Casa Branca se mantém na defensiva sobre escândalo de espionagem

barackA Casa Branca foi forçada a defender seu relacionamento cada vez mais pesado com Berlim nesta segunda-feira, enquanto a CIA mantinha o silêncio sobre as novas denúncias ligando ela aos escândalos de espionagem envolvendo um oficial de inteligência alemão.
 
A Reuters citou dois oficiais americanos, que falaram na condição de anonimato, e contaram à agência de notícias que a CIA estava envolvida no recrutamento do oficial, um funcionário de 31 anos da Agência de Inteligência Alemã (BND).
 
O oficial foi preso quarta-feira passada sob suspeita de ter vendido documentos secretos a um contato na CIA.
 
A controvérsia tem ameaçado gerar um longo desconforto diplomático entre os dois aliados, pouco tempo depois que a chanceler Angela Merkel revelou que a NSA havia monitorado seu celular, o que causou revolta na Alemanha e também no Capitólio, que solicitou ao presidente Barack Obama que ordenasse o fim da espionagem sobre líderes de nações aliadas.
 
Mas uma longa relutância para discutir assuntos de inteligência em público deixou a administração hesitante quanto a alguma resposta.
 
O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, declarou que não poderia comentar sobre a prisão de um suspeito de espionagem porque ele não gostaria de interferir em uma “investigação alemã ainda pendente” e porque “isto é um assunto de inteligência que se relaciona diretamente com os EUA.”
 
Mas Earnest parecia admitir que a suspeita por si só já pode ter causado dano na relação dos EUA com Berlim e tentou tranquilizar seu aliado sobre o longo relacionamento entre os dois países.
 
“O relacionamento que os EUA têm com a Alemanha é incrivelmente importante,” declarou Earnest, insistindo que esta era uma parceria “construída baseada no respeito” e “décadas de cooperação e valores compartilhados”.
 
“Todas estas coisas são altas prioridades não somente desta administração mas deste país, então vamos trabalhar com os alemães para resolver esta situação apropriadamente,” declarou durante o briefing diário com os jornalistas na Casa Branca.
 
Foi relatado que a Alemanha estaria considerando aumentar seus esforços de contra-espionagem por causa deste caso com os EUA. As medidas consideradas em resposta ao escândalo incluem monitorar as atividades de inteligência dos aliados da OTAN tais como os EUA, a Inglaterra e a França, assim como expulsar agentes americanos da Alemanha.
 
De acordo com uma reportagem do Bild, o ministro do interior, Thomas de Maizière, enfatizou a necessidade urgente de uma visão de “360 graus” das atividades das agências secretas estrangeiras. O jornal declarou ter obtido um documento interno que descreve “medidas concretas”, se afastando da política de não espionar aliados da OTAN.
 
Questionado sobre a nova política, um porta-voz do ministério do interior alemão não negou as reportagens e disse que “um plano de inteligência eficiente e efetivo contra todos os lados é importante, necessário, e tem de ser melhor organizado do que foi até agora.”
 
Um funcionário da BND que trabalha com suporte técnico em uma unidade que lida principalmente com a proteção de soldados alemães no estrangeiro, é suspeito de ter estabelecido contato com o serviço secreto americano ao contatar a embaixada dos EUA. Ao invés de relatar o contato a seus aliados alemães, suspeita-se que a CIA pagou 25.000 euros por 218 documentos classificados como confidenciais ou ultra-secretos.
 
Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, funcionários do governo se recusaram comentar sobre o assunto, mas um número maior de políticos e funcionários de alto escalão expressaram seu desagrado, como um dos membros do partido de Merkel, que sugeriu que os agentes norte-americanos deveriam ser expulsos da Alemanha.
 
“Se for comprovado que o empregado da BND foi de fato instruído por agentes americanos em solo alemão, então seria incompreensível que deixassem que os funcionários dos EUA continuassem a causar danos por aqui” Foi o que Karl-Georg Wellmann do CDU declarou ao Spiegel Online.
 
O presidente alemão, Joachim Gauck, declarou que, se as suspeitas se tornarem verdades, isso equivaleria a “jogar com amizades e alianças próximas”.
 
“Então será necessário dizer basta,” completou.
 
Merkel foi mais cautelosa em sua reação, declarando a uma conferência de imprensa durante sua última viagem à China que “se os relatórios estiverem corretos, então será um caso grave.”
 
Em Washington, o desconforto do governo era evidente. Earnest teve até de esclarecer que seus comentários sobre o assunto não deveriam ser entendidos como uma denúncia do envolvimento dos EUA no caso. Inicialmente questionado se Merkel estava certa de se precaver pois, se as suspeitas forem provadas, isso seria uma “clara quebra de confiança entre aliados”, Earnest respondeu: “isto é obviamente um grande ‘Se’.”
 
Mas quando perguntado se isto era efetivamente uma negação do ocorrido, o portavoz foi forçado a recuar e deixar claro que a Casa Branca não estava dizendo nada para se defender das acusações ainda.
 
“Não foi nada disso,” esclareceu Earnest. “Foi apenas uma observação sobre uma questão que foi baseada inteiramente em uma hipótese.”
 
A CIA se recusou a fazer qualquer comentário sobre seu suposto envolvimento nos últimos acontecimentos. Um portavoz, Ryan Trapani, nem mesmo discutiria que agência o diretor John Brennan tinha, como relatou a Reuters, requisitado que desse informações ao Congresso sobre o assunto.
 
Notavelmente, Trapani não negou uma participação da CIA.
 
As fontes do Capitólio desconheciam na segunda-feira qualquer informação que Brennan tivesse oferecido aos legisladores — informações testas que são um método frequentemente usado para neutralizar tensão ou descontentamento entre os congressistas quando se deparam com escândalos em expansão, particularmente sobre agências de espionagem.
 
Qualquer briefing como este viria em um tempo delicado para Brennan. O diretor não tem mais do que ligações rompidas com o comitê de inteligência do Senado e pouco mais de um ano de mandato, graças a sua aspereza em relação a um inquérito do congresso sobre o aparato de tortura da CIA pós-11 de setembro. A administração Obama já espera a desclassificação das informações do inquérito que durou um ano, seguindo um processo de censura imposto pela própria CIA.
 
Outra dificuldade para Brennan com o Congresso é a oposição que a chefe do inquérito, a senadora democrata Dianne Feinstein, manifestou sobre a espionagem da Alemanha. Ano passado, Feinstein vociferou contra o monitoramento de Merkel pela NSA, mesmo tendo apoiado quase todas as outras operações da NSA, incluindo as operações domésticas.

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