Aécio mais ataca Dilma do que apresenta propostas ao agronegócio

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aecio“O aprendizado do PT no governo custou muito caro, demonizando privatizações, afastando investidores”, disse o candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), durante a sabatina realizada pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura). Os ataques à atual gestão foram a centralidade do discurso do tucano, que tratou de desviar respostas e intenções objetivas para criticar Dilma Rousseff (PT).

Se eleito, o seu primeiro dia de governo já está com a agenda cheia. Duas promessas de assuntos trabalhosos, por exemplo, estão na lista de Aécio para a data: a criação de um Superministério da Agricultura e a mudança na política externa do comércio. Para este último, o candidato não explicou de que forma o fará: “sobre o mercado externo, eu faço uma garantia ao senhores, a partir do 1º dia, política externa é comércio, é pragmatismo, e não mais ideologia”.

Sobre o fortalecimento da pasta, Aécio Neves atacou a gestão atual: “criarei no 1º dia um super Ministério da Agricultura, vou incluir a Pesca novamente, vou discutir outras ações, que terá igualdade de condições do Ministério da Fazenda e Planejamento. No meu governo, o Ministério da Agricultura não será subordinado à Fazenda e, sobretudo, ao Banco do Brasil, como ocorre em determinados governos”.

Para a pasta a ser potencializada, Aécio defende que também caberá a decisão de políticas de logística e infraestrutura, como a criação de marcos regulatórios, para fortalecer, por exemplo, hidrovias e ferrovias. Também ao novo Superministério será destinada a discussão dos “principais eixos de desenvolvimento para a produtividade no Brasil” e será responsável por “destravar investimentos sempre anunciados”, o que atualmente, segundo o candidato, nunca são efetivados.

A centralização da força desse Superministério também é destacada: “a estratégia da Agricultura e Pecuária será eu (*sic) [minha]. Os ministros, executores dessa política”, disse Aécio Neves.

Em meio a uma ampla agenda do agronegócio, o candidato tucano apresentou propostas para temas específicos, mas de maneira generalizada, sem explicar os caminhos ou as formas de viabilizar tais demandas.

Levantou que a cabotagem no Brasil deve se tornar mais competitiva; que a burocracia da política agrícola deve ser simplificada, com “uma abordagem cada vez mais integrada”; o seguro rural “adequado” será “tratado com absoluta prioridade”; avançar na legislação que regulamenta a terceirização, superando “entraves que geram insegurança e custos adicionais a quem trabalha” e dando “ao projeto clareza” e, para a lista de melhorias de Aécio, mais uma vez atacando o governo, as “agências reguladoras sairão da cota dos amigos e das amigas”.

Já em pautas relacionadas à proteção dos indígenas e ocupações em assentamentos, Aécio Neves apontou sua frágil flexibilidade.

“No meu governo, farei cumprir a lei, em todas as suas dimensões. As fazendas invadidas não serão desapropriadas por um prazo de dois anos. Respeitamos o direito de propriedade. Não podemos deixar que instabilidade de assentamentos mal conduzidos possa gerar instabilidade a quem está no campo produzindo”, defendeu.

Mostrando relativa preocupação, afora aquele público ouvinte de produtores rurais e proprietários de terras, com os movimentos sociais de habitação e reforma agrária, o candidato tucano indicou que tais medidas também favoreceriam esses grupos. Fazer cumprir a lei, “para que os assentamentos que ocorreram, e os que vierem a ocorrer, possam ser geradores de renda”.

Além da segurança jurídica aos grandes produtores, a demarcação de terras indígenas está nas definições de Aécio: “o governo não pode continuar omisso”. Para ele, é preciso “fazer cumprir a Constituição, que define o que são áreas indígenas”. “A FUNAI sempre tem papel relevante, mas não poderá ser a única e solitária voz a decidir por todas essas vozes”. Defende que “os estados também possam decidir” sobre as questões de territórios indígenas.

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Ao responder uma pergunta pedindo que o candidato aprofundasse esse tema, Aécio precisou usar a “cola” das anotações do papel, e ainda gaguejou ao falar o nome Raposa Serra do Sol. Na ocasião, tentava comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a terra indígena situada em Roraima. Sobre o prazo de 5 anos estabelecido na legislação para a demarcação dessas terras, ele falou que “nem precisaria de tanto”.

Para concluir essa pergunta, Aécio Neves disse: “o presidente vai oferecer o que falta no Brasil: autoridade e liderança”.

Ao final, o candidato tucano encerrou anunciando que também está na sua lista de prioridades “resgatar definitivamente a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] como o mais vigoroso instrumento de pesquisa do Brasil”. A sua proposta é criar plataformas de pesquisa aprofundadas nos biomas nacionais: serrado, mata atlântica, caatinga, pantanal e pampa.

GGN