Brasileiros contestam público da Copa e dizem sentir falta da torcida de clubes

selecaoPor se tratar de um evento de grande porte, é natural que a Copa do Mundo reúna nos estádios pessoas que não costumam frequentá-lo em condições normais, motivadas apenas pelo espetáculo em si. Alguns torcedores que têm esse hábito viram isso de perto e acabaram percebendo uma mudança na atmosfera destes lugares, principalmente em jogos da seleção brasileira. Por isso, acabam se decepcionando.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a engenheira elétrica Mariana Negrão, de 26 anos. Torcedora do São Paulo, ela foi ao Mané Garrincha, em Brasília, assistir à partida do Brasil contra o México, na última rodada da fase de grupos, esperando o mesmo tipo de emoção que vivencia nos jogos do clube de coração. Apesar da goleada por 4 a 1 dos comandados de Luiz Felipe Scolari, não gostou da experiência.

“Saí desapontada com o clima no jogo”, contou ao iG Esporte. “A sensação era a de estar em um teatro ou em um show de jazz, apenas assistindo e não participando do jogo. Os cantos param no meio. Ao ficar em pé, você é imediatamente acuado pelos gritos de ‘senta’. Nem quando os jogadores fazem sinal o povo se levanta. A única coisa que faz a torcida levantar e gritar são as câmeras que passam pelo estádio.”

O jornalista Pedro Luis Cuenca, de 22 anos e também-são paulino, também ficou com o sentimento de decepção após acompanhar de perto um jogo do Brasil nesta Copa. Ele marcou presença na partida de abertura, na Arena Corinthians, contra a Croácia.

“As pessoas pareciam tímidas, sem jeito, sem saber como reagir”, afirmou Cuenca. “Parece que quando elas entram ali, não tem quem os oriente, puxe um grito de incentivo, uma música bacana. Então, eles acabam caindo no “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor” depois de alguns minutos em silêncio”, completou.

O redator publicitário Luis Butti disse não ter ficado desapontado porque já esperava que esse tipo de situação fosse acontecer. Mas isso não significa que o corintiano de 32 anos também não saiu sentiu um clima no estádio bastante diferente em relação ao que ocorre nas partidas do seu time.

“Tem muito amador na torcida da seleção”, declarou Butti, que também foi assistir ao duelo da estreia brasileira, contra a Croácia. “Gente que não sabe nem quem são os jogadores, quem é quem. Havia uma moça atrás de mim que chamava todo mundo de Neymar. Outra mulher, não muito atrás, que gritava ‘Não passa, chuta para o gol’, só que a bola estava no círculo central. Quem torce para um clube vai mais por dentro da coisa. Sabe o que gritar, quando e como se manifestar e apoiar”, completou.

Vale a pena voltar?
Apesar de o clima ser diferente do que sente nos jogos do Corinthians, Butti afirmou que voltaria a assistir a seleção brasileira no estádio nesta Copa do Mundo, caso tivesse uma nova oportunidade. Cuenca tem a mesma opinião. “Mais do que pelo clima ou valor do ingresso, pelo que a seleção representa”, disse ele.

“Se quiser ver meu time, posso estar lá no estádio quarta ou domingo. Ver os melhores do Brasil em campo, é uma oportunidade rara e vale a pena se esforçar pra acompanhar de perto”, completou.

Já Mariana pensa completamente diferente. “Os próximos jogos do Brasil quero assistir em um bar, em casa ou na rua. Com a energia de quem quer empurrar a seleção”, declarou.

IG

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