Bem-vindo(a) à Aparecida de Goiânia

Precisamos lotar as redes sociais com fotos de nossas crianças sendo vacinadas. É fundamental evitar que o vírus circule livremente entre as crianças, pois a ciência sabe que pessoas não vacinadas são as maiores fontes de mutações. (mais…)

Mirticeli Medeiros*

Em discurso de fim de ano, o Papa chama atenção dos seus colaboradores para a humildade e pede que eles ‘se abram ao novo’.

Os religiosos que trabalham na Cúria Romana, na era Francisco, certamente ‘tremem nas bases’ quando se aproxima o período de Natal. Tradicionalmente, entre os dias 20 e 23, o pontífice lhes reserva um discurso daqueles. Não foi diferente este ano.

Todos os anos, ao cumprimentar seus colaboradores mais estreitos, às vésperas da solenidade do nascimento de Jesus, o santo padre aproveita a ocasião para fazer um balanço do ano que passou. E mais: não perde a oportunidade de alfinetar os presentes, denunciando os males que ainda pairam sobre a antiga corte do Papa - que, para alguns, não deve renunciar a seus vícios renascentistas. E nem preciso dizer que são esses que Francisco mais incomoda.

Em 2014, um ano depois de ter assumido o pontificado, o santo padre fez um diagnóstico, logo de cara, do que ele considerava ‘as doenças’ do governo central da Igreja. Muitos olhavam torto para o “novato”, que jamais tinha trabalhado na Cúria, mas que, naquele dia, conseguiu descrever, exatamente, o ponto da situação. Não esperavam tamanha destreza e clareza de alguém que, da sua Buenos Aires, construiu uma visão que poucos ‘curiais vitalícios' tinham.

Se percorrermos os 9 discursos que ele proferiu até hoje, notaremos que ele montou, não por acaso, um itinerário de reflexão. É um verdadeiro exercício espiritual, no seu conjunto. Não poderíamos esperar menos de um jesuíta. Francisco sabe certinho onde e como aplicar seu “inacianismo”. Desta vez, inclusive, ele chegou a citar um trecho do retiro criado por Inácio de Loyola.

Este ano, em particular, após falar, nos anos anteriores, de voltar à essência, das ‘doenças’ que acometem a estrutura, do testemunho versus o funcionalismo, da necessidade de reforma, do “primado diaconal” - que foca no serviço, não no carreirismo -, dos abusos sexuais e de poder, a evangelização e a contemplação, foi a vez de focar no tema da humildade. Isso porque o pontífice sabe que, na pandemia, separou-se o joio do trigo, até dentro da Igreja.

Nesses últimos dois anos, a barca de Pedro balançou bastante. Escândalos, complôs e demissões inesperadas caíram no colo de Francisco. Em resposta a isso, um discurso sobre a humildade não é algo marginal.

Depois de focar na estrutura, e no comportamento de quem compõe esse ‘organograma eclesial’, foi a vez de focar na conversão pessoal dos curiais. De nada adianta consertar a casa se seus moradores continuam tratando essa mesma casa com as mesmas modalidades do passado. Ele também fala claramente que a rigidez,

a ideia firme de não mudar, é um contra testemunho cristão, pois se resume ao "vício de repetir coisas”.

Ele disse, várias vezes, que a Igreja não pode ter medo da verdade nem de encarar a realidade de frente. Sua reforma não é um repensar as estratégias de marketing para atrair fiéis, mas atingir, principalmente, quem transformou a Igreja num espaço de auto-afirmação, num esconderijo, num antro de alpinistas que focam no poder.

A frase que ele usou, nesse último discurso, não poderia ser mais certeira: “Os grandes dons constituem a armadura para encobrir grandes fragilidades”.

E Francisco sabe que muitos ali na Cúria vivem num mundo de fantasia, estão alheios às vicissitudes humanas, se encerraram em seus castelos de conforto e, de consequência, perdem a si mesmos nesse mar de indiferença.

Nesse tempo de crises, em todos os âmbitos e áreas, refletir sobre si mesmo não é tarefa fácil. E o papa faz esse convite. Quer que quem trabalha com ele seja humano para poder humanizar, que se reconheça necessitado, como qualquer fiel que diz seguir a Cristo. E sem a humildade, diz ele, a Igreja nunca se abrirá ao novo:

“O humilde aceita ser posto em questão, abre-se ao novo; e fá-lo porque se sente forte com aquilo que o precede, com as suas raízes, a sua filiação. O seu presente é habitado por um passado, que o abre para o futuro com esperança. Diversamente do orgulhoso, sabe que nem os seus méritos nem os seus «bons costumes» são o princípio e o fundamento da sua existência; por isso é capaz de ter confiança. O soberbo não a tem”.

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

Por Altamiro Borges

Mais um governador eleito na cavalgada bolsonarista de 2018 está prestes a ser defecado do cargo. Depois do “tiro na cabecinha” de Wilson Witzel, deposto no Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa de Tocantins aprovou na semana passada, por unanimidade, a abertura de processo de impeachment contra Mauro Carlesse (PSL). Acusado de vários crimes de corrupção, ele já estava afastado do governo desde outubro após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo denúncias do Ministério Público, o grupo do governador bolsonarista recebeu R$ 9,5 milhões entre 2018 e 2021 e desse total ao menos R$ 7,8 milhões não tem explicação sobre a origem. As investigações apontaram o ruralista Mauro Carlesse como “líder de uma organização criminosa”, que aparelhou a segurança pública e atuava em desvios na área de saúde. O processo de impeachment, que pode culminar na perda definitiva do cargo, deve ser concluído em até 180 dias.

Corrupção na Segurança Pública e na Saúde

Conforme lembra o jornal Folha de SP, o governador bolsonarista foi alvo de duas operações da Polícia Federal. “A primeira, chamada de Éris, teve como objetivo desarticular uma organização criminosa dentro da secretaria de Segurança Pública do Estado, que teria obstruído investigações ‘utilizando-se de instrumentalização normativa, aparelhamento pessoal e poder normativo e disciplinar contra os policiais envolvidos no combate à corrupção’. Em pedido encaminhado ao ministro Mauro Campbell, do STJ, o Ministério Público Federal afirma que Carlesse aparelhou todo o sistema de Segurança Pública do Estado”.

A segunda operação, batizada de Hygea, focou em desmantelar esquemas de propina ligados ao Plano de Saúde dos Servidores do Estado do Tocantins (Plansaúde) e uma estrutura criada para a lavagem de dinheiro, “assim como demonstrar a integralização dos recursos públicos desviados ao patrimônio dos investigados”. Segundo as investigações, “há fortes indícios do pagamento de vantagens indevidas ligadas ao plano de saúde dos servidores e a estrutura montada para a lavagem de ativos”. Os recursos desviados teriam sido “integralizados ao patrimônio dos investigados”.

Acusado de envolvimento com desvio de verbas da saúde pública durante a pandemia de covid-19, o então governador do Rio, Wilson Witzel, sofreu impeachment no ano passado

Acusado de envolvimento com desvio de verbas da saúde pública durante a pandemia de covid-19, o então governador do Rio, Wilson Witzel, sofreu impeachment no ano passado

Santa Catarina e Amazonas
Além do facínora Wilson Witzel e do ruralista Mauro Carlesse, outros dois governadores eleitos na onda bolsonarista de 2018 também passaram ou passam por apuros. O bombeiro Carlos Moisés, hoje rompido com Jair Bolsonaro, chegou a ser afastado em Santa Catarina, acusado de corrupção, mas segue como governador. Sua vice, uma bolsonarista raiz e com ligações familiares com nazistas, até tomou posse, mas perdeu o posto – para a tristeza do presidente da República.

Já o governador bolsonarista do Amazonas, o radialista Wilson Miranda, chegou a ser alvo de operações de busca e apreensão da Polícia Federal em junho passado e também teve protocolado vários pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa. Investigado na Operação Sangria, ele foi acusado de desviar recursos públicos para o enfrentamento da Covid-19.

Segundo relato do jornal Estadão na época, “a operação foi aberta depois que o Ministério Público Federal encontrou novos indícios de fraudes e superfaturamento na reinauguração do hospital de campanha Nilton Lins em Manaus no início do ano, quando o sistema de saúde da capital amazonense entrou em colapso diante de uma nova escalada da pandemia, e na prestação de serviços na unidade temporária para tratar pacientes com coronavírus”.

Alguns dos seus secretários foram afastados e até presos, mas o governador segue no cargo meio cambaleante, podendo cair a qualquer momento. A onda bolsonarista, a dos tais outsiders, foi um verdadeiro desastre no Brasil.

Altamiro Borges é jornalista e dirigente do Centro de Mídia Independente Barão de Itararé

É provável que estar imunizado com as vacinas que temos pode não ser suficiente para impedir a infecção da nova variante mas pode ser suficiente para impedir casos mais graves

Por Alexandre Padilha

Tenho dito há algum tempo, e não tenho dúvidas sobre isso, que irão surgir variantes da covid-19 resistentes às vacinas que o mundo está aplicando. Se isso acontecer daqui a uma semana, um mês ou 10 anos, ninguém pode dizer. Mas, infelizmente, o mundo trabalha para que isso surja o mais rápido possível.
Por mais que a ciência tenha desenvolvido em pouco tempo vacinas eficazes contra a covid-19, o mercado e a ganância pelo lucro aliada à incapacidade de governos, sobretudo das nações mais ricas, não fazem com que essas vacinas cheguem o mais rápido possível no braço de toda população mundial.

Apenas 6% da população, cerca de 1,2 bilhão de pessoas, do continente africano está totalmente vacinada. Ou seja, enquanto sobram vacinas em países com movimento antivacina, sobretudo na Europa e EUA, na África a situação é inversa, onde tem gente que quer se vacinar mas falta vacina.
Assim também ocorre no Brasil que, embora tenhamos avançado na cobertura vacinal graças à tradição do nosso Programa Nacional de Imunização (PNI) e do SUS, apesar de Bolsonaro, nós ainda não estamos vacinando crianças, o que na minha avaliação é um erro, e precisamos pressionar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que conclua o mais rápido possível a avaliação, porque vários países já as estão vacinando. E não vacinamos globalmente os adolescentes.

Só se supera pandemias ofertando mecanismos de proteção à população e acelerando a vacinação. Apresentei um Projeto de Lei (PL 5067/20) que cria  o Conselho Gestor do Programa Nacional de Imunizações e garante acesso da população a medicamentos e vacinas registrados pelo órgão sanitário responsável, de maneira mais eficiente.
O surgimento da variante ômicron na África do Sul foi parecido com a detecção da variante Delta na Índia. E vejam que contraditório: a Índia possui a maior fábrica de vacinas no mundo e não garante vacinas para o povo indiano.
O que preocupa na variante ômicron é que ela possui muitas mutações, o que não significa que seja a mais grave. Na comunidade onde foi detectada, rapidamente se tornou a variante dominante, o que também não significa que ela será dominante no mundo inteiro, em locais com vacinação mais avançada.
:: Salário e jornada de trabalho dignos para enfermagem e psicologia ::
É possível que a ômicron seja resistente às vacinas atuais? É possível. É provável? Não. É muito provável que as vacinas continuem nos protegendo com relação à gravidade da doença.
Ainda não temos 100% de certeza, mas é muito provável que estar imunizado com as vacinas que temos pode não ser suficiente para impedir a infecção dessa nova variante mas pode ser suficiente para impedir casos mais graves.
É um alerta para o mundo. Os governos que liberaram o uso de máscaras e estimulam a aglomerações deveriam ter mais responsabilidade e rever essas posições. Não é hora de relaxar, é hora de vacinar.
*Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de São Paulo

Neste artigo o jornalista Miguel do Rosário, do site "O Cafezinho", analisa o poder das mídias sociais nas próximas eleições e aponta acertos na estratégia do ex-presidente em falar nestes meios de comunicação.

Confira o artigo:

ANÁLISE: ENTREVISTA DE LULA AO PODPAH ENTERRA BOLSONARO NAS REDES

por Miguel do Rosário

Era uma vez um tempo em que o mundo político dava grande importância a opinião de meia dúzia de colunistas de jornal.
Foi nesse mundo que Lula se elegeu em 2002, e as crises que teve de administrar em seus dois governos foram exercícios complexos de relações públicas com essa mídia tradicional.

Aí nasceu a internet, e o poder da mídia como “influencer” no mercado político começou a declinar rapidamente.

A Lava Jato foi o canto do cisne da grande mídia brasileira. A parceria criminosa entre o Estado jurídico-policial e setores reacionários do jornalismo comercial produziu uma verdadeira catástrofe econômica e política que, por sua vez, deu a luz Bolsonaro.

Entretanto, o próprio Bolsonaro nasceu fora do ambiente da mídia tradicional. Sua força vinha das redes sociais, onde ele era, até pouco tempo, o personagem político com maior poder de mobilização.
Até ontem.

A entrevista de Lula ao Podpah, com audiência simultânea de mais de 300 mil pessoas, inaugurou uma nova era na política brasileira, na qual Bolsonaro não é mais a força hegemônica.

A recepção calorosa e amistosa dos entrevistadores do Podpah sinaliza duas grandes mudanças na conjuntura política deste final de 2021.
Uma delas é a celebração de um pacto tácito entre os grandes influencers populares e a candidatura Lula. Esse pacto vem sendo construído há meses. A entrevista de Lula ao podcast de Mano Brown no Spotfy, em setembro, foi o primeiro marco desse movimento. A propósito, a própria plataforma divulgou há dias de que a entrevista de Lula ao rapper paulista foi o podcast de maior audiência no Brasil em 2021.
A segunda mudança é a derrota, em qualidade e quantidade, de Bolsonaro nas redes sociais. Para efeito de comparação, a live de Bolsonaro de ontem, exibida mais ou menos no mesmo horário da entrevista de Lula, tem hoje 90 mil visualizações. A entrevista com Lula ao Podpah já tem 3,4 milhões de visualizações, e crescendo rapidamente a cada minuto.

Deve-se olhar, portanto, para essa entrevista como um divisor de águas.
Dentre as inúmeras diferenças entre o Antigo Regime da mídia, e o novos tempos da internet e redes sociais, uma das mais interessantes é a transparência destas últimas. Quando um medalhão do colunismo político dava sua opinião na imprensa escrita, não tínhamos a menor ideia de quantas pessoas leriam o texto. Mesmo a audiência da TV aberta sempre foi obscura. Havia inclusive interesse, por parte dos grupos dominantes, de manter essa penumbra, que lhes ajudava a esconder seus fracassos, por um lado, e a empurrar conteúdos políticos impopulares, de outro.
O mundo das redes, ao contrário, é de uma transparência brutal. Podemos ver, em tempo real, a audiência de todos os conteúdos. No caso das lideranças políticas, a sua influência nas redes sociais pode ser medida pelo tamanho de sua mobilização.

Bolsonaro se consolidou nas redes sociais. Até ontem, era a liderança política com mais força nesse universo. Por isso conseguiu vencer as eleições mesmo com praticamente zero tempo de rádio e TV.
Com picos de mais de 300 mil de pessoas assistindo simultaneamente, a entrevista de Lula inaugura um novo momento político no país, onde Bolsonaro não mais é mais hegemônico.
Lula já era o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto.

Agora é também a figura política que gera mais mobilização na internet.
A entrevista ao Podpah estorou a bolha da esquerda, e tem potencial de fazer o petista não apenas ganhar mais alguns pontos nas próximas pesquisas, como de reduzir sua rejeição em setores estratégicos da sociedade, especialmente nas periferias das grandes cidades.

Autor: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Clique AQUI e acesse a entrevista de Lula


por Fernando Brito, do site Tijolaco.net

Pesquisa com credibilidade no meio político, o PoderData que se divulgou no final da tarde tem como “novidade” justo o fato de nada ter se movido no terreno eleitoral duas semanas depois do lançamento – com pompa, circunstância e muita mídia – da candidatura de Sergio Moro.


O número alcançado de Moro (8%) no primeiro turno não difere, praticamente, daquele que registrava antes. E, no segundo, apenas se iguala ao que atinge

Bolsonaro. Isto é, aquele que alcança o antilulismo.
A diferença continua confortável para o ex-presidente, maior até do que a mostrada na tabela acima, porque ela se refere a percentuais sobre os votos totais e não sobre os válidos, como considera a lei eleitoral. No caso da disputa com Bolsoaro, o ex-presidente, nos válidos, alcançaria 63,5% a 36,5% sobre Bolsonaro, diferença maior do que teve nas eleições de 2002 e 2006.


E o fato de que a extrema direita, com Bolsonaro ou com Moro, não alcançar sequer o um terço de preferência e, com ambos, parar nos 31% é um indicador de que tem todo sentido pensar que a tendência de Lula é mesmo, no quadro de hoje, ficar acima de 60% no turno final.

Não creio que estes números tendam a mudar significativamente até março, quando, depois das festas de Carnaval, as campanhas estarão, de fato, nas ruas.


Mas, se confirmados os índices alcançados nesta pesquisa nos levantamentos do Ipec (o ex-Ibope) e no Datafolha, o ex-juiz terá colhido seu primeiro revés eleitoral: a montanha não foi a que se julga Maomé.
 

Ainda não chegamos à compreensão de que valorizar um certo ideal de beleza física para as mulheres é um desprezo à sua pessoa. Pois a mulher desejada é só a mulher da cama? E depois

Por Urariano Mota

Em conversa hoje me lembrei das diferentes exigências de beleza para homens e mulheres. A partir de exemplos de atores e atrizes do cinema, pude ver que para os homens se exige certo glamour romântico, que vem do papel representado, nunca do seu tipo físico. Então me lembrei do feio Humphrey Bogart, galã em Casablanca.

Para as atrizes o ideal de beleza era mesmo físico, um ideal que atingia níveis de mutilação no rosto, no corpo. Parece um paradoxo, mas é verdade. Se não, olhem os exemplos de Rita Hayworth, que sofreu eletrólises para aumentar a testa, lifting no nariz, clareamento da pele e cabelos pintados de ruivo. Assim como a bela Marilyn Monroe, que também sofreu eletrólise para aumentar a testa, cirurgias no queixo e no nariz, além de, é claro, se tornar loura por soluções de amoníaco nos cabelos.

Na própria vida real, para os homens se exigem inteligência, cultura e trabalho. Vá lá, também alguns atos teatrais de paixão, bem vistos, embora nunca terminem em harmonia. Dos homens, o exigido, o ideal não é ser esbelto, alto, atlético. A sua maior beleza está em outras características. Mas para elas, o quanto ainda estamos no mais sombrio atraso. Ainda não é nosso o valor universal da mulher soviética, que voava em silêncio com o motor do avião desligado, sobre batalhões nazistas. Ainda não chegamos à compreensão de que valorizar um certo ideal de beleza física para as mulheres é um desprezo à sua pessoa. Pois a mulher desejada é só a mulher da cama? E depois? Ah, esse “depois” não é bem uma inquietação de filósofos. (E filósofo com o significado da caricatura de indivíduo que divaga pelas nuvens)

Esse preâmbulo, que o jornalismo obtuso chamava de nariz de cera, vem a propósito da segunda morte da cantora Marília Mendonça. Depois do desastre da sua morte, sem qualquer civilização ou sensibilidade, falaram coisas do gênero:

"Marília Mendonça era gordinha e brigava com a balança...”, na Folha de São Paulo. Na tevê, no Domingão’ da TV Globo, Luciano Huck excretou sobre o peso de Marília e de Maiara e Maraísa, outras divas do sertanejo:

“Estava lembrando agora. Faz três semanas que eu estava com as três no palco. Três semanas. Na verdade vieram só metade das três no palco, porque estavam as três magrinhas...”.

Para essas falas falsas estéticas, não vale opor um ideal gordo a um ideal magro como figuras abstratas das artes. Não vale nem mesmo opor o ideal das pinturas renascentistas, que não era a esbelta. Seguir esse caminho seria o mesmo que combater a superfície com a superfície. Opor o raso ao rasteiro. A névoa à fumaça. O que importa é ver os casos de pessoas vivas, a nosso redor e memória. No romance “O filho renegado de Deus”, uma senhora gorda é cantada e decantada desta maneira:

“É certo que buscamos fora de nós o que temos dentro do coração.

Aquela mulher, que se debatia para viver um plano ideal de felicidade, afastava de si qualquer movimento de piedade. Pelo contrário, o seu espírito se movia nas condições extremas com a alegria do instante, como criança que captura borboletas coloridas no campo, ou que tenta beijar e tocar as asas ininterruptas de um beija-flor. Esse pulo para o veloz, para a beleza que foge, já, agora, aqui luz do sol te pego com minhas mãos, aqui raio na chuva eu te aprisiono um instante, essa apreensão do fugaz, tinha a consciência antecipada da sua vida breve. Que à falta do gozo durável teria que ser pelo menos intensa. Raio de vida, eu viajo no teu brilho curto. Assim, nessa quase instantaneidade da luz, ela corria veloz e tão ágil, que nem parecia ter as formas da Maria gorda, do beco, da bruxa do lar. Nessa pessoa que se movia ela não estava no seu lugar. Rejeitada, queria o homem total, valente e puro, mas que fosse ainda assim um rejeitado também, não por defeitos merecedores de desprezo, mas por qualidades que o comum da gente não via”.

Eu poderia ainda falar sobre a gorda e negra Ella Fitzgerald, uma das musas do romance “A mais longa duração da juventude”. Ella canta para os corações da juventude na ditadura no Recife. Mas fico na altura destas linhas. Até a semana que vem.

Uraniano Mota é Jornalista do Recife. Autor dos romances “Soledad no Recife”, “O filho renegado de Deus” e “A mais longa duração da juventude”

*Publicado originalmente em Vermelho

O marketing existe desde os primórdios e nunca parou de evoluir. Cada vez avança para o próximo nível de sofisticação, principalmente, liderado pela tecnologia e, claro a internet, as redes sociais, a pandemia fez com que o próximo nível do marketing avançasse 100 casas.

O marketing sempre teve como premissa 4 pontos que são eles:

1- Preço

2- Produto

3- Praça

4- Promoção

Em 2019/2020 uma série de novas tecnologias entram no universo do mundo do marketing  como a Inteligência Artificial (AI), realidade virtual e aumentada, a internet das coisas, veículos autônomos, blockchain (criptomoedas), alto falantes inteligentes (Alexia), drones, projeção holográfica.

Isto mostra que cada vez mais será necessário fazer um bom marketing, ter um branding bem construído e saber utilizar ao nosso favor as tecnologias, a internet e redes sociais. Veja o próprio Facebook com o lançamento e a mudança (META), já revelou que daqui pra frente (lê-se hoje) as pessoas serão o próprio conteúdo.

Este novo marketing mostra uma explosão multissensorial. Tudo será feito para despertar as emoções. Nós seremos inseridos na marca e cada pessoa é sua marca.

Os 5 sentidos precisarão ser ativados todo o tempo enquanto as pessoas entram em contato com seu produto/serviço.

Neste novo contexto o marketing entrará um novo elemento, o 5o. Elemento muito forte, o Sensorial.

Teremos então no marketing os 5 principais pontos:

1- Preço

2- Produto

3- Praça

4- Promoção

5- Sensorial (Profundidade)

Entendendo melhor este quinto elemento do marketing

Gerar Experiência

Esta é a nova comunicação do marketing, gerar experiência.

Gerar experiência precisa seja:

O 5o. Elemento do Marketing

O 5o. Elemento do Marketing é formado por 5 partes:

1- A Experiência - que não estará mais ligada ao luxo, riquezas visuais e valores, mas sim em conectar as memórias emocionais extraordinárias. Sempre pensar em experiências escaláveis. Traga memórias online e offline.

2- A Comunidade - A influência da sua tribo será fundamental no seu marketing. Nela o código da marca, os valores inegociáveis, ter uma conexão real com seu líder influente.

A Comunidade terá o papel de apoiar, trocar e vender o líder influente. O líder deverá comandar esta Comunidade e, quem participar dela se reconhecerá entre si.

Exemplo: Marca Melissa tem As Melisseiras.

3- Amplificar - Contar sua história, reforçar sua origem, reforçar seus valores. É importante amplificar sua história para todos os canais da sua marca, pois isto gera uma conexão profunda da sua essência com a essência do outro.

4- O Karma da Marca - este será um ponto muito sensível a ser observado.

Não somos apenas consumidores, somos pessoas reais. As marcas devem ser responsáveis pelo que prometem e entregam. Transparência e responsabilidade.

A máxima “você é responsável pelo que você cativa…” -- como você vem tratando as pessoas e você mesmo?

Se a marca ferir algo das pessoas, se a marca não cuidar bem do seu cliente, ela vai quebrar.

5- Olhar 360o. - Cada vez mais você deve pensar na vida do seu público de forma holística, captando todos os desejos do seu cliente.

Sua marca já tem sentido estas mudanças?

Quando você vai começar a preparar sua marca para este novo olhar?

Até a próxima semana!

Leiam mais artigos https://aparecidanet.com.br/o-que-e-growth-hacking-por-vivian-perpetuo/

Sobre Neurociência Digital https://aparecidanet.com.br/neurociencia-digital-por-vivian-perpetuo/

assinaturavivianaparecidanet 1
A Nova Comunicação do Novo Marketing 3

Confira diferentes alternativas criadas pelo governo para facilitar a renegociação de débitos das MPE

A crise provocada pela pandemia, que provocou perdas significativas no orçamento das micro e pequenas empresas, levou milhares de empreendedores a uma situação de débito em tributos do governo. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, em 2020, foram assinados 261 mil acordos relacionados a débitos inscritos em dívida ativa, envolvendo R$ 81,9 bilhões. No caso do contencioso administrativo de pequeno valor, a cargo da Receita Federal, foram 2.665 negociações, atingindo um valor aproximado de R$ 37,5 milhões. Para orientar esses donos de pequenos negócios e ajudá-los a regularizarem sua situação, o Sebrae elaborou um Guia que traz um passo-a-passo com os diferentes meios disponibilizados pelo governo para a regularização de débitos.

O Programa de Retomada Fiscal, por exemplo, tem prazos até o fim do ano e prevê parcelamentos em até 145 meses, além de até 100% de descontos em multas, juros e encargos. Há também oportunidades específicas para os setores mais impactados pela pandemia, como o de eventos - fora outras modalidades permanentes. São muitas as vantagens da regularidade fiscal, como a expedição de certidão negativa de débitos (CND) ou positiva com efeito de negativa (CP-EN), assim como a suspensão de atos de cobrança administrativa ou judicial.

Fonte: http://www.go.agenciasebrae.com.br/sites/asn/

O deserto chileno do Atacama, um importante patrimônio da humanidade, está sendo usado como lixão de roupas descartadas por diversos países. Roupas jogadas em um depósito mundial do excesso. Retrato do consumo desenfreado.

O lixão é formado por sobras do “fast fashion”, a moda rápida produzida para ser usada e jogada fora em poucos dias. Altamente poluidora.

Produzir roupas dessa forma rende dinheiro aos magazines. Motiva as pessoas a comprar. O custo ambiental é altíssimo. Segundo dados da ONU, a produção de roupas – que dobrou entre 2000 e 2014 – é responsável por 20% do desperdício de água no mundo. A produção de um par de jeans consome 7.500 litros de água. Fabricar roupas e assessórios gera 8% dos gases tóxicos que alteram o clima no planeta.

Nesse mercado insano de moda rápida e descartável, o setor do vestuário está envolvido em trabalho escravo, trabalho infantil e violência contra a mulher. Somente no Brasil, um milhão de mulheres costureiras trabalha na informalidade e têm seus direitos sistematicamente violados pelas grandes marcas de roupa.

:: A indústria da moda violenta 1 milhão de mulheres costureiras ::

Que moda é essa?

Na esteira do consumo excessivo e fugaz, empresas de moda lançam até 50 coleções ao longo do ano. É roupa para comprar, usar e jogar fora.

É o ápice do consumismo. Roupa-lixo que vai parar no deserto do Atacama, em uma região de zona franca que “importa” as roupas como se fossem de segunda mão. Mas não é importação de roupa. É exportação de lixo por parte de consumidores da Europa, Ásia e Estados Unidos.

São 59 mil toneladas jogadas no deserto a cada ano. As roupas chegam em containers. Pouca coisa é aproveitada. Montanhas de lixo tóxico crescem em pleno Atacama, em uma região chamada Alto Hospicio.

Diante do lixão de Alto Hospicio, poderíamos declarar o restante do planeta o “hospício humanidade”. Estamos a consumir nossa própria existência. O meio ambiente está em vias de colapsar, decorrente de um paradoxo: o modo de vida que destrói a própria vida que busca edificar.

Faz lembrar Leonia, a cidade ficcional criada por Ítalo Calvino em “As Cidades Invisíveis”. Uma cidade opulenta, consumista e imoral.

Em Leonia, a opulência não é representada pela riqueza, mas pelas coisas que são jogadas fora. Todas as coisas são sistematicamente jogadas fora para dar lugar a novas coisas.

Novas mercadorias, as quais se tornam velhas assim que são compradas. Nascem ultrapassadas e precisam ser descartadas para abrir espaço para novos produtos, novas tranqueiras.

O hiperconsumo é violento. Tem a marca da desigualdade, da poluição, do trabalho escravo, do desmatamento, da violência contra a mulher, do trabalho infantil.

Sociedade do espetáculo

No mundo consumista, a realização da felicidade se dá pelo ato do descarte: jogar as coisas fora na expectativa de que a coisa nova sobreponha a coisa velha e tape o vazio de uma sociedade que faz do consumo razão de existir.

O problema é que a coisa nova fica velha no exato instante de sua realização como objeto de desejo. Falsa realização, na qual a mercadoria é o simulacro do gozo interrompido. O estado da arte da impotência diante do próprio ego.

Para entender o consumo, basta abrir as redes sociais. Está tudo lá. Superexposição em sorrisos sinceros e verdadeiros. O colapso do signo em um mundo de relações sociais mediadas por imagens. “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação”, escreveu Debord.

Nesta sociedade do consumo e do espetáculo, jogam-se as mercadorias no lixo e no dia seguinte lá estamos nós, a comprar, comprar e comprar. Qualquer coisa que aplaque a frenética busca pelo santo graal do consumo, a mercadoria perfeita, o falo sagrado que finalmente nos inundará de felicidade.

Consumo de mercadorias, de corpos, de saúde, de religião, de dietas, de imagens. Consumo de vidas superexpostas. O consumo como busca desenfreada por uma felicidade que nunca está onde a procuramos. O consumo em uma sociedade que se tornou a face do seu próprio desamparo.

Bem-vindos ao deserto do real.

Edição: Vivian Virissimo - BdF

DENÚNCIA DE IRREGULARIDADES?

envie um email para

[email protected]

2005 - 2022
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram