Brasil: ‘7 a 1’ faz um ano e futebol brasileiro, de cartolas a clubes, ignora lições

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Thomas Mueller of Germany celebrates scoring his team's first goal with teammates during the 2014 FIFA World Cup Brazil Semi Final match between Brazil and Germany at Estadio Mineirao on July 8, 2014 in Belo Horizonte, Brazil.

Cartola preso, clubes falidos, MP do Futebol bloqueada pela CBF, crise técnica e tática em campo. Sim, 7 a 1 foi pouco

Nenhum 8 de julho será mais o mesmo desde que essa data em 2014 colocou em sua agenda de efemérides uma partida de futebol entre as duas seleções mais vencedoras da história do futebol mundial. E numa semifinal de Copa do Mundo. O Brasil, anfitrião, ostentando suas cinco estrelas no peito, enfrentou a Alemanha, ainda com três. E em 90 minutos, essa história ganhou talvez o capitulo mais emblemático do esporte mais popular do mundo.

Um ano depois do 7 a 1 que fez muitos chorarem, mas que também virou piada e hashtag nas redes sociais, deu lições ao time derrotado. Mas quem comanda o futebol brasileiro parece não muito interessado nos sinais de decadência que o placar do Mineirão evidenciou naquele 8 de julho.

O 7 a 1 vive
Em campo, a seleção brasileira passou a ser comandada por Dunga, técnico que parou nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010. Ele até conseguiu bons resultados em amistosos, mas na primeira competição oficial, a Copa América de 2015, deixou evidente que o time brasileiro, em um ano, está como naquela tarde do Mineirão: dependente de Neymar, ausente no fiasco.

Dunga, como fizera Felipão, ignorou a necessidade de um plano B para uma eventual perda do camisa 10. E o Brasil passou vergonha de novo. Diante da eliminação para o Paraguai, goleado depois por 6 a 1 pela Argentina, a CBF resolveu reunir ex-técnicos da seleção brasileira para a partir dali, definir novos caminhos. Sebastião Lazaroni, Ernesto Paulo, Carlos Alberto Parreira e Zagallo, viraram sinônimo de novidade.

Na véspera do aniversário do jogo, Daniel Alves, um dos jogadores que estiveram no Mineirão, ainda que no banco, revelou que Pep Guardiola, o melhor técnico do mundo nas últimas temporadas, queria ser o comandante do Brasil na Copa de 2014. Ele, contudo, foi ignorado pela CBF na troca de Mano Menezes por Luiz Felipe Scolari, o mentor do 7 a 1.

Cartola preso
Em maio de 2015, o responsável pela troca de comando da seleção brasileira no final de 2012, foi preso na Suíça. José Maria Marin, presidente da CBF até abril, é um dos seis detidos por conta de esquema de corrupção e propina investigado pelo FBI. Marco Polo Del Nero, seu sucessor, fugiu da Suíça e agora evita deixar o Brasil, já que aqui não pode ser extraditado.

Já Marin, sempre muito sorridente antes da Copa do Mundo, costumava fechar a cara apenas quando perguntado sobre o que seria do futebol brasileiro em caso de derrota em casa. “Se vencermos, estaremos no paraíso. Se perdermos, será o inferno”. Em uma cela privada de uma prisão de Zurique, o cartola de 83 anos, ex-governador de São Paulo na ditadura militar, vive seu inferno particular. O 8 de julho de 2015, pra ele, será apenas mais um dia igual, como é desde 26 de maio, data da sua prisão.

CBF e deputados unidos
Uma proposta chancelada pela presidente Dilma Rousseff, em março, indicava uma predisposição do governo federal em renegociar as dívidas dos clubes brasileiros com a União, que chegam a R$ 4 bilhões. A Medida Provisória assinada por Dilma dava aos clubes o direito de dividir em até 20 anos o pagamento de suas dívidas, mas com contrapartidas, como por exemplo, rebaixamento de clubes que não paguem salários em dia aos seus atletas. É assim na Alemanha. Mas aí, a CBF entrou no jogo.

Mudanças nas eleições das federações (algumas com dirigentes no comando há décadas), auditorias externas a cada três meses e garantia de déficits zerados até 2020 são questões que ainda incomodam cartolas. Jovair Arantes (PTB-GO), próximo à CBF, é um dos defendem mudanças no texto, assim como outros deputados remunerados pela entidade, como Marcelo Aro (PHS-MG) e Vicente Cândido (PT-SP).

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, é uma voz isolada entre os clubes que aprovam o texto integral da MP. A maioria dos clubes pretende aderir à MP, mas sem tantas contrapartidas, e também apoiaram mudanças no texto. O 7 a 1, caso a MP não seja aprovada com seu texto original, também estará vivo no Congresso Nacional.

Calendário prejudicando clubes
Entre as mais básicas necessidades dos clubes brasileiros está a de não perder jogadores em suas partidas oficiais. Em países que respeitam seus clubes e jogadores, os times em seus campeonatos locais quando a seleção nacional está em campo. No Brasil é diferente há anos, e nem o 7 a 1 foi capaz acionar o alerta. Durante a Copa América, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras e Santos foram desfalcados. No conselho técnico com ex-treinadores da seleção, a questão voltou a ser debatida. Mas mais uma vez, não há qualquer sinal de que algo de concreto será feito.

IG