Alemanha é tetra. Argentina “ganha” seu Maracanazo na Copa

Götze entra no final do tempo normal para, com gol, no segundo tempo da prorrogação garantir a sua Alemanha o quarto título mundial e “dar” a Argentina o seu sonhado “Maracanazo”

No Mundial em que gigantes do futebol como Brasil e Espanha foram humilhados sem piedade por goleadas, Alemanha e Argentina fizeram um confronto de cavalheiros. Duas filosofias diferentes que se confrontaram neste domingo diante de 74.738 espectadores no majestoso Maracanã. alemanha1Troca de passes contra defesa forte e contra-ataques. Características tão marcantes das duas escolas que nem os talentos individuais, que não eram poucos, conseguiram ofuscar. Mas um campeão do mundo precisa ser eficiente. Ponto, ou taça, para os alemães.

Há 64 anos, o Maracanã, mais lotado e menos moderno, viu a seleção da casa sair frustrada com a derrota na final para o Uruguai. O sonho mais doce dos argentinos, maioria no Rio de Janeiro (no estádio e nas ruas) era repetir o Maracanazo sobre o Brasil. Não foi possível, mas eles agora têm seu próprio Maracanazo. Após empate sem gols no tempo normal, a Alemanha aproveitou a única chance dentro da área que teve na prorrogação para fazer 1 a 0, com Gotze, e conquistar a Copa do Mundo pela quarta vez. Agora faz parte do grupos dos tetracampeões, ao lado da Itália.

A taça levantada pelo capitão Lahm abrilhanta o trabalho de um país que revolucionou sua forma de revelar jogadores investindo em categorias de base, dez anos após ser eliminado na fase de grupos de uma Eurocopa. Uma seleção formada de um alicerce levantado em 2006, reforçado em 2010 e concluído com êxito em 2014. Ainda teve tempo de, com o 7 a 1 na semifinal, dar uma aula no anfitrião da Copa, que se intitula o país do futebol.

Foi um epílogo emblemático para um Mundial que precisou romper preconceitos e pré-conceitos para ser aceito e se consagrar como uma das mais bem-sucedidas da história pelo que produziu em campo e fora dele. No país do improviso, a infraestrutura funcionou de forma satisfatória. O temor estrangeiro por manifestações violentas deu lugar a sorrisos, fantasias e muita festa pelas 12 cidades-sede. A ideia de que tudo conspirava para um título do Brasil jogando em casa foi sepultado junto com o fantasma da Copa de 1950 após um humilhante 7 a 1. O time de Luiz Felipe Scolari, elogiado pela defesa sólida, se despediu melancolicamente após 14 gols sofridos. Ronaldo, fenomenal em campo, perdeu seu recorde de gols em Mundiais para Klose, que compensa a falta de habilidade com muita eficiência na área.

Sustosargentina torcedores

Alemanha e Argentina não trouxeram inovações táticas para a final e mantiveram suas posturas durante a competição. Os europeus trocavam passes, os sul-americanos se fechavam na defesa em busca de contra-ataques. Das sete chances criadas no primeiro tempo, a maioria serviu mais para arrancar o grito de “Uh!” da arquibancada. Mas o time de Sabella foi mais consistente quando partiu para cima do adversário.

Ninguém gosta de tomar sustos, por isso o temor alemão quando, aos 20 minutos, Kroos cabeceou para trás de presente para Higuaín. De frente para Neuer, porém, o atacante chutou torto. O close das câmeras mostrou a indignação de Mascherano com o erro, como quem aceitasse que esse gol perdido poderia fazer falta.

Nove minutos depois, Messi lançou Lavezzi pela direita. O cruzamento foi certeiro para Higuaín, mas a posição dele era irregular. Em um de seus lampejos antes do intervalo, o camisa 10 argentino entrou na área pela direita e tocou para trás na saída de Neuer, mas Boateng tirou o perigo.

Embora mais consistente na etapa inicial, com 63% de posse de bola, a Alemanha teve quatro de suas chances de gol interrompidas por conta de impedimento. O técnico Joachim Low ainda teve de fazer uma troca forçada. Kramer, que de última hora substituiu Khedira (problema na panturrilha) no meio de campo, saiu aos 30 minutos desnorteado após uma trombada com Garay.

Passou perto…

Mal saiu do vestiário e a Argentina, que trocou Lavezzi por Aguero no ataque, voltou a ter a sensação de que o gol perdido poderia fazer falta, justamente com Messi, que encontrou mais espaço para se movimentar e pelo esquerdo invadiu a área para bater cruzado, raspando a trave esquerda de Neuer.

Espaço como esse encontrado por Messi para marcar não apareceu com tanta frequência nesta final. A Argentina encontrava dificuldade para passar pela defesa adversária mesmo com dois homens de mais presença na área. A Alemanha abusava dos toques e não arriscava chutes. Um lance ilustra bem essa situação. Aos 25 minutos, uma troca de passes entre a seleção europeia deixou Schurrle dentro da área, mas em vez de arrematar o alemão tentou um toque a mais na bola, que ficou nas mãos de Romero.

Logo depois, Messi chamou para si e tentou em sua jogada clássica, buscando o espaço para o arremate de esquerda, mas errou o alvo. Aos 35, foi a vez de Kroos chutar fraco e para fora após ter caminho livre. Gols que poderiam fazer falta…

Apenas aceitaram

Antes do fim do tempo normal em 0 a 0, as duas seleções fizeram substituições já pensando na prorrogação. Klose, maior artilheiro da história das Copas (16 gols) deixou o comando de ataque para a entrada de Gotze. A Argentina sacou Enzo Perez e reforçou o meio de campo com três volantes ao colocar Gago. Troca de passes x contra-ataque, mais do que nunca.

Mas aí bate aquela sensação outra vez, agora com Palacio, que tentou dar um chapéu em Neuer em vez de concluir no gol e errou. Poderia fazer falta.

Quem não faz…

E fez falta. Nem Mascherano, que se indignou com a primeira chance perdida pela Argentina ainda no início, poderia esperar golpe tão cruel. Schurrle avançou pela esquerda, deixou três marcadores para trás e achou Gotze na área. Ele bateu de esquerda e venceu Romero, para alucinar os alemães e calar os argentinos no Maracanã.

A Argentina ainda teve uma última chance, com Messi. A reação após a cobrança de falta, por cima da meta de Neuer, resume sua atuação no tempo extra: apatia e cabeça baixa.

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