do pastor Ariovaldo Ramos no blog “Daqui pra Frente”

Fonte: RBA

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