Banco dos Brics é oficializado e integrantes anunciam criação de universidade para o bloco

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Putin ressaltou preocupação com economia mundial; Já Dilma considerou que bloco seguirá impulsionando o desenvolvimento global

Os líderes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) formalizaram, nesta quinta-feira (09/07), a criação do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), ou Banco dos Brics, com capital inicial de US$ 50 bilhões e cuja sede ficará em Xangai, na China. A assinatura do memorando ocorreu no marco da realização da 7ª cúpula do bloco, realizada na cidade russa de Ufá. A sessão inaugural da instituição financeira foi realizada na terça-feira (07/07), na capital russa, Moscou.

Além do banco, anunciado em julho de 2014 e cuja criação foi aprovada na última quarta (08/07) pelo Parlamento chinês, o presidente russo, Vladimir Putin, disse, em entrevista coletiva de imprensa, que será criada uma nova universidade para fortaler o sistema educativo das nações que integram o bloco.

Os Estados membros também acordaram coordenar os esforços com relação à segurança da informação, incluindo a internet. Será criada ainda uma rede de universidades comunitárias para melhorar o intercâmbio científico e tecnológico entre os integrantes do bloco.

Conjuntura política

Na declaração final da cúpula consta que os Brics rejeitam “as intervenções militares e as sanções econômicas unilaterais” e insistem que deve ser descartado “o dois pesos e duas medidas” nas relações internacionais, em menção indireta à situação da Rússia, que enfrenta sanções econômicas por parte dos Estados Unidos e Europa devido à crise ucraniana. Além disso, os líderes também manifestam descontentamento pela recusa dos EUA em ratificar a reforma já aprovada do FMI que “impede a revisão das cotas e do poder de voto em favor de países em desenvolvimento e emergentes”.

Em uma alusão à situação de países como a Grécia, mas sem citar Atenas, assinalaram que “as reestruturações das dívidas foram frequentemente lentas ou tardias. É algo que se deve tramitar em benefício de credores e mutuários”. Com relação a uma possível incorporação de outros países ao bloco, o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse que a ampliação dos Brics não está em debate.

Economia

Os chefes de Estado e de governo das economias emergentes que formam os Brics reconheceram que o bloco enfrenta desafios globais, mas estão decididos a continuar sendo um motor de crescimento, um “farol de esperança”, como definiu o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

O início do funcionamento do banco e de um Fundo de Reservas em moeda estrangeira que o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, qualificou como “um mini FMI”, foi considerado pelos cinco líderes dos Brics um marco no desenvolvimento do bloco. “Podemos dizer que este é um ano histórico para os Brics, um grande passo adiante”, afirmou o dirigente da África do Sul, Jacob Zuma, sobre as novas instituições financeiras.

O mandatário acrescentou também o Tratado do Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), no valor de US$ 100 bilhões, é “uma das nossas mais importantes conquistas [já que nos dará a oportunidade de reagir a movimentos dos mercados financeiros de maneira ágil e adequada”. Do total de recursos do CRA, US$ 41 bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18 bilhões cada e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões.

O Banco do Brics deve iniciar as operações a partir do próximo ano, com aportes a projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável para os integrantes do bloco e, posteriormente, para outros países em desenvolvimento que apresentarem interesse. Com o banco, os países-membros esperam reduzir o domínio do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial sobre o sistema financeiro global e criar espaço para outras moedas, além do dólar norte-americano, no comércio internacional.

Putin, que falou em nome dos líderes presentes, ressaltou a preocupação com o atual cenário da economia mundial: “Estamos preocupados com a instabilidade dos mercados, com a alta volatilidade do preço do petróleo e das commodities, com o acúmulo da dívida soberana de uma série de grandes países. Todos esses desequilíbrios estruturais causam impacto direto na dinâmica de crescimento de nossas economias. Nessas condições, os países do Brics pretendem usar ativamente seus próprios recursos para o desenvolvimento interno”, ressaltou.

Já a presidente brasileira, Dilma Rousseff, disse que os Brics continuarão impulsionando o desenvolvimento global e que “a recuperação dos países desenvolvidos ainda é lenta e frágil” e que “o crescimento dos países em desenvolvimento foi agora afetado”. Ainda em seu discurso, a mandatária classificou os emergentes e os Brics como “a força motriz do desenvolvimento global”.

Mais cedo, durante encontro com o Conselho Empresarial dos Brics, ela enfatizou a importância do bloco no cenário mundial: “os países dos Brics foram responsáveis por 40% do crescimento mundial e pela intensificação dos fluxos econômicos entre os países”.

Ela acrescentou que até 2020, os países em desenvolvimento precisarão de um volume de investimento em infraestrutura superior a US$ 1 trilhão por ano. “Atingir essa cifra não será tarefa simples. O investimento externo mundial caiu quase 50% nos últimos cinco anos. É nesse cenário que o novo banco de desenvolvimento terá um papel importante na intermediação de recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em nossos países e, posteriormente, em outros países em desenvolvimento”, concluiu.

Operamundi