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Educação

Bolsonaro nomeia petista para reitora da UFG

Marcus Vinicius
12 de janeiro de 2022

governo de Jair Bolsonaro (PL) nomeou como reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Angelita Pereira de Lima,  candidatada que ocupava o terceiro lugar na lista de três nomes enviada ao Ministério da Educação (MEC).

A professora Angelita Pereira de Lima, diretora da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) e pesquisadora de gênero e direitos humanos, foi nomeada por meio de publicação no Diário Oficial da União nesta terça-feira (11).

Angelita é defensora dos direitos humanos, dos direitos das mulheres e já foi candidata do PT a deputada estadual, mas atualmente tem dedicação integral à FIC.

Nas eleições da UFG, a mais votada foi a atual vice-reitora, Sandramara Matias Chaves, que atualmente está no cargo de reitora em exercício. Em segundo lugar ficou a professora Karla Emmanuela Ribeiro Hora, que é filiada ao PSOL. Angelita Pereira de Lima completou a lista tríplice.

 

Intervencionismo

Desde o início do mandato, Bolsonaro já fez dezenas de nomeações arbitrárias, seja escolhendo candidatos que não obtiveram a maioria dos votos ou até selecionando reitores "biônicos", quem nem constavam da listagem formulada pelas instituições.

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Antes da chegada de Bolsonaro ao poder, a última vez em que um primeiro colocado havia sido desconsiderado foi em 1998, durante mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Na UFG, a nomeação causou revolta em meio à comunidade universitária, que acusa o governo federal de violar, mais uma vez, a autonomia universitária garantida pela Constituição Federal.

Reação

A expectativa era a nomeação da candidata com maior número de votos, a professora Sandramara Matias Chaves, vice-reitora e atual reitora em exercício. Em entrevista coletiva concedida na terça-feira (11), ela defendeu a posse da candidata nomeada pelo MEC.

“Apoiar a professora Angelita nesse momento é apoiar a UFG. É claro que temos que nos indignar e nos manifestar a respeito desse fato lamentável de desrespeito à autonomia da universidade. Por outro lado, é preciso que nós pensemos na Instituição”, declarou.

O ex-reitor Edward Madureira também lamentou a postura antidemocrática do MEC.

“É revoltante, isso nos deixa perplexos, atônitos e indignados. Fizemos tudo absolutamente dentro da legislação. Mas infelizmente a gente convive com um resquício do autoritarismo da ditadura militar”, afirmou durante a coletiva.

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Em nota conjunta, organizações representativas de estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos repudiaram a violação da autonomia universitária.

"Desde o início do seu mandato, o presidente já escolheu mais de 20 reitores que não foram eleitos de forma democrática. Trata-se de um enorme retrocesso contra a democracia da universidade, promovido por um governo que reafirma diariamente seu perfil autoritário e coloca em risco a estabilidade do ambiente universitário”, diz o comunicado assinado também pela Associação de Pós-Graduandos da UFG, a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), a União Estadual dos Estudantes de Goiás (UEE-GO) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

As entidades também marcaram um ato em defesa à democracia interna da UFG para esta quarta-feira (12) em frente à reitoria.

Gestão antidemocrática 

Desde a década de 90, as universidades públicas passaram a conduzir processos eleitorais internos, convocando servidores e estudantes a escolherem democraticamente membros da comunidade universitária para ocupar cargos de gestão.

Embora a Constituição de 1988 garanta autonomia às universidades públicas, a legislação prevê, desde 1968, que a escolha do reitor é prerrogativa do presidente da República.

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Em 1995, uma lei sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso determinou que os nomes a serem considerados para o cargo façam parte da lista tríplice enviada ao MEC.

No final do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que o governo federal não é obrigado a nomear o reitor mais votado, ao analisar uma ação proposta pelo Partido Verde (PV).

Com informações do  Brasil de Fato e G1

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