Altamiro Borges: O “mensaleiro” e o palanque de Aécio em Minas

O ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo, disse nesta quinta-feira (22) que participará da campanha de Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano.

Considerado o pai do chamado esquema do “mensalão”, responsável pelos primeiros contratos com a agência de publicidade de Marcos Valério, ele garantiu que “vou ajudar na campanha no que for preciso, porque não me sinto impedido para isso”.

De fato, o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou o tucano livre e solto — enquanto mantêm presos ilegalmente, em regime fechado, o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoíno, entre outros acusados do “mensalão petista”.

A mídia tucana, que evita fazer escarcéu sobre o ex-deputado do PSDB, parece que não gostou da sua declaração atrevida.

Segundo a Folha, ela pode atrapalhar os planos de Aécio Neves. “Aliados do presidenciável preferem que Azeredo fique afastado dos holofotes”, registrou o jornal.

As fotos de Eduardo Azeredo nos palanques com Aécio Neves e Pimenta da Veiga — candidato tucano ao governo de Minas Gerais e também envolvido no esquema do “mensalão” — poderiam melar o falso discurso “ético”, udenista, da oposição de direita. Segundo a Folha, a sua presença seria constrangedora:

“Aliados de Aécio Neves afirmam que, apesar de Azeredo ter a solidariedade do partido, acham que ele próprio decidirá ‘se preservar’ de aparições ao lado do presidenciável. Questionado sobre uma eventual participação de Azeredo em sua campanha, Aécio Neves disse, lacônico: ‘Da forma que ele achar adequada’. Interlocutores de Aécio dizem ainda que Azeredo se ‘ressente pessoalmente’ de notícias que o vinculam ao mensalão tucano e que, como o caso é mencionado sempre que está ao lado do senador, acabaria se convencendo de que é mais prudente manter-se afastado dos holofotes”.

Eduardo Azeredo renunciou oa mandato de deputado federal em fevereiro passado, após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir a sua condenação a 22 anos de prisão pelo envolvimento no “mensalão tucano” — que a mídia amiga insiste em chamar de “mensalão mineiro”.

O STF, sempre tão seletivo em seus julgamentos, remeteu o processo do ex-presidente do PSDB à primeira instância, o que pode levar à prescrição da pena. Neste sentido, ele acerta ao dizer que não se sente “impedido” de subir ao palanque de Aécio e Pimenta da Veiga. Vamos ver se terá coragem!

PS do Viomundo: Não se pode esquecer que 1 Pimenta da Veiga equivale a 6 João Paulo Cunha, como escreveu Paulo Moreira Leite. O deputado petista recebeu R$ 50 mil do esquema de Marcos Valério. Foi condenado e está preso. Pimenta da Veiga recebeu R$ 300 mil. Vai ser candidato a governador.[saiba_mais]

Anotou PML:

Você pode achar que era tudo a encenação de um conto da carochinha. Mas daí eu pergunto: como explicar o que aconteceu com Pimenta da Veiga? Ele não tinha notas fiscais nem depoimentos para justificar os R$ 300 000. Disse na época que havia prestado serviços de advocacia para a DNA e a SMP&B, agências de Valério. A Polícia Federal registrou que queria alguma prova de que havia feito algum trabalho de verdade, como um parecer escrito ou coisa assim. Não havia. Pediu que Pimenta da Veiga apontasse empresas ou pessoas envolvidas nos casos em que havia atuado em tribunais. Nada. Alegou-se que eram casos internos. Em 2002, não custa recordar, as agencias de Valério tomavam parte na campanha de Aécio em Minas Gerais. Cristiano Paz, um dos maiores publicitários do Estado, chegava a despertar inveja entre os concorrentes pela facilidade de transitar entre o PSDB mineiro. Seu sócio Ramon Hollerbach tinha cadeira cativa no comitê de campanha do PSDB. Hoje, condenados a mais de 20 anos, os dois vivem confinados na Papuda, cumprindo os rigores do regime fechado.

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