Cachê de 850 mil de Leonardo não inclui gastos com palco

Sim, todos os goianos já sabem que o governador Marconi Perillo (PSDB) contratou para o réveillon de quinta-feira, 31 de dezembro, o show Cabaré, dos cantores Leonardo e Eduardo Costa, por R$ 850 mil, pagos exclusivamente com dinheiro público. O que poucos, no entanto, sabem é que nos R$ 850 mil não estão inclusos gastos com aluguel e montagem de palco e equipamentos. Ou seja, o gasto total com o show Cabaré pode superar R$ 1 milhão. Só no atual mês de dezembro, de acordo com o Diário Oficial, foram gastos mais de R$ 3 milhões em todo o Estado com shows.

Em Goiás, o líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado José Nelto, entrou com representação no Ministério Público Estadual pedindo investigação sobre os valores do contrato entre o governo goiano e a empresa Talismã, de propriedade do cantor Leonardo. Segundo o parlamentar, são fortes os indícios de que os valores pagos pelo show estão superfaturados.

De acordo com portais especializados, os shows mais requisitados e caros do País na atualidade são dos cantores Wesley Safadão, Ivete Sangalo e da dupla sertaneja Jorge e Mateus. O cachê deles varia entre R$ 400 e R$ 500 mil reais. O espetáculo Cabaré, de Leonardo e Eduardo Costa, não figura nem entre os dez mais caros – a lista do top 10 termina na faixa dos R$ 150 mil.

Como há uma corrida por eventos no réveillon, os cachês aumentam. Ainda assim, não há nenhum parâmetro para os valores pagos pelo governo de Goiás. Individualmente, a contratação de Leonardo não ultrapassa R$ 100 mil. Em dupla com Eduardo Costa e em data especial, acredita-se que o evento possa valer R$ 200 mil a R$ 250 mil. Ou seja, até quatro vezes menos do que o valor do contrato.

A decisão de José Nelto de cobrar investigação ocorre em meio a condenação do cantor Zeca Pagodinho, no Distrito Federal. Contratado em 2008 para dois shows no DF, o pagodeiro foi condenado por cobrar valores acima dos praticados por ele em outros eventos. Zeca Pagodinho foi condenado a três anos de prisão e teve a pena revertida em multa e serviços sociais.

A vereadora carioca Teresa Bergher (PSDB) criticou lá, no Rio, um gasto alto – mas ainda assim menor do que o goiano – com o réveillon de Copacabana. “É um escândalo pagar cachês tão altos num momento de crise. A Riotur não é casa da mãe Joana, nem dinheiro público está num cofrinho para se gastar como se bem entende.”

Goiânia não é roteiro turístico, o réveillon aqui não gera arrecadação, e o Estado atravessa uma situação financeira caótica, com dificuldades para honrar compromissos básicos como folha de pagamento. Basta lembrar que mais de 30 mil servidores ainda não receberam nem o 13º salário a que tem direito. Mesmo assim, Marconi Perillo continua torrando dinheiro público como bem entende.

GoiasReal

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