Ceilândia celebra aniversário de 45 anos; confira a programação

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De norte a sul, moradores se unem para transformar a cidade num espaço de convivência em harmonia.

Ceilândia tem várias datas de aniversário. O mapa inicialmente desenhado em formato de barril ganhou outros contornos ao longo do tempo, com as expansões que agora abrigam os filhos da cidade. Por isso, o dia de hoje é comemorado com festa pela população, assim como os que marcam o início dos novos pedaços que se unem e dão outra cara à maior região administrativa do Distrito Federal. Para celebrar esses 45 anos, o Correio reuniu histórias de moradores orgulhosos de cada um dos cantos de uma só CEI, a que mora no coração de todos eles.

Um dos pontos de encontro da nova geração é a Praça do Cidadão, em Ceilândia Norte, palco de festivais da cultura hip-hop, de oficinas e de apresentações musicais. Grande parte da responsabilidade por manter o local no foco das manifestações culturais é do projeto Jovem de Expressão, idealizado pelos integrantes da Rede Urbana de Ações Socioculturais (Ruas), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

Além de diversas oficinas de dança e outras voltadas ao mercado de trabalho, o projeto oferece um espaço de livre acesso a moradores, com computadores conectados à internet, uma pequena biblioteca e uma sala de videoconferência que pode ser usada gratuitamente por microempreendedores para reuniões com os clientes. O espaço destinado a oficinas também é emprestado a membros da comunidade para comemorações e outras atividades culturais. Mais recentemente, o projeto ganhou uma incubadora de empresas, que conta com o suporte do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB).

Todas essas iniciativas foram a maneira que a organização encontrou de afastar os jovens da violência. A ideia não é tirá-los das ruas, mas, sim, mostrar formas de usar esse espaço de maneira saudável. São diversos os casos dos que obtiveram sucesso na carreira, como os que participaram de cursos de audiovisual e se tornaram cineastas. “O mais recompensador e os frutos que a gente colhe são esses e, principalmente, os índices de violência da área, que diminuem. Dá ao jovem uma alternativa”, avalia o coordenador Antônio de Pádua.

Guardiãs

 Perto dali, ao lado da linha do metrô, duas mulheres se inspiram em suas histórias pessoais para garantir um futuro melhor às novas gerações da cidade. A presidente da Casa de Justiça e Cidadania, Maristela Mendes Basilio, 48 anos, desenvolve trabalhos sociais desde a adolescência. O estigma de mulher, negra, moradora da periferia serviu como incentivo para lutar por conquistas sociais. “Eu não me permiti ficar com a autoestima baixa, muito pelo contrário. Resolvi desenvolver trabalho social justamente para mostrar à comunidade que a gente tem que se superar e mudar a nossa realidade por meio da educação”, relata.

Dos 15 irmãos de Maristela, apenas oito sobreviveram. O pai morreu quando ela tinha 14 anos de idade. Em 1996, viu a casa que hoje preside ser fundada. Um dos objetivos era alfabetizar jovens e adultos, e, nesse período, Maristela pôde participar do processo de alfabetização da própria mãe. Foi a primeira mulher da família a completar o curso superior. Aos 43 anos, conseguiu se formar em pedagogia. Foram mais de dois anos prestando vestibular até a aprovação em uma instituição particular. Metade da pensão que recebia do ex-marido ia para pagar a mensalidade. “Se eu estudar, a nossa condição vai melhorar daqui a dois anos. Se eu não estudar, a gente vai passar a vida comendo macarrão com feijão”, dizia aos seis filhos.

E não foi apenas a vida da própria família que ela melhorou. Hoje, orgulha-se de ter contribuído para recuperar dependentes químicos, dar formação a mulheres para conseguirem sustentar as famílias e ajudar na preparação escolar de diversas crianças. “A minha luta pela Ceilândia é fazer com que as pessoas mudem, cresçam. Fazer com que os jovens não vejam na droga e na criminalidade a solução para a vida deles. Eles podem crescer por meio da educação, do esporte e da cultura.”

No prédio ao lado, a conselheira tutelar Selma Aparecida da Costa dos Santos, 49 anos, conhecida como Selma da Criança, compartilha uma história de superação semelhante à de Maristela e a de tantas outras mulheres e crianças de Ceilândia. Quando tinha 8 anos, ela e os seis irmãos ficaram órfãos. Na época, eles já moravam em Ceilândia, tinham se mudado da Vila do IAPI. Chegaram por volta de 1972. Essa parte da história, no entanto, Selma só descobriu depois de adulta, vasculhando o passado para conhecer melhor as origens.

O que ela lembra da infância é de tudo que faltava em casa e no resto da cidade: comida, açougue, mercado, banheiro. O ensino médio, só conseguiu concluir em 2002, ora conciliando com o trabalho de empregada doméstica —que exerceu dos 12 aos 22 anos —, ora com o cuidado com os filhos e os bicos para sustentá-los praticamente sozinha. Confeitava bolos, vendia cachorro-quente, fazia bijuterias e faxinava. Ainda durante a infância, além do trabalho, teve que enfrentar uma das maiores violações do direito de uma criança, o abuso sexual. Depois, casou-se com um dependente químico. “Saí de um sofrimento de infância para outro.”

Libertação

 A grande alegria veio quando teve a carteira assinada pela primeira vez, aos 35 anos. Era a gari mais feliz de Ceilândia. “Calçar aquela bota e vestir aquele uniforme, para mim, era o máximo”, afirma. “Eu trabalhava praticamente meio período, não era como de empregada doméstica, que eu tinha que dormir, tinha que me anular. E eu conseguia prover: ganhava mais do que um salário mínimo!”, comemora ao se lembrar.

Foi em 2006 que ela conseguiu ser eleita conselheira pela primeira vez. Hoje, segue para o terceiro mandato, até 2019. Já para o segundo semestre deste ano, planeja cursar direito e, num futuro não tão distante, criar o Instituto Selma da Criança, para prestar assessoria técnica e jurídica em direitos da criança. “Quando você acolhe a criança você acolhe o país.”

Onde encontrar

Casa de Justiça e Cidadania

 Para participar das oficinas, basta entrar em contato pelos telefones 2196-2714 ou 2196-2711 e verificar a disponibilidade de vagas em cada ação. A Casa fica na QNN 5/7, Ceilândia Norte.

Jovem de Expressão
Inscrições para oficinas gratuitas abertas até 22 de abril. As aulas começam em 2 de maio, na Praça do Cidadão — EQNM 18/20, Ceilândia Norte. A pré-inscrição deve ser feita pela fanpage facebook.com/jovemdeexpressao. Informações pelo telefone 3372-0957.

Confira a programação do 45º aniversário de Ceilândia.

II Copa Ceilândia de Vôlei
Data: domingo (27/3)

Local: Ginásio da Guariroba
Horário: 8h às 0h

Corte do bolo
Data: domingo (27/3)
Local: Feira Central de Ceilândia
Horário: 9h às 12h

XXV Campeonato de Fut 7 Society de Ceilândia
Data: domingo (27/3)
Local: Praça Poliesportiva da QNM 10
Horário: 8h às 18h

Domingão da Família
Data: domingo (27/3)
Local: Centro Cultural – QNN 13, Área Especial – Ceilândia Norte
Horário: 8h às 18h

Circuito de Feiras
Data: segunda a quarta (28/3 a 30/3)
Local: Centro Cultural de Ceilândia – QNN 13, Área Especial – Ceilândia Norte
Horário: 8h às 18h

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