Casos de covid aumentam, mas vacinação reduz procura por leitos e UTI

Especialistas insistem na continuidade do uso de máscara em ambientes com aglomeração de pessoas

Da Redação
18/06/2022 - 20:01
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Casos de covid aumentam, mas vacinação reduz procura por leitos e UTI

O Panorama Covid-19, divulgado  pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) do Rio de Janeiro, mostra cenário com tendência de crescimento dos indicadores precoces da covid-19, mas com busca de leitos ainda em patamares baixos.

A análise feita no Rio de Janeiro se reflete em grande parte do país (MS, DF, GO, AM, SP, ES, RS, MT, BA, PE). Existe o alerta dos governos para que as pessoas evitem se expor ao vírus, mas, principalmente, completar seu esquema vacinal.

A ocupação de leitos de UTI Covid continua baixa, apesar do alto contágio. Foto no Hospital Municipal Getúlio Vargas (HMGV), localizado em Sapucaia do Sul (RS), por Jocélia Bortoli

Oscilando para cima

A maioria dos especialistas continua defendendo que o cenário é de “oscilação para cima” nos índices, mas que o risco de agravamento da pandemia é baixo, com o sistema hospitalar sob controle. A orientação de voltar a usar máscaras em ambientes fechados ou com aglomerações é a mais repetida pelos epidemiologistas, mesmo que os governos não obriguem. Há também a preocupação com a dificuldade de continuar avançando na vacinação, embora a alta taxa de pessoas imunizadas seja um trunfo do Brasil contra a doença.

Brasil está entre os países com mais de cem milhões de habitantes que mais vacinou sua população
Brasil está entre os países que mais vacinaram no mundo, mas apresenta certa estagnação que pode afetar os índices se não continuar vacinando.

“Reforçamos o alerta para que as pessoas que ainda não completaram o esquema vacinal primário (primeira e segunda doses) e aquelas que já estão em tempo de tomar as doses de reforço que procurem um posto de saúde o quanto antes para receber a imunização. As vacinas são seguras e são a forma mais eficaz que temos para evitar casos graves e óbitos pela covid-19”, afirmou o secretário de Estado de Saúde do RJ, Alexandre Chieppe, em entrevista coletiva de ontem (17).

As solicitações de leitos para covid-19 apresentaram discreto aumento em relação à semana anterior, com média diária de 13 para UTI e de 14 para enfermaria.  Na semana de 29 de maio a 5 de junho, foram  13 solicitações para UTI e 12 para enfermaria. Com a dificuldade de captar o aumento do contágios, devido ao auto-teste comprado em farmácia, os dados de ocupação de leitos são o melhor indicador da evolução da pandemia, atualmente.

A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) registrou um aumento de 219% no número total de casos positivos de Covid-19 após testagens em farmácia entre a 1ª semana de maio e a 2ª semana de junho. Avalia-se que haja uma subnotificação de casos pelo governo, que evita incluir os números de auto-teste na conta oficial. Por isso, é tão importante acompanhar a ocupação de leitos nos hospitais.

 

“Está muito evidente a necessidade de a população manter o autocuidado. Além disso, precisamos ter mais celeridade no cronograma das doses de reforço para evitar que o vírus se replique”, declarou o CEO da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, em um comunicado. É mais uma voz reforçando o coro dos que defendem a continuidade do uso de máscaras e o avanço da vacinação.

O epidemiologista Jesem Orellana, da FioCruz Amazônia, falou em entrevista sobre o cenário do Amazonas, que é apresentado pelo governo como de baixo risco para covid. Como outros especialistas, ele diz que não dá para ignorar a subnotificação com a queda de testagem no sistema de saúde. “As novas variantes permitem reinfecção em intervalos até mais curtos que antes, o que demonstra a capacidade das variantes se adaptarem”.

Ele também critica o incentivo do governo do Amazonas à realização de grandes festas juninas e o Festival de Parintins, sem uso de máscaras, num momento de avanço de contágios.

“O presidente Jair Bolsonaro veio justamente ao Amazonas, um estado que sofre muito com a pandemia, e promove aglomerações em motociatas, numa irresponsabilidade com a saúde pública”, criticou, alertando para o risco das aglomeraç˜ões favorecerem o surgimento de novas variantes ainda mais contagiosas.

Por mais que o cenário favoreça as doenças respiratórias e a proliferação de variantes mais contagiosas, a vacinação tem contribuído para evitar o agravamento da doença e a lotação de hospitais. No entanto, é preciso compreender que quase 150 pessoas estão morrendo de covid-19 todos os dias, pelo país. São pessoas que não se vacinaram adequadamente, em sua maioria, ou perfis mais vulneráveis ao agravamento da doença, como idosos e pessoas com comorbidades (doenças que favorecem o agravamento da infecção).

Jesem defende algumas medidas neste momento, que os governos estaduais e federal deveriam estar implementando. Na opinião dele, deveriam aumentar a testagem, promover a vacinação e buscar na legislação medidas de penalização de pessoas que insistem em não se vacinar, além de campanhas para popularizar o uso de máscaras. “Você anda pelo interior do Amazonas e não encontra mais álcool gel ou uso de máscaras, o que torna o Amazonas um centro de disseminação de novas variantes virais”, observou.

O Brasil registrou nesta sexta-feira (17) 76 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 668.968 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias é de 137. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de 58%, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença pelo oitavo dia seguido.

No total, o país registrou 31.671.199 novos diagnósticos de Covid-19 em 24 horas, completando 30.424 casos conhecidos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de casos nos últimos 7 dias foi de 36.447, variação de 22% em relação a duas semanas atrás.

Com informações do Portal Vermelho