Aparecida de Goiânia, domingo, 17 de outubro de 2021
ONU

Bolsonaro é recebido com protestos em NY

Redação
21 de setembro de 2021

Queimadas na Amazônia e mortes pela covid-19 são as principais queixas contra o presidente brasileiro, que é o único entre os líderes do G-20, grupo que reúne as principais economias do mundo, que não se vacinou

O presidente Jair Bolsonaro desembarcou, na noite do último domingo, em em Nova Iorque, para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na próxima terça-feira (21). Sem tomar vacina contra covid-19, Bolsonaro chega isolado politicamente.

Ainda ontem, o presidente foi recebido sob protestos no Hotel Intercontinental Barclay, onde está hospedado. Com faixas de “Fora Bolsonaro” e também contra os militares, Bolsonaro foi obrigado a entrar pela porta dos fundos do hotel. Em 2019, última vez em que esteve na cidade norte-americana, Bolsonaro encontrou manifestantes a favor e contra seu governo.

Sem ter se vacinado, Bolsonaro chegou aos Estados Unidos sob polêmica. Em nova Iorque, é obrigatório o comprovante de vacinação para que as pessoas acessem vários locais, entre eles, restaurantes. Por outro lado, a ONU permitiu que o presidente brasileiro acesse o prédio e faça seu discurso, mas será obrigado a seguir os protocolos sanitários.

A prefeitura de Nova Iorque chegou a enviar uma carta para o presidente da Assembleia-Geral da ONU pedindo a vacinação dos participantes. Abdulla Shahid apoiou a ideia e submeteu o pedido ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que disse não poder barrar os chefes de Estado.

Bolsonaro isolado na ONU
Bolsonaro chega para seu terceiro discurso na Assembleia. Sem o apoio do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e com a imagem arranhada, após um discurso anti-diplomático em 2019, a expectativa é que o presidente da República apresente sua falsa versão “moderada”.

A perspectiva é que o presidente do Brasil busque reverter uma crise de imagem internacional abordando exemplos de “avanços” ambientais em sua gestão, apontando para o aumento da taxa de vacinação e o recuo da pandemia entre os brasileiros.

De acordo com o jornalista Jamil Chade, no Uol, o nome de Bolsonaro é associado a reclamações, denúncias e ironias, nos corredores da ONU. Ele diz que o chefe de Estado brasileiro está com a reputação “destruída” e ridicularizá-lo passou a ser o “novo normal” nas conversas entre embaixadores.

Em apenas dois anos e meio de governo, Bolsonaro foi alvo de 32 cartas e comunicações de relatores independentes da ONU, denunciando violações de direitos humanos cometidas pelo governo. As comunicações, mantidas em sigilo por meses, se referem a temas como violência policial, pandemia, ditadura, imprensa, moradia, educação, racismo e tantos outros.

Marco Temporal
Ao mesmo tempo que buscará amenizar a crise internacional, Bolsonaro também usará o evento para levantar uma das pautas de seu governo: a aprovação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do marco temporal, que limita a demarcação de terras indígenas aos territórios ocupados pelos grupos em 1988. Além disso, ele deve pregar a liberdade de expressão da direita em redes sociais e valores cristãos e conservadores.

O texto está em votação há semanas na Suprema Corte e coloca em jogo reconhecimento ou a negação do direito mais fundamental aos povos indígenas: o direito à terra. Milhares de indígenas estão acampados em Brasília para pressionar os ministros a barrarem o projeto.

“A tese do marco temporal significa a constitucionalização de uma ideia colonizadora em relação aos povos originários”, contesta o advogado indígena Ivo Cípio Macuxi, do Conselho Indígena de Roraima. “Adotar o Marco Temporal é ignorar todas as violações que os povos indígenas foram e estão submetidos. O momento é oportuno pra essa Corte reafirmar os direitos dos povos indígenas”, disse Luiz Eloy Terena, coordenador jurídico da Articulação dos Povos Indígenas (Apib).

Com informações da RBA

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