Avó de garoto que sumiu há 9 meses pede que investigação seja retomada

Ela lamenta arquivamento do inquérito e acusa a filha e o genro: ‘Tranquilos’.

garotoA auxiliar de cozinha Sirlene Borges de Morais, de 39 anos, disse que não consegue entender porque o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) arquivou o inquérito que investigava o desaparecimento de seu neto, Emivaldo Bryan. O garoto sumiu há mais de nove meses, quando tinha 4 anos em Indiara, no sul do estado. Revoltada, a avó cobra respostas e que a investigação seja retomada.

“Como é que se faz uma coisa dessas? Como que vamos saber como e com quem ele está? Não deram nenhuma resposta para gente. Tem que investigar e passar uma solução para gente. A gente não faz nada por causa disso. Como eu vou ter alegria diante de uma situação dessas?”, questiona.

Emivaldo foi visto pela última vez no dia 4 de março, enquanto dormia na casa da família. Logo após o desaparecimento, a mãe da criança, a empregada doméstica Silmara Borges da Silva, disse que procurou pelo filho, mas não o encontrou. Já o padrasto relatou que percebeu que a porta da casa estava semiaberta. O Corpo de Bombeiros fez buscas na região por três dias, sem sucesso.

Apesar de não ter nenhuma notícia do neto, que completou 5 anos no dia 16 de agosto, a auxiliar de cozinha diz que tem esperança de encontrar o garoto. “Penso, no fundo do meu coração, que ele está vivo e escondido em algum lugar”, estima.

Arquivamento
Em outubro, a Polícia Civil finalizou o inquérito e indiciou o motorista Luiz Paulo da Costa, padrasto de Emivaldo Bryan por homicídio e ocultação de cadáver da criança. Entretanto o corpo do menino nunca foi encontrado e, segundo o promotor responsável pelo caso, Milton Marcolino, não existem provas suficientes que o incriminem e não há como sustentar a denúncia.

De acordo com ele, que analisou o inquérito por 30 dias e também fez oitiva dos familiares de Emivaldo, a Polícia Civil conduziu as investigações por sete meses, mas o corpo do menino não foi encontrado, assim como nenhum outro vestígio de que ele tenha sido assassinado. Por isso, o Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito.

“Neste caso não temos a materialidade do crime e muito menos os indícios de autoria. O corpo da criança não foi achado, muito menos vestígios ou qualquer tipo de prova que indique que esse menino tenha sido morto. Por exemplo, a perícia feita na casa e no carro da família sequer encontrou uma gota de sangue”, explicou ao pedir o arquivamento.

Marcolino ressaltou que fez o pedido de arquivamento do inquérito à Justiça e que o caso passará a ser tratado como de uma criança desaparecida. “Promovemos o inquérito e, pela nossa experiência, provavelmente ele será arquivado. Muitas pessoas acham que essa medida é uma injustiça, mas seria uma injustiça ainda maior se nós promovêssemos uma ação penal contra um inocente e o mandássemos para a cadeia”, concluiu.

Acusação
Para Sirlene, sua filha, a doméstica Silmara Borges da Silva, e o esposo dela, o motorista Luiz Paulo da Costa, mãe e padrasto de Emivaldo, respectivamente, são os responsáveis pelo sumiço do garoto. Ela diz que o genro batia no enteado e a esposa consentia. Além disso, ela acusa o casal de viver como se nada tivesse ocorrido com a criança.

“Eles estão muito tranquilos, fazem churrasco, saem para passear, estão sempre felizes e sorridentes. Não sei como podem ficar assim sabendo que o garoto desapareceu”, acusa a mulher, que conseguiu na Justiça, a guarda provisória da irmã do garoto, de 6 anos.

Ao G1, a advogada do casal, Rosangela Magalhães negou as acusações e disse que durante toda a investigação, nada ficou provado contra os seus clientes.

“Houve um inquérito com interpretação telefônica, quebra de sigilo bancário, perícia na casa deles, avaliação psicológica e até um detector de mentira. Mesmo depois de tudo isso, não se comprovou nada. Em nenhum momento, eles se negaram a prestar qualquer informação, tiveram a vida revirada”, conta.

Ainda segundo a defensora, o casal ficou “mais leve” com o arquivamento, onde Luiz Paulo era indiciado, mas diz que ainda estão tristes, pois, apesar de tudo, o menino não foi encontrado. Ela revela que já fez um pedido à Justiça para que Silmara possa reaver a guarda da filha.

Desaparecimento
O desaparecimento de Emivaldo foi percebido pela irmã dele, que dormia no mesmo quarto. “Amanheceu o dia, eu não esperava ter essa noticia: ‘Mãe, o Emivaldo não está na cama’. Falei, se ele não estiver na cama, ou está no sofá deitado lá, ou está brincando com o cachorrinho. Fui ao quarto, procurei na sala, dentro dos guarda-roupas, procurei em tudo e não achei”, disse a mãe das crianças na época do sumiço.

Na madrugada do dia em que o menino desapareceu, o padrasto de Emivaldo alegou que encontrou a porta da residência semiaberta. “Topei a porta meio aberta, mas pensei que ela [a esposa] tinha esquecido na hora de dormir. Então, encostei e saí”, afirmou. A única coisa que a família sentiu falta após o desaparecimento foi de um dos controles que abrem o portão da casa.

G1

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