Ator do “Porta dos Fundos”: “Internet me permite visibilidade quase de novela”

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Prepara! Assim, no estilo Anitta, no estilo diva do pop, superbafônica. A partir de 1º de setembro, Ferdinando promete roubar a cena na nova temporada do sitcom “Vai Que Cola”, do Multishow. O zelador, quer dizer, concierge da pensão da dona Jô conseguiu um trabalho para realizar shows em uma boate gay. Era tudo que Marcus Majella, o intérprete do personagem, precisava para soltar a franga sem medo de ser feliz (num bom sentido) no palco do humorístico.

O iG acompanhou uma gravação do programa e viu Majella em ação como cover de Adele. Avaliação? Apenas maravilhoso. Aproveitamos para, em um intervalo, sentar na laje da dona Jô, novo ambiente do cenário, e bater um papo na beira da churrasqueira sobre a nova fase de Ferdinando e o recente estrondoso sucesso alcançado pelo ator de 35 anos.

Sempre rodeado de amigos, o talento de Majella ganhou evidência quando ele fez a série “220 Volts” com Paulo Gustavo no mesmo canal, e começou a bombar com vídeos no “Porta dos Fundos” na web. A partir daí, a mudança foi avassaladora, segundo ele mesmo definiu. Mas teve muita ralação até chegar no degrau que se encontra hoje. Em uma época, faltou dinheiro até para o aluguel. Quando estava pensando em jogar tudo para o alto, Paulo o colocou como contrarregra de “Minha Mãe É Uma Peça”. E passo por passo foi tudo se encaixando.

Tem história esse menino. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

iG: Agora tem um laje na pensão da Dona Jô, é isso?
Marcus Majella: Pois é, outro ambiente para ter mais confusão, mais disputa… Mais um local pra gente causar. São seis meses de gravação, que a gente fica aqui de segunda a quinta, de 13h até 22h da noite. É bem puxado, muito corrido. Para mim, é ainda mais porque eu também faço “Porta dos Fundos”. Terça e quinta eu gravo de manhã ou de madrugada. Às vezes gravo até 22h “Vai que Cola”, e 23h já estou no set do “Porta” e vou até as 6h da manhã. Ou acontece o contrário, gravo “Porta” de 6h até 12h, tomo banho e 13h já estou aqui.

iG: É puxado, né?
Marcus Majella: É bem puxado. Mas rende, é bom… Estou adorando, porque estou fazendo o que gosto, o que quero. Eu ainda tenho o privilégio de ser mimado e trabalho com amigos. Tenho essa bênção. Aqui eu já conhecia o Paulo (Gustavo), Samantha (Schmutz), (FernandoCaruso… E no “Porta” eu trabalho com o Fábio (Porchat), que é grande amigo. Ele estudou comigo e com o Paulo Gustavo na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), nós fomos da mesma turma. A gente se conheceu lá, e desde então são as pessoas com quem mais trabalho.

iG: E já dá para assimilar tudo que aconteceu com você desde quando se formou na CAL e começou a aparecer com os trabalhos com o Fábio e com Paulo?
Marcus Majella: A vida mudou muito, mas foi de forma gradual. O “220 Volts”, no Multishow, aconteceu por um processo de coisas que eu estava plantando. Eu já estava fazendo vídeos para internet para o canal “Anões em Chamas”, fazia algumas coisinhas para o teatro… Antes da série, fiz outros dois programas no Multishow também, e as duas com direção do Ian SBF, um dos donos do “Porta dos Fundos”. Está tudo conectado! Enfim, entrei no “220 Volts” e, no mesmo momento, começou o “Porta”. Os dois começaram a se destacar, a ser um sucesso… Por isso que sinto que foi muito gradual. Não foi de uma hora para outra, tipo, fiz uma novela e bombei, sabe? É o que acontece com muitos atores, eu acho maneiro, mas não foi assim comigo. Fiz muitas coisas, foi tudo acontecendo aos pouquinhos, foi de forma gradual mesmo esse… sucesso. A gente tem um pouco de vergonha de falar sucesso, né?

iG: Mas é um sucesso mesmo…
Marcus Majella: Pois é, as pessoas falam com a gente na rua, é bacana, bem feito.

iG: Quando você sentiu exatamente esse boom do sucesso?
Marcus Majella: Na época do “Anões em Chamas” já tinha isso das pessoas falarem comigo, mas era pouco, vez ou outra. Quando começou o “220”, a coisa começou a mudar. Pessoas me paravam na rua todos os dias. Aeroporto, shopping… Já chegavam “Marquinhos, Marquinhos, Marquinhos”, como o Paulo Gustavo me chama no programa. E também, ao mesmo tempo, as pessoas falavam comigo sobre os vídeos do “Porta dos Fundos”. Esses dois produtos começaram meio que juntos. Mas o “220” tem uma coisa curiosa porque foi a primeira vez que um programa que eu faço de TV a cabo teve essa repercussão. Os outros dois que eu fiz, ninguém comentava (risos).

iG: É porque tem a imagem do Paulo junto, que chama muita atenção, não é? Aliás, assim como ele, a sua história de carreira começa sem TV aberta.
Marcus Majella: Exatamente. A nossa história é muito doida, porque eu e Paulo, ele principalmente, nunca precisou de TV aberta para ter visibilidade de algum trabalho. Paulo fez até umas participações na série “Divã”, com a Lilia Cabral, mas não foi isso que deu o que ele tem, né? É pelo trabalho dele no teatro que ele é reconhecido – e agora no cinema. Comigo tem o mesmo fenômeno, mas em TV por assinatura e internet. Hoje, a internet me permite uma visibilidade quase de uma novela. Cada vídeo que eu faço tem três milhões de visualizações. Se eu faço um vídeo que é publicado hoje, no dia seguinte já está todo mundo comentando na rua. O “Porta” e o poder da internet são avassaladores. E o “Vai Que Cola” é outro produto avassalador. Eu me lembro que a primeira temporada a gente gravou tudo antes de ir para o ar, e quando estreou, era uma loucura. Eu entrava no táxi e o motorista ‘estamos indo para onde? Para o Méier?’. Sabe? Era todo mundo comentando!

iG: E agora o que vem de Ferdinando nessa nova temporada?
Marcus Majella: Ai, eu adoro Ferdinando (risos). É uma diva, presa no Méier, naquela pensão (risos). Esse ano, como a dona Jô não paga salário para ele, ele arrumou trabalho em uma boate gay. Ele vai começar a fazer shows na chamada ‘Quinta Gay’. Então, ele aparece sempre ensaiando um número, ou voltando virado da noite, ou indo fazer o show… A pensão vira um palco para os ensaios dele.

iG: O que é ótimo, porque você nas temporadas anteriores já soltava o gogó, né?
Marcus Majella: Sim, sim. Agora ainda tenho a oportunidade de explorar nesse personagem o “lado divônico” que ele tanto quer ter.

iG: E o que você trouxe de gosto seu musical para o palco? Por exemplo, você é fã de Beyoncé assim como o Paulo?
Marcus Majella: Gosto de todas essas divas. MadonnaBeyoncéChristina Aguilera,Britney Spears… Adoro todas! Quando fiz a primeira temporada, vi muitos vídeos das divas das antigas, como Barbra StreisandLiza Minnelli… Para enriquecer o repertório do Ferdinando. Ele tem muitas cores dessas mulheres. E também vi muitos vídeos de drag queens que fazem shows. Elas são muito isso, sonham em ser divas e tal. Peguei muitos trejeitos de boca, de braço, e tudo de vídeo que encontrei na internet.

iG: Falando sobre o elenco, vocês formaram uma equipe bem unida também fora dos bastidores?
Marcus Majella: Total. A gente tem uma química sinistra no palco e na vida. Isso é uma coisa muito difícil de acontecer, né? Às vezes, em um grupo de oito, sempre tem uns dois ou três que destoam na vibe. Não no talento, mas na vibe mesmo. E tem que ter isso para ficar aqui o dia todo, gravando, conversando… São pessoas muito diferentes. A gente tem química porque a gente se respeita.

iG: E o “amooooor” que o Ferdinando já tem como marca registrada surgiu como?
Marcus Majella: Na leitura do primeiro texto, no piloto do ano passo, estava assim: “meu amor, eu não sou zelador. Sou concierge”. Se eu fosse ler, eu falaria assim mesmo, direto. “Meu amor, eu não sou zelador. Sou concierge”. Só que eu estiquei esse amor. Eu joguei um “amooooooooor”. E todo mundo começou a amar e virou um bordão.

iG: E nessa temporada ainda tem o reforço de vários atores…
Marcus Majella: Sim, sim! Temos Julia RabelloMarcelo MédiciTatá Werneck… Eu tinha um sonho de trabalhar com a Tatá, já falei isso para ela. Como eu falei para você, eu sou mal acostumado. Eu sempre trabalho com gente que eu gosto, que sou fã… Até na música! AIvete (Sangalo) fez participação na última temporada e eu olhava aquela mulher e ficava assim (faz cara de queixo caído). Foi nessa gravação a primeira vez que eu conheci e fiquei perto da Ivete. Hoje a gente criou até um vínculo. Passei a ir mais nos shows dela, ela me chama para ir ao camarim, eu gravei um vídeo do “Porta” com ela… Eu sai no trio dela em Salvador. No trio! É um privilégio. A Ivete tem uma energia tão boa!

iG: Você está realmente vivendo um sonho, né?
Marcus Majella: Estou. É tudo que eu sempre quis. Esse foi meu oitavo ano em Salvador, e sempre olhava o trio lá do chão e pensava ‘nossa, eu queria tanto estar ali pertinho de Ivete’. E de um ano para o outro, eu estava lá em cima com ela!

iG: Mas ralou para estar ali, hein? Você é ator profissional desde quando?
Marcus Majella: Profissional desde 2005, quando me formei na CAL. As pessoas acham que é um boom, que do nada acontece, mas eu fiz muita coisa antes. A gente rala muito (risos). Fiquei sem dinheiro uma época, si-nis-tro. Eu não tinha dinheiro para pagar o aluguel, estava quase voltando para Cabo Frio (Marcus nasceu lá). Estava muito na merda, e não ia ficar no Rio sem trabalho… Daí, Paulo Gustavo falou “não, você não vai voltar para Cabo Frio. Você vai trabalhar comigo de contrarregra até você conseguir seu trabalho como ator”. A relação do Paulo e Marquinhos no “220 Volts” é inspirada em uma relação real que eu vivi com ele de trabalho.

iG: Isso rolou quando ele estreou com “Minha Mãe é Uma Peça” no teatro?
Marcus Majella: Isso. Também trabalhei com “Hiperativo”. Fiquei um ano trabalhando com ele, e logo depois as coisas começaram a se encaixar de novo.

iG: E hoje você faz conta ainda?
Marcus Majella: (Risos) Todo mundo faz, eu faço, lógico. Estou mais tranquilo, lógico, mas faço.

iG: Para finalizar, vai rolar filme de “Vai Que Cola”, né?
Marcus Majella: Vai, em março a gente grava. E em março também gravo o filme do “Porta dos Fundos”. Bastante trabalho, graças a Deus!

IG