Alunos brasileiros perdem 10% das aulas com professor que atrasa e sai mais cedo

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educacaoDo total de 200 dias letivos do ano escolar aos quais os alunos brasileiros têm direito, 20 dias são desperdiçados por conta de atrasos dos professores, saídas dos docentes antes do término da aula e com outras atividades que nada tem a ver com o ensino e a aprendizagem. Nesse cálculo sequer foi considerado o tempo perdido com a contenção da bagunça e com a realização de outras atividades pelo professor, como a realização de chamada e a entrega de trabalhos escolares.

O desperdício de 10% dos dias letivos é uma das constatações presentes na mais recente pesquisa publicada pelo Banco Mundial, a Great Teachers: How to Raise Student Learning in Latin America and the Caribbean (Grandes professores: como melhorar o aprendizado dos estudantes na América Latina e no Caribe, em português).

O estudo da instituição – reconhecida por elaborar uma série de pesquisas para subsidiar políticas públicas na área da educação – foi feito em mais de 15 mil salas de aula de três mil escolas primárias e secundárias em sete países latinos, incluindo o Brasil. Na América Latina, como um todo, o porcentual do “desperdício” é de 9%.

Segundo o Banco Mundial, esse desperdício constatado em outros países da região e também no Brasil é causado pelo fato de os professores “estarem fisicamente ausentes da sala de aula, chegarem atrasados, saírem mais cedo ou realizarem outras atividades da escola no horário da aula”, afirma estudo.

O tempo perdido também é consequência de os docentes estarem “ocupados com interações sociais com alguém na porta da sala de aula ou simplesmente por não estarem interagindo com a turma”.

A situação, segundo a publicação, se reflete nos “parcos resultados educacionais” apresentados pelos países da região, explica, por meio de comunicado, Barbara Bruns, economista-chefe do Banco Mundial na área de educação para a América Latina e o Caribe e autora do relatório.

Nos países desenvolvidos, diz o estudo, o índice de desperdício de tempo se aproxima de zero. O relatório ainda afirma que, nas melhores escolas, os docentes “nunca saem da sala de aula”.

Tragédia

Para o especialista em educação Claudio de Moura Castro, ex-diretor da Fundação Capes – responsável por programas de formação de professores da educação básica no País -, os dados apresentados pela pesquisa representam um “tragédia” da educação brasileira, especialmente das escolas públicas do País.

“Se o professor faz isso porque ele acha que ganha pouco, por que não pede demissão?”, critica Castro. Segundo ele, a solução para resolução do problema passa, necessariamente, por uma maior participação dos pais nas escolas. “Os pais têm que cobrar. O sistema escolar não pode correr solto, é preciso um acompanhamento e cobrança constante dos familiares junto aos professores e à direção das escolas”, fala o especialista.

“Esse tipo de pesquisa reforça a responsabilização do professor. Isso porque boa parte do atraso ocorre por conta dos deslocamentos que parte dos professores têm que fazer para dar conta de uma dupla jornada, em escolas diferentes. Dessa forma, é preciso enxergar que as redes públicas de ensino do País também são responsáveis por isso, especialmente pela maneira que são distribuídas as aulas. Precisamos ter uma gestão mais eficiente de distribuição de aulas”, diz Cara.

MEC

Consultado, o Ministério da Educação (MEC) disse que “considera preocupante o desperdício”. A pasta ainda informa que “mantém programas de apoio às redes, que conforme determina a LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação] são de responsabilidade das secretárias estaduais e municipais”

Por fim, o MEC afirma que “as atuais diretrizes curriculares nacionais já apontam para um melhor aproveitamento do tempo nas atividades escolares com objetivo de construir propostas curriculares mais integradas, envolvendo componentes de uma mesma área de conhecimento ou de diferentes áreas. Isso implicaria aulas com maior tempo de duração e menos trocas de professor”.

IG