Aparecida de Goiânia, terça-feira, 11 de maio de 2021

A morte de Paulo Gustavo comove e ganha os holofotes como símbolo da tragédia e desamparo nacional

Paulo Gustavo morreu. O que isso significa?

Vivemos em tempo de notícias como temporal e enxurrada. Qualquer portal, grande jornal ou veículo especializado oferece dezenas de cliques para informações e mais informações. Paulo Gustavo morreu. Uma passeada mediana por sua rede social favorita proporciona volume de conhecimento sobre o mundo – próximo ou longe, vai da bolha e do algoritmo de cada um – que parecia impossível há 30 anos.

Nessa maionese de informação – Caetano já se perguntava no final dos anos 60 quem lê tanta notícia –, é preciso alguma hierarquia, particular ou oferecida, para digerir o mundo. Paulo Gustavo morreu. Um veículo decide isso entre seus editores, mesclando interesse público e sensibilidade própria para decidir o que ganha espaço, qual o tamanho desse espaço e por quanto tempo esse espaço ficará disponível para tal ou qual assunto. Já no âmbito individual, e especificamente em 2021, há uma mistura dos interesses mais singulares, atravessados pelo pandemundo, e os algoritmos – já falei deles?

Paulo Gustavo morreu. Não é só. Porque mesmo entre interesses particulares e miradas editoriais, existem certos acontecimentos que se impõem – novamente um termo polivalente – individual e socialmente. Podem ser impostos por quem detém os meios de informação – “por que esse jornal não para de falar disso?” – ou por nosso olhar focado em determinados assuntos – “para onde eu olho é só isso, menino! – ou pelo significado maior com que acaba cobrindo toda uma população. Paulo Gustavo morreu.

Sim, Paulo Gustavo morreu. Ao mesmo tempo em que milhares precisaram de ar e não tiveram, uma escola em Santa Catarina era profanada pela morte de crianças e um ex-ministro da Saúde dava explicações para uma CPI sobre nosso gerenciamento personnalité do desastre sanitário. Com toda essa versão tropical, pós-moderna e sem carnaval das pragas do Egito, por que justamente a morte de Paulo Gustavo é que lateja tanto, interrompe noticiários, alimenta homenagens de Facebook e Instagram, fecha punhos em revolta e movimenta centenas de dedos em textos como este?

Sentimos todas as tragédias, é claro, seria absurdo ranqueá-las por proximidade, números ou qualquer outro critério – mas por que, repito, é a morte específica de Paulo Gustavo que deixa o café esfriar na xícara e nos faz sentir o mundo mais vazio? Até em casos como o meu, que mal conhecia seu trabalho, não assisti a nenhum de seus filmes e trabalhos para televisão.

Não é este texto que vai entregar a resposta. Quero dizer, não acredito que exista explicação única, mas sim interpretações. Algumas podem parecer curvilíneas demais, outras certeiras para a leitora ou o leitor deste texto. Alguns colegas de profissão captaram pontas desse novelo de sentimentos que a história de Paulo Gustavo cria no peito.

Em 4 de maio, Tony Goes destacava na Folha de S. Paulo o engasgo de uma trajetória estratosférica subitamente aniquilada. “A morte de Paulo Gustavo, aos 42 anos de idade, marca o fim precoce e repentino de uma carreira estelar, com poucos paralelos na indústria do entretenimento do nosso país. Em pouco mais de 15 anos, o ator saiu do anonimato para o posto de maior chamariz de público do cinema brasileiro.” É a vida que poderia ter sido e não será, em uma licença bandeiriana.

Já no El País, Joana Oliveira registrou em 6 de maio que a morte de Paulo Gustavo “catalisou a dor coletiva e o ódio pela perda de quase meio milhão de brasileiros. A avaliação mais frequente é que ao menos parte das mortes seria evitável caso o governo federal, sob comando de Jair Bolsonaro, tivesse adotado as medidas necessárias na gestão da pandemia, como a compra em massa de vacinas já no ano passado”. Paulo Gustavo como símbolo, como a expressão mais panoramicamente possível do crime e tragédia covidiana nacional.

Ainda no dia 6, Maurício Thuswohl noticiava na Carta Capital a iniciativa de moradores da cidade natal do ator. “Em Niterói (RJ), uma petição iniciada pelos moradores de Icaraí, bairro onde vive a família dele, pede que o nome Paulo Gustavo passe a batizar uma das principais vias da cidade: a Coronel Moreira César. A proposta, já encampada por vereadores e pela Prefeitura de Niterói, ganhou ares de protesto contra Jair Bolsonaro e sua postura frente à pandemia.”

Por fim, em 7 de maio Jana Sampaio e Raquel Carneiro resumiam na Veja o caráter ecumênico da tragédia pessoal de Paulo Gustavo. “Anestesiado por quase 420 mil mortes pela pandemia, o País via a doença, implacável, ganhar o rosto e o nome de Paulo Gustavo, inventor e encarnação de Dona Hermínia, a personagem levada do teatro para o cinema e que virou a mãe debochada de cada um. E, então, os brasileiros ficaram órfãos.”

Quando esse homem de 42 anos, que atingiu o estrelado vestido de mulher inspirado pela própria mãe, pai de dois filhos pequenos e com a coragem de ter outro homem como marido neste país insistentemente conservador, morre pelas complicações de uma doença cuja pandemia poderia ter seus impactos diminuídos com menos negacionismo e políticas públicas eficientes, temos um resumo, uma versão condensada de todos os nossos erros recentes como país. Por isso, sua morte é um símbolo, é um canal para expressar sentimentos de angústia e frustração, mas também de carinho e solidariedade.

Dona Hermínia, personagem interpretada por Paulo em Minha Mãe É Uma Peça – Foto: Divulgação

O professor Luciano Maluly, chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, analisa o significado dessa comoção: “Paulo Gustavo não era uma peça, mas sim a pessoa que buscamos nas notícias, ou seja, aquele que luta contra a morte da cultura”, disse o professor ao Jornal da USP. “Seu talento é indiscutível e seu legado de vida deve e precisa ser preservado. Ele foi pai, mãe, filho, ator, entre outros tantos papéis que exerceu como um ato de amor.”

Um homem morre e leva junto, também, a magia da arte. Especificamente essa que é tão difícil, a da comédia. É a alegria que se vê acuada por uma tropa de opressão, dor e confinamento. E, quando acontece, sentimos faltar o ar, o espaço e a esperança. Se é possível que o próprio riso – alívio mas também arma – tombe, o que nos resta, País que sem ilusões de heroísmo romântico elegeu como salvadores seus humoristas?

por Luiz Prado- Jornal da USP

Por Alexander Busch DW 

É fascinante como nas últimas semanas o empresariado brasileiro vem discutindo aspectos ambientais de maneira séria e intensa. A cúpula sobre o clima promovida pelos EUA na semana passada acelerou isso.

Nela, o presidente Bolsonaro quis se apresentar como um ambientalista convertido. Disse que o Brasil será climaticamente neutro já em 2050, que o desmatamento ilegal na Amazônia será zerado até 2030 e que imediatamente dobrará o orçamento para as autoridades ambientais. Mas a tal virada fracassou.

Era evidente que quem falava era o capitão da reserva e não um ambientalista. "Falta credibilidade à coisa toda", diz Fábio Alperowitch, chefe da Fama Investimentos, uma das pioneiras entre os fundos para investimentos sustentáveis ​​no Brasil. Ele diz que Bolsonaro aponta metas distantes, mas sem um plano de ação.

Leia também: 2020: o ano em que Bolsonaro escancarou seu projeto de governo

Solidão

Após cerca de dois anos e meio no cargo, Bolsonaro fica cada vez mais solitário no mundo. Depois que Donald Trump deixou o poder nos EUA, ele é o único chefe de governo de um grande país que não dá a mínima para as mudanças climáticas. Mas agora sobretudo o empresariado está incomodado com o papel de pária ambiental do Brasil.

Porque, além da falta de reformas e da fraca gestão da crise, que empurra a esperada recuperação econômica cada vez mais para 2022, existe agora a ameaça de pressão adicional do exterior por causa da desastrosa política ambiental. Isso é algo que já vem sendo sentido por fundos e investidores que dependem de empréstimos externos.

Com isso, o banqueiro Armínio Fraga teve que suspender a captação de um multibilionário fundo de private equity antes do esperado, devido à falta de investidores, principalmente do exterior. "O pessoal está meio em greve", lamenta o ex-presidente do Banco Central.

Aversão ao Brasil

Guilherme Leal, empresário e ex-candidato a vice-presidente do Partido Verde, também sente resistência do exterior. Os investidores não querem mais ir ao Brasil por causa da política ambiental. A controladora da rede de cosméticos Natura teme que a aversão dos consumidores ao redor do mundo aos produtos do Brasil saia do controle. "Parceiros comerciais estão com uma série de ruídos. E existe um risco disso chegar aos consumidores, e aí não tem quem controle", afirma.

Essa crítica cada vez maior ao Brasil acaba ofuscando outros aspectos. Por suas usinas hidrelétricas, biocombustíveis e fontes alternativas de energia como solar, biogás e eólica, o Brasil possui uma das produções de energia mais sustentáveis ​​entre os principais países do mundo.

O Brasil é criticado mundialmente exclusivamente por causa da destruição florestal e do governo que nada está fazendo para evitá-la. "O Brasil tem a matriz energética mais sustentável entre as principais economias do mundo. Poderíamos ser uma referência neste mundo da descarbonização", diz Markos Jank, um dos maiores especialistas em agroindústria do Brasil.

Papel do setor privado

Mas a falta de credibilidade é um obstáculo. Isso também se aplica a parte do próprio empresariado brasileiro. Jank defende, por exemplo, que o setor privado se torne mais ativo na proteção do meio ambiente, que sobretudo os agricultores façam mais para combater o desmatamento ilegal.

Para o investidor financeiro Alperowitch, o discurso nada convincente de Bolsonaro na cúpula do clima e as reações negativas a ele são um alerta para as empresas brasileiras listadas em bolsa de valores. "Greenwashing não ajuda nada, só prejudica!"

--

* Alexander Busch é há mais de 25 anos, é correspondente de América do Sul do grupo editorial alemão Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

Há sempre uma confusão quanto aos Florais e os Óleos Essenciais.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina Complementar (ABMC), a aromaterapia é um tratamento curativo que utiliza o olfato e as propriedades dos óleos essenciais.

Os óleos essenciais (e não essências, hein?!?) são produzidos a partir de determinadas substâncias retiradas de plantas, flores e raízes, e usados em tratamentos na aromaterapia, que é.

 A ação dos óleos no organismo é física, mental e vibracional.

É importante ressaltar que, os óleos essenciais tem poder curativo e não essências sintéticas vendidas em locais de artesanato, que dão aquele cheiro agradável às velas e aromatizantes, mas não tem propriedades medicinais.

Já os Florais são produzidos a partir da água energizada das flores. As flores são colhidas, dentro do seu tempo de colheita, colocadas em vasilhames com água mineral e ali, o orvalho produzido, passa para água mineral sua “impressão energética”, nascendo o floral.

Existe também o método de fervura, que em outro momento falaremos sobre este assunto.

 A ação dos florais em nosso organismo dá-se de início de forma vibracional gerando benefícios para o corpo e mente.

Faça sua escolha e experiencie esta oportunidade de autocuidado. Você é capaz de ter uma qualidade de vida muito melhor, escolhendo as Terapias Complementares, neste caso, dos Florais ou dos Óleos Essenciais.

Vale ressaltar que nenhuma terapia complementar substitui o tratamento médico. Sempre que fizer a escolha por uma Terapia Complementar, jamais pare seu tratamento ou remédio sem antes comunicar seu médico.

Vaneska Santos é Terapeuta Floral, Mestre em Reiki, Facilitadora de Barras de Access, Thetahealing, autodidata em Meditação e Ho’oponopono.

@vaneskataonline

[email protected]

Em artigo em O Popular, a jornalista Cileide Alves destacou que Aparecida de Goiânia, por ter feito 251.106 testes RT-PCR para covid-19, garantiu taxa mais baixa de letalidade em relação ao Estado e a Capital.

Na sua análise "A alta letalidade da Covid em Goiás", a jornalista Cileide Alves, que assina coluna em O Popular e também é comentarista na Rádio Sagres 730 AM,, comparou os modelos de combate e controle à pandemia de covid-19 nos municípios goianos e elogiou a experiência de Aparecida de Goiânia:

“Goiás fez poucos testes padrão ouro, o RT-PCR. De acordo com o painel Covid-19 da Secretaria de Estado de Saúde, o Estado realizou até esta sexta-feira 570.503 testes RT-PCR (270.399 positivos e 305.104 negativo. Com 500 mil habitantes, a vizinha Aparecida de Goiânia fez 257.106 RT-PCRs. Isso explica a baixa taxa de letalidade do município, 1,94%, bem inferior à média de Goiás (2,7%), assim como a de Goiânia (3,2%)”, pontuou.z

Cileide Alves também fez críticas à forma como o governador Ronaldo Caiado tem conduzido a política de saúde contra a pandemia:

“Goiás e Mato Grosso tem as mais altas taxas de letalidade da covid-19 na região Centro-Oeste, 2,7%, a mesma da média nacional. No Mato Grosso do Sul, a taxa é de 2,2% e no Distrito Federal, 2%. Empatados com Paraná e Maranhão, Goiás e Mato Grosso só perdem para Amazonas (3,4%), Pernambuco (3,4%), Rio de Janeiro (5,9%) e São Paulo (3,3%).

por Antônio Teodoro.

Segundo dados da pesquisa Educa Insights, em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior (Abmes), em novembro de 2020, a intenção de fazer uma graduação era de 33%; agora, é de 14%. No ensino a distância, o interesse caiu de 46% para 38%. Mas qual o impacto no mercado? Teremos um colapso de mão de obra qualificada, treinada e habilitada no futuro. 

A crescente taxa de desemprego acabou quebrando o orçamento de muitos profissionais, especialmente os mais jovens (ainda em fase de custeio de sua educação formal). Desta maneira, sem emprego, as pessoas optam pelo essencial. A espiral da pobreza se inicia. Para-se de estudar por falta de condições financeiras. A condição financeira não melhora por falta de qualificação.

Os jovens que chegarão à idade ativa, durante este e o próximo ano, enfrentarão um desafio adicional a ser vencido. O colapso no mercado de trabalho cobrará a conta daqui 3 ou 4 anos. Um curso superior não é feito por rompantes, e todos aqueles que já experimentaram a rotina por 4, 5 anos, sabem disso. Imprevistos ocorrem, e a rotina acaba por consumir o fio de expectativa que sobra. Sem dizer que, com os anos evoluindo, as responsabilidades financeiras e familiares só aumentam.

Para uma retomada do ciclo econômico, será fundamental manter jovens com capacidade de transformação, de inovar. As competências que hoje são exigidas aos entrantes no mercado de trabalho versus aquelas exigidas para as pessoas com experiência e idade ativa foram alteradas: a pandemia transformou as chamadas “soft skills”. As habilidades comportamentais estão agora no centro decisório das lideranças.

Os empresários terão que assumir o papel de inclusão social, preparando suas empresas a garantir emprego, renda, treinamento e desenvolvimento, por meio também da educação, indo além do pagamento de impostos para financiar o ensino. As empresas precisam abrir as portas aos jovens. Fazer parcerias técnico-educacionais capazes de transformar a mente e a percepção de mundo destes talentos. Desenvolver pessoas é um ato contínuo, lento, mas como tudo aquilo que requer cuidado, traz resultados infinitos. Educar é cultivar um propósito. É semear inovação para colher sustentabilidade.

A atitude deve começar agora. Mais do que ligarmos nosso alerta, é mandatório preparar nossas empresas para a transformação e prevenir o colapso de talentos. Não existe pílula de conhecimento instantâneo. A ciência econômica nos ensina que um de seus papéis é estudar a alocação eficiente de recursos escassos. Nada é mais escasso que um talento, uma mente que transforma as empresas, sua história, e claro, seus resultados.

Artigo escrito por Antônio Teodoro. Economista, MBA em Gestão Estratégica de Negócios; MBA em Gestão de Projetos. Diretor Administrativo e Recursos Humanos do Grupo Novo Mundo

Neste artigo, professor de Direito a importância para a democracia e o respeito às leis e ao devido processo legal, da votação do Supremo Tribunal Federal, que decretou por 7 votos a 2 a parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro.

Por Marcelo Aith*

As recentes decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o ex-presidente Lula reacenderam a discussão sobre a prevalência da impunidade na Suprema Corte do país. Muitos têm proferido desinformações sobre o conteúdo das referidas decisões. Sem a pretensão de esgotar o assunto, procurarei por jogar alguma luz sobre as definições da 2ª Turma e pelo Pleno do Supremo.

Ressalte-se, por oportuno, que as decisões exaradas pelo STF primaram pela integral preservação do devido processo legal. O devido processo legal é a alma do sistema processual brasileiro. E sem sua alma o processo morre! Isso mesmo morre!

Mas o que é o devido processo legal? É o estabelecimento de regras prévias, que, em síntese, determinam os limites de atuação do Ministério Público, sobre o direito ao exercício pleno pela defesa, bem como impõe ao juiz uma atuação imparcial. Atuação imparcial que se exige do julgador é aquela em que ele fica em uma posição equidistante das partes e preservando a isonomia entre os contendores. E foi exatamente isso que a Suprema Corte preservou nas decisões envolvendo o ex-presidente Lula.

As decisões do ministro Edson Fachin reconhecendo a incompetência da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba para julgar os processos envolvendo o ex-presidente Lula estão em harmonia com o disposto no artigo 70, do Código de Processo Penal.

Cumpre destacar que o próprio ex-juiz Sergio Moro, ao proferir sentença em uma das ações penais contra o ex-presidente Lula, reconheceu que a matéria trazida na denúncia do Ministério Publico Federal não estava relacionada com supostos favorecimentos em contratos entre o “cartel” de empreiteiras e a Petrobrás.

Dessa forma, diversamente do que muitos têm falado, a decisão foi absolutamente técnica. Além disso, não podemos perder de vista que os grandes culpados pelo retrocesso dos processos do ex-presidente Lula a estaca zero foram o ex-juiz Moro e os procuradores da Lava Jato, que na sanha condenatória contra o ex-presidente, passaram por cima de uma regra básica do devido processo legal: a competência para julgar, ferindo o caro princípio do juiz natural, criando um verdadeiro tribunal de exceção contra Lula.

Já no que concerne ao julgamento da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal que, por maioria de votos, reconheceu a parcialidade de Sergio Moro, o julgamento também foi totalmente técnico e buscou, novamente, preservar o devido processo legal.

No sistema acusatório, previsto na Constituição da República como garantia fundamental de qualquer cidadão, o julgador deve atuar com imparcialidade, ou seja, deixando de lado suas ideologias, crenças, etc., e se ater exclusivamente nas provas produzidas no processo. O juiz tem que se manter equidistante das partes justamente para não se contaminar por eles.

Imaginem a seguinte situação: em um jogo de futebol, envolvendo o seu time de coração, contra seu arquirrival, o árbitro da partida combina com o atacante do time adversário para ele se jogar na área que irá marcar pênalti. Você gostaria dessa situação? Você acharia justo? Você protestaria contra essa “roubalheira”? Vamos colocar mais um ingrediente nesse angu: imaginem que o outro time está jogando muito melhor que o seu e o arbitro decide ajudar marcando o pênalti narrado acima de forma fraudulenta, fora das regras do devido processo futebolístico. Você mesmo assim acharia injusto? Ou o que vale é ganhar dentro das regras estabelecidas para uma partida de futebol?

Foi exatamente isso que levou o Supremo Tribunal Federal a decidir pela suspeição de Sergio Moro. Para recordarmos um pouco das ações pouco republicanas de Moro, que contaminaram a regra do jogo, destaco trecho de mensagens trocadas pelo ex-juiz e os representantes da Força-Tarefa:

15:58:17 [Moro] Caro. A PF deve juntar relatório preliminar sobre os bens encontrados em depósito no Banco do Brasil. Creio que o melhor é levantar o sigilo dessa medida.

16:03:20 [Moro] Abri para manifestação de vcs mas permanece o sigilo. Algum problema?

17:20:53 [Deltan] Temos receio da nomeação de Lula sair na segunda e não podermos mais levantar o sigilo. Como a diligência está executada, pense só relatório e já há relatório preliminar, seria conveniente sair a decisão hoje, ainda que a secretaria operacionalize na segunda. Se levantar hoje, avise por favor porque entendemos que seria o caso de dar publicidade logo nesse caso.

17:25:28 [Moro] Bem já despachei para levantar. Mas não vou liberar chave por aqui para não me expor. Fica a responsabilidade de vcs.

17:26:19 [Moro] Meu receio sao novas polemicas agora e que isto tb reverta negativamente. Mas pode ser que não.

17:51:33 Deltan: vamos dar segunda, embora fosse necessária a decisão hoje para caso saia nomeação (eDOC 178)."

Sergio Moro nada mais disse do que: “Deltan cai na área que eu dou o pênalti”. Isso é justo? Houve respeito as regras do jogo no comportamento promiscuo entre Sergio Moro e a turma da Lava Jato?

Não podemos olvidar que somente haverá Justiça com a preservação do devido processo legal. Situações de aproximação indevida e consequente injustiça e desrespeito ao devido processo legal tem ocorrido às escâncaras no Brasil a fora. Hoje, você pode pensar que os fins justificam os meios, pois há indícios de corrupção envolvendo o ex-Presidente. Mas o injustiçado um dia pode ser você! Pensem nisso.

*Marcelo Aith é advogado especialista em Direito Público e professor convidado da Escola Paulista de Direito (EPD)

O fracasso da Superliga foi apenas o episódio mais recente da guerra para acabar com as raízes dos clubes

Por Miguel Stédile, do Brasil de Fato

Terça (20/4): torcedores do Chelsea recebem o time em protesto contra a Superliga; horas depois, o time anuncia a saída do projeto - Adrian DENNIS / AFP

Durou menos de três dias a tentativa de doze gigantescos clubes da Espanha, Itália e Inglaterra pretendem criar uma liga com um supercampeonato próprio, concorrente da não menos milionária Champions League. A implosão definitiva se deu após a saída de seis clubes ingleses pressionados pela opinião pública, torcedores, técnicos e jogadores.

Ironicamente, a Inglaterra é a precursora da financeirização do futebol que abriu caminho para a proposta da Superliga. O mais popular dos campeonatos em termos midiáticos, a Premier League foi fundada em 1992 quando os clubes romperam com a centenária Football League por fatias maiores dos direitos televisivos.

E, com um atributo difícil de ser medido – quanto vale um gol de Messi? - o futebol se tornou um destino cômodo para a lavagem de dinheiro e para especulação. Desde os anos 1990, com a conversão de diversos times em clubes-empresas, a financeirização do esporte avançou a passos largos. Dos doze clubes proponentes da nova liga, apenas Barcelona e Real Madri pertencem aos sócios, os outros dez clubes são propriedades de milionários russos, chineses e americanos ou de fundos de investimentos. Na segunda-feira (19), após o anúncio da Liga, as ações da Juventus e do Manchester United dispararam na bolsa de valores.

Tanto que o negócio não se limita aos supertimes. O Leicester, que até 2012 disputava a segunda divisão inglesa, é propriedade de um milionário tailandês. Fundos norte-americanos são donos de 12 clubes europeus. E em 2019, 45 clubes europeus tiveram suas propriedades negociadas e no ano passado, outros 20 foram negociados.

Por isso, nenhuma supresa que por trás da Superliga fracassada não estava apenas o Real Madrid, mas o banco JP Morgan Chase, que confirmou ao The Guardian que investiria US4,5 bilhões para criar a nova liga. É provável, pelo sigilo envolvendo os detalhes da operação, de que o JP Morgan Chase seja a face visível de outros investidores e há especulações de que o projeto da Superliga envolveria a Amazon, cuja intenção é levar as transmissões esportivas ao vivo para o seu serviço de streaming, vinculando os clubes e os esportes com as vendas de produtos no seu site. A aproximação com o Flamengo no Brasil se dá neste contexto. E, ao mesmo tempo, a multibilionária empresa disputaria o segmento com outro conglomerado, a Disney, proprietária dos canais Fox Sports e ESPN.

Tampouco a maior adversária à criação da nova superliga, a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), pode ser considerada uma opositora ao modelo. Desde que o brasileiro João Havelange assumiu a presidência da entidade máxima do futebol, a FIFA, a mercantilização do esporte foi elevada a níveis globais, e, principalmente, um “modelo de negócios” foi criado: os direitos de transmissão dos eventos eram administrados por empresas que envolviam os dirigentes e fabricantes de materiais esportivos. A venda destes direitos passava pelo suborno ou divisão de lucros com os dirigentes da FIFA que aprovariam a concessão, mas também a escolha de países-sedes dos campeonatos, onde dirigentes locais também participavam do esquema.

Tudo isso envolvendo sonegação de impostos e paraísos fiscais. O funcionamento do esquema está largamente documentado no processo da Justiça americana que prendeu diversos dirigentes, entre eles, o ex-presidente da CBF José Maria Marin por fraude bancária, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Mas, a CBF não era a única associada a reproduzir o “padrão FIFA”. O ex-jogador e ex-presidente da UEFA Michel Platini foi preso por corrupção na investigação sobre a escolha do Qatar para sediar a próxima Copa do Mundo.

Por isso, a verdadeira oposição à Liga veio dos torcedores. Historicamente, os clubes de futebol foram criados a partir de identidades territoriais, um bairro ou uma cidade, uma classe ou etnia. E em alguns casos, com todas elas combinadas. O futebol de Wall Street e da City londrina precisam que seus clubes percam estas identidades bem demarcadas para que sejam globalmente consumidas. O sonho dos clubes europeus é um modelo semelhante à NBA e a NFL, as organizadoras do basquete e do futebol americano respectivamente, onde os clubes seriam marcas de consumo globais.

Ao invés dos operários de Manchester, é preciso que sua identidade seja genérica o suficiente para ser adotada e consumida por um jovem brasileiro ou chinês, que não conhece o clube pelos estádios do seu bairro ou da sua cidade, mas pelos videogames ou pelas transmissões de TV. Um torcedor que talvez nunca veja a sua equipe ao vivo. É reinventar o futebol descartando o que lhe define, os laços de identidade socialmente construídos, substituindo por preferências de consumo. É esta contradição que Wall Street não consegue resolver e por isso que há anos os verdadeiros torcedores de Arsenal, Manchester United e Liverpool travam batalhas constantes e protestam contra os respectivos milionários que compraram seus clubes. O fracasso da Superliga foi apenas o episódio mais recente.

Wall Street gostaria de repetir nos campos o movimento do capital financeiro, cada vez mais fictício e descolado de uma base material. Livre para especular. O problema é que o futebol é humano, demasiadamente humano, para aceitar.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

“Chegou a hora de remover do posto o carcereiro inominável que nos transformou a todos em prisioneiros, potencialmente condenados à morte, seja de fome ou de asfixia”, diz um dos maiores cientistas brasileiros

Por Miguel Nicolelis

Como um gigantesco navio sem capitão, singrando desgovernado por um oceano viral que rotineira e impiedosamente ceifa, num intervalo de 24 horas, perto de 4 mil vidas brasileiras — número equivalente ao total acumulado de mortes reportadas pela China em toda a pandemia —, a combalida nau chamada Brasil sofreu nos últimos dias mais uma série de golpes devastadores. Como se não bastasse ter de combater uma pandemia fora de controle, em meio a um colapso sem precedentes de todo seu sistema hospitalar e, no processo, ter se tornado um verdadeiro pária internacional, o Brasil assistiu atônito à escalada vertiginosa do pandemônio político que o assola. Rotulado de forma quase unânime pela imprensa internacional como inimigo público número 1 do combate à pandemia de Covid-19 em todo o mundo, o atual ocupante do Palácio do Planalto deu claras demonstrações públicas e notórias de estar perdendo qualquer tipo de controle — se algum dia o teve — do caos semeado por ele mesmo desde a ascensão ao maior cargo da República.

Acuado pela decisão do STF de obrigar o presidente do Senado Federal a instalar uma CPI para investigar a conduta do governo federal no combate ao coronavírus, isolado e demonizado pela comunidade internacional, e tendo sua tentativa de interferência nas Forças Armadas repudiada simultaneamente pelos comandantes das três Armas, o presidente da República parece ter achado um novo moinho de vento para chamar de seu inimigo preferido: os cientistas. Numa declaração proferida aos berros numa de suas aparições públicas em Brasília, o gestor e principal responsável pela maior catástrofe humanitária da história da República brasileira vociferou contra toda a comunidade científica brasileira (e mundial, presume-se) nos seguintes termos: “Cientistas canalhas, se não têm nenhum remédio para indicar, cale a boca e deixe (sic) o médico trabalhar”.

Ao indivíduo que transformou imagens de infindáveis fileiras de covas rasas, sendo abertas às pressas por todo o país, no mais visualizado “cartão-postal” do Brasil atual em todo o mundo, ao mandatário que selou o destino de centenas de milhares de brasileiros cujas mortes poderiam ter sido evitadas, levando o Brasil ao ponto em que as mortes em um mês podem superar os nascimentos pela primeira vez, ao gestor que impediu a compra de dezenas de milhões de vacinas quando elas ainda estavam disponíveis no mercado internacional, ao propagandista que estimulou a população a usar medicamentos sem nenhuma eficácia comprovada contra o coronavírus, ao presidente que nunca ofereceu uma palavra de consolo ou solidariedade a uma nação ferida e golpeada mortalmente como nunca antes na sua história, e que negou qualquer ajuda digna a milhões de brasileiros que diariamente convivem com a perda irreparável de seus entes amados, enquanto tendo de tomar a monstruosa decisão entre morrer de fome ou de Covid-19, a Ciência e os cientistas brasileiros só têm uma reposta a oferecer: Basta!

No momento em que todos nós, brasileiros, testemunhamos a manifestação de uma bifurcação trágica e decisiva, é preciso dar um “Basta!” definitivo, decisivo e inequívoco aos inúmeros crimes perpetrados contra os brasileiros de hoje e os que ainda hão de nascer, antes que seja tarde demais. Tarde demais para salvar centenas de milhares de vidas que ainda podem ser salvas; tarde demais para salvar o que resta das instituições e da democracia brasileira; tarde demais para evitar que o país cruze o limiar de um ponto de onde serão precisos anos ou décadas para que dele se possa retornar.

Em nome dos 362.180 brasileiros que pagaram com a própria vida pelo maior ato de incompetência e inépcia da nossa história, em nome de todas as famílias das vítimas desta que já é a maior tragédia nacional, em nome da preservação do Brasil como nação e, finalmente, em nome da garantia de um futuro digno para futuras gerações de brasileiros, chegou a hora de remover do posto o carcereiro inominável que nos transformou a todos em prisioneiros, potencialmente condenados à morte, seja de fome ou de asfixia; isolados de todo o mundo e vivendo diariamente à mercê dos delírios e desmandos de alguém que, por atos e palavras, renunciou voluntariamente a suas responsabilidades constitucionais de proteger, a qualquer custo, o povo brasileiro de uma guerra de extermínio contra um inimigo letal.

Miguel Nicolelis é um dos nomes com maior destaque na ciência brasileira nas últimas décadas devido ao trabalho no campo da neurologia, com pesquisas sobre a recuperação de movimentos em pacientes com deficiências motoras

Terapeuta Floral, Vaneska Santos fala sobre a terapia que tem facilitado o controle da ansiedade e fobias em milhares de pessoas no mundo.

(mais…)

DENÚNCIA DE IRREGULARIDADES?

envie um email para

[email protected]

2005 - 2021
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram