Catadores se reúnem com Rollemberg para garantir direitos

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Trezentos profissionais que atuam no Lixão da Estrutural encontram-se com o governador Rodrigo Rollemberg para saber onde vão garantir o sustento com a construção do Aterro de Samambaia.

Receosos com a desativação do Lixão da Estrutural, prevista para o segundo semestre deste ano, ontem, 300 catadores comparecem ao Palácio do Buriti para cobrar uma posição do Executivo. O projeto original estabelece que os cerca de 2,7 mil trabalhadores sejam direcionados para centros de triagem. Porém, dos sete previstos, nenhum está pronto. “Nosso medo é não ter como trabalhar e sobreviver. São muitas famílias que vivem do lixo”, comentou uma das presentes, que preferiu não se identificar. A presença de crianças no Lixão da Estrutural — apontada pelo Correio na edição da última quinta-feira — também foi abordada.
O Executivo garante trabalhar para que garotos e garotas não entrem no espaço, mas admite a dificuldade. Nos próximos dias, os diferentes órgãos que compõem o grupo de transição para o Aterro Sanitário de Samambaia vão se reunir a fim de executar um plano emergencial para evitar a situação.
“O governo, sistematicamente, controla a entrada no espaço, com relatório diários. Não conseguimos cumprir todo o ciclo para evitar qualquer hipótese de crianças trabalhando por lá. Por isso, faremos uma reunião emergencial para montar um plano de monitoramento”, detalhou o governador, Rodrigo Rollemberg (PSB).
A diretora da SLU, Kátia Campos, disse que o esforço é diário para evitar a presença de crianças no local. “Procuramos, quando possível, identificar os pais delas. Alguns levam os pequenos com a justificativa de não ficarem sozinhos nas ruas.” Campos explica que boa parte de garotos e garotas rompem as cercas ao redor do espaço para entrar. “São 200 hectares. Mesmo assim, mantemos uma equipe que faz a reparação diariamente”, justificou.
O Correio denuncia, desde a semana passada, o trabalho infantil no Lixão da Estrutural. Constantemente, são flagradas crianças, entre 10 e 14 anos, disputando o espaço com adultos.
Amparo
Outra preocupação dos catadores é com o futuro deles. Com obras em fase de finalização, a previsão do GDF é que o novo aterro sanitário, em Samambaia, comece a operar em julho. Não será permitida a entrada de catadores de lixo no local. Eles, então, serão direcionados para os centros de triagem — três operados pela Secretaria de Meio Ambiente e quatro pelo Sistema de Limpeza Urbana (SLU). O detalhe revelado pelo Executivo é que as obras estão em fase de licitação e devem começar somente em agosto. A previsão é que os primeiros sejam concluídos em julho de 2017. Moisés Pereira dos Santos, 34 anos, está com medo. “O meu questionamento é o mesmo de tantos outros que tiram o sustento do Lixão da Estrutural. Para onde vamos? Até então, não sabemos, e temos medo do que pode ocorrer conosco”, expôs.
CorreioBraziliense