Após morte de militares, presidente da Colômbia volta a autorizar bombardeios contra FARC

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Ataque do grupo guerrilheiro deixou 11 militares mortos no sudoeste do país

militaresO presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, retirou nesta quarta-feira (15/04) a ordem que suspendia os bombardeios aéreos contra as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), após um ataque do grupo guerrilheiro na madrugada que deixou 11 militares mortos no sudoeste do país.

Em discurso na cidade de Cali, após se reunir com o Conselho de Segurança do país, Santos afirmou que o episódio na região de Cauca é produto de  “um ataque deliberado, não fortuito das FARC”.

Na madrugada de hoje, dez soldados e um suboficial morreram em um ataque realizado pelas FARC contra um pelotão do Exército que estava descansando em um ginásio esportivo no corregimento de Timba.

O líder guerrilheiro Félix Antonio Muñoz, conhecido como “Pastor Alape”, afirmou em Havana, onde se desenrolam o processo de paz, que os enfrentamentos de hoje foram causados pela “incoerência” do governo colombiano, “que está ordenando operações militares contra uma guerrilha em trégua”.

Em 20 de dezembro, após mais de dois anos de negociação de paz com o governo colombiano, as FARC haviam declarado um cessar-fogo unilateral. Em reposta à iniciativa, o presidente Santos ordenou, em 10 de março, a suspensão dos bombardeios aéreos contra os acampamentos das FARC — medida que havia sido renovada na última quinta-feira (09/04).

Em sua declaração de hoje, Santos assinalou que o ataque é “um fato condenável que não ficará impune, exige medidas contundentes e terá consequências”. Neste sentido, Santos salientou que as Forças Armadas “não suspenderam nem suspenderão suas ações de proteção à sociedade nem suas ações de controle militar”.

Apesar da resposta ao ataque de hoje, Santos insistiu em seu propósito de acelerar as negociações com as FARC em Havana.

“Seja emboscada, contraemboscada, assalto ou o que quer que tenha sido, o temos que observar é que há alguns colombianos mortos e isso tem que parar. Não se explica por que no meio do processo de paz, em que a guerrilha decreta trégua, se desenvolvam operações contra o grupo”, acrescentou o líder das FARC em Havana.

O guerrilheiro Pastor Alape afirmou que o “cessar-fogo bilateral é urgente para a nação”.

Operamundi