Argentina e Alemanha duelam em busca da glória

O templo sagrado do Maracanã verá primeiro europeu campeão nas Américas ou nova festa de país vizinho 64 anos depois

Final da Copa do Mundo de 1990

Não teremos Brasil, mas teremos final. E a , digno de encerrar uma Copa do Mundo de muitos gols, ótimos goleiros e muitas surpresas.

A goleada de 7 a 1 sobre o Brasil conferiu uma autoridade inegável à seleção alemã. O time de Joachim Löw entra em campo com o favoritismo, mas precisará prová-lo em campo. Para isso, conta com uma equipe de jogadores aptos a decidir o jogo. No ataque, Thomas Müller e Klose contam com um dos meio-campos mais talentosos do mundial: Schweinsteiger, Özil, Kroos e Khedira, para achar o caminho do gol. A seleção brasileira que o diga.

Apesar de muito técnica, a defesa alemã tem na velocidade seu ponto fraco. Hummels, Höwedes e Mertesacker – que pode substituir Boateng, devem ter trabalho contra o veloz ataque argentino. De positivo, ficou a lição deixada pela Holanda na partida da semifinal. Os colegas europeus ensinaram aos alemães o “caminho das pedras” sobre como parar Messi. O camisa 10 pouco fez diante do sistema defensivo holandês.

O torcedor sul-americano ainda não sabe se terá Di María em campo. O atacante sofreu uma lesão na coxa durante a partida das quartas de final e sua participação no jogo ainda não é confirmada. Por outro lado, a defesa argentina, muito contestada antes da Copa e durante toda a primeira fase, mostrou evolução e praticamente anulou qualquer ameaça do atacante holandês Robben nas semifinais. Se o sistema defensivo mostrar a solidez necessária e Messi encontrar os espaços que precisa, a Copa do Mundo poderá ir para a Argentina pela terceira vez.

O empate em 0 a 0 na semifinal mostrou que o time sul-americano ainda é muito dependente de uma boa atuação de Messi, mas tem uma defesa mais confiável. E porque não dizer que o torcedor argentino, presente em massa no Rio de Janeiro,  conta com o goleiro Romero caso a disputa vá para os pênaltis.

Hegemonia

Será a terceira final entre os dois países. No primeiro encontro, em 1986, a Argentina de Maradona levou a melhor sobre os alemães e ficou com a Copa. Quatro anos depois, a Alemanha de Lothar Matthäus venceu os sul-americanos. O tira-teima será hoje, no Maracanã, no capítulo final de uma Copa que entrará para a história por agradáveis surpresas, belos gols e uma tragédia em verde e amarelo.

São duas das mais pesadas camisas do futebol mundial. Camisas que vão decidir uma terceira Copa do Mundo, algo inédito. Camisas que desde seus últimos encontros em finais (1986 e 1990) passaram longe das glórias. Mas neste 13 de julho, o Maracanã, a meca do futebol mundial, verá uma delas deixar para trás esse jejum. Alemanha e Argentina duelam por uma estrela a mais em suas camisas cheias de história. E o perdedor não deixará de ser gigante.

Jejum

O jejum de títulos em Copas é parecido. A Alemanha não leva a Copa há 24 anos, quando fez 1 a 0 na Argentina em Roma. Quatro anos antes, na Cidade do México, foi a Argentina que prevaleceu: 3 a 2. No cenário continental a fila também é longa. Os alemães não ganham a Eurocopa desde 1996 e os argentinos estão na espera por um título da Copa América desde 1993. É muita coisa em jogo, amigo.

A Alemanha luta pra ser a primeira seleção europeia a vencer uma Copa do Mundo no continente americano. Nas outras sete (1930, 1950, 1962, 1970, 1978, 1986 e 1994) o campeão sempre foi uma seleção sul-americana. A Argentina conquistou suas duas por essas bandas, uma em casa (1978) e uma no México (1986).

Para repetir a façanha de 28 anos atrás, os argentinos contam com um novo camisa 10 fora de série. Lionel Messi reconduziu sua seleção à condição de pleiteante ao título, algo inédito desde o último encontro numa final contra a Alemanha. Era Maradona o nome daquela seleção. Os milhares de argentinos que tomaram o Rio de Janeiro para a final esperam alçar Messi à mesma condição.

A Alemanha reunificada ainda não teve sua glória em Copas. Sua vitória em 1990 veio três meses antes do fim do lado oriental, ainda que o Muro de Berlim tenha sido derrubado em 1989. Agora, em 2014, um novo país pode saborear uma vitória sem um muro, real ou imaginário, para dividi-los.

Então, façam suas apostas e, será com a base de seus times que venceram as semifinais que Löw e Sabella vão escalar seus jogadores para a grande decisão. Não há segredo, mas há uma grande certeza: o Maracanã verá a história das Copas ganhar um novo capítulo em seu gramado pela segunda vez.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock Detected

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios