Carnavália e Sambacon reúnem instituições para debater o carnaval

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carnavalComeçaram ontem (31) no Rio de Janeiro a primeira feira exclusiva sobre o carnaval (Carnavália) e o 1º Encontro Nacional do Samba (Sambacon). Para se ter uma ideia do impacto do carnaval no turismo e na economia, este ano, a folia movimentou 6,6 milhões de turistas brasileiros e estrangeiros, com faturamento de R$ 6,1 bilhões apenas nos dias oficiais dos festejos, o que significa 6% do faturamento anual do setor turístico.

Para o diretor de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, José Francisco Salles Lopes, os números mostram a importância da realização dos eventos ligados ao carnaval, que, segundo ele, dão uma noção do que a festa representa para a economia, além de difundir a imagem do país. “Já compreenderam que o carnaval vende produto. Há o que se oferecer para quem faz carnaval. E isso significa um faturamento muito grande, porque ninguém faz um evento dessa natureza e com um porte desses para não faturar muito”, avaliou.

Como o turismo responde por 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), Lopes calcula que os dias do carnaval têm um impacto de cerca de 0,2% no PIB. “É algo que eu considero bastante expressivo. O carnaval é por si só um segmento econômico importante”.

Segundo o diretor do ministério, a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados vai fazer um levantamento sobre a economia do carnaval como um todo, considerando não só a geração de empregos, mas também o impacto econômico anual da festa.

O tratamento do carnaval como uma política pública, ou a construção de um plano nacional, são objetivos da feira Carnavália e do Sambacon. Os dois eventos reunirão carnavalescos, artesãos, profissionais do setor e representantes de órgãos públicos envolvidos na organização e viabilização da Festa de Momo.

“A ideia é provocar uma reflexão, uma discussão sobre o fazer carnaval de todas as maneiras, pensando em uma feira onde você pode aproximar os expositores, quer sejam prestadores de serviços ou vendedores do carnaval. Também será um momento de pensar em uma política pública e em como a gente pode, cada vez mais, aperfeiçoar o carnaval brasileiro”, disse àAgência Brasil um dos organizadores do evento, Moacyr Barreto.

A Carnavália-Sambacon tem apoio da prefeitura carioca, por meio da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur). Autoridades dos governos federal, estadual e municipal participarão de debates sobre os impactos do carnaval na economia e no turismo; a cadeia produtiva do carnaval; incentivos para o carnaval, por meio de políticas públicas; patrocínio, divulgação, comercialização e marketing; modelos de gestão dos carnavais do Brasil; projetos de cidadania no carnaval; mão de obra, formalização e informalidade, entre outros.

Barreto destacou que os eventos pretendem aproximar quem está de fato envolvido com a realização do carnaval, “desde aquela pessoa que tem um bloco ou uma ala em uma escola de samba, até aqueles que estão hoje na estrutura de poder com a capacidade de decisão”. Outro objetivo é levantar estatísticas da festa popular.

A cadeia produtiva do carnaval está em movimento ascendente, o que significa aumento dos recursos arrecadados com impostos pelos municípios com a festa, segundo Barreto. Ele lembrou que somente o Rio de Janeiro tem 12 escolas de samba no grupo especial da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa); 15 escolas da série A, na Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj); mais de 50 escolas nos grupos de Acesso B, C, D e E, que desfilam na Estrada Intendente Magalhães; 18 escolas de samba mirins; além de uma grande quantidade de blocos.

“E a gente precisa se conhecer mais. E estou falando de um município, o Rio de Janeiro, que tem o carnaval mais tradicional, o carnaval talvez mais avançado. Mas os outros (municípios) também têm”, observou. Barreto também destacou que muitas cidades fazem festas de carnaval fora de época.

Segundo Barreto, o carnaval costuma atrair para o Rio cerca de um milhão de pessoas em uma semana, mais que os 700 mil turistas que passaram pela cidade durante a Copa do Mundo, que durou um mês. “Ou seja, é mais do que uma Copa do Mundo anual”, comparou.

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, disse que os eventos permitirão o intercâmbio de ideias entre todas as instituições ligadas ao carnaval, “seja o carnaval de rua ou de escolas de samba do Brasil inteiro”.  A Carnavália e o Sambacon vão até o próximo sábado (2).,

ABr