A lista dos 10 melhores filmes na opinião de cineastas renomados

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Não são poucas as listas de melhores filmes assinados por críticos e apaixonados do cinema. No entanto, esta é bem diferente de todas as outras já realizadas.10-melhores-filmes-historia

A revista Sight and Sound decidiu consultar centenas de diretores para elaborar umalista dos 10 filmes que mais se destacaram na história da sétima arte.

Ao todo foram convidados a opinar nada menos e nada mais que 358 cineastas de todo o mundo.

Entre eles, constam figuras de proa como Woody Allen, Nuri Bilge Ceylan, Quentin Tarantino, os irmãos Dardenne, Terence Davies, Guillermo del Toro, Martin Scorsese, Olivier Assayas, Michael Mann, Guy Maddin, Francis Ford Coppola, Mike Leigh, Aki Kaurismäki, entre muitos outros. Uma representação ampla que incluiu ainda vários realizadores africanos e asiáticos.

Todos eles elaboraram o seu “top10″, e a lista a seguir foi formada com os filmes mais votados.

10. Ladrões de Bicicletas (1948), de Vittorio de Sica (29 VOTOS)

Ladrões de Bicicleta é um dos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 40 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma; movimento que possui alguns dos melhores filmes da história do cinema. A história de Ladrões de Bicicleta se passa logo após a segunda grande guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci (interpretado pelo amador Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego (de colar cartazes na rua) lhe pedia como obrigação uma bicicleta, já que ele deveria se locomover muito e andando não seria uma boa opção, por causa do tempo que seria desperdiçado. Sem dinheiro, Ricci e sua mulher Maria (interpretada por Lianella Carell) conseguem dinheiro para uma bicicleta, possibilitando Ricci de realizar o seu trabalho. Na história há também o menino Bruno, interpretado por Enzo Staiola, filho do casal de aparentemente 10 anos, no máximo. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhe foi roubada, enquanto Ricci trabalhava em seu primeiro dia. Esse roubo é o empurrão para o desenrolar do filme, a busca incansável de Ricci, seu filho e amigos para recuperar o objeto não só de trabalho, mas de esperança de uma vida melhor da família.

9. O Espelho (1975), de Andrei Tarkovsky (30 VOTOS)

Um homem na casa dos 40 anos de idade está prestes a morrer e começa a relembrar o passado, os tempos de calmaria e a guerra. Ele relembra sua mãe que sofreu depois de ser abandonada com um filho pelo marido, os horrores da guerra e a sua infância. Momentos pessoais, mas que contam a história de toda a nação russa. Por ser inspirador, Andrei Tarkovsky foi chamado de “Dostoievski do Cinema”. O filme O Espelho é quase um diário de memórias do diretor, com uma narrativa amparada nas poesias do próprio pai, o que confere um ar romântico ao enredo.

8. Um corpo que cai – Vertigo (1958), de Alfred Hitchcock (31 VOTOS)

Em São Francisco, James Stewart interpreta um detetive com medo de altura, contratado para seguir a esposa de um amigo (Novak) com tendências suicidas. Após resgatá-la de uma queda na baía, ele se torna obcecado pela bela e atormentada mulher. Um dos mais arrepiantes romances do cinema, apresenta uma fascinante miríade de inusitados ângulos de câmera de algumas das mais renomadas paisagens de São Francisco. Vertigo é considerado a obra prima do mestre Hitchcock.

7. O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola (31 VOTOS)

Indiscutivelmente é uma das obras-primas do cinema americano. Marcou a carreira de Marlon Brando no papel principal do filme. Baseado no best-seller de Mario Puzo, O Poderoso Chefão é um verdadeiro fenômeno cultural que ultrapassou US$ 100 milhões de arrecadação, contando a história da família Corleone. Don Vito Corleone é o líder de uma família mafiosa de Nova York. Problemas surgem quando um gângster apoiado por outra família da Máfia, Sollozzo, anuncia suas intenções de começar a vender drogas em toda Nova York. Don Vito odeia drogas. A rivalidade entre os dois nasce dessa discordância a ponto de Sollozzo tramar o assassinato de Don Vito, mas o tiro sai pela culatra e Don Vito não morre. O fantástico elenco tem Al Pacino encarnando o filho de Don Vito, Michael Corleone. James Caan é Sonny Corleone, Robert Duvall é Tom Hagen, John Cazale interpreta Fredo Corleone, Talia Shire (irmã de Coppola) é Conni Corleone e Diane Keaton vive Kay Adams. O Poderoso Chefão recebeu três estatuetas do Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Ator (Marlon Brando) e Roteiro Adaptado, por Mario Puzo e Francis Ford Coppola. Foram 11 indicações, incluindo Ator Coadjuvante para Al Pacino, James Caan e Robert Duvall. Marlon Brando recusou o Oscar e não compareceu à cerimônia por achar que os Estados Unidos, especificamente Hollywood, discriminaram os povos indígenas.

6. Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola (33 VOTOS)

Apocalypse Now é uma das mais chocantes e realistas visões que o cinema já teve sobre a Guerra do Vietnã. O conflito serve como pano de fundo para a missão do Capitão Willard (Martin Sheen). O comandante dos rebeldes é o Coronel Kurtz (Marlon Brando), um condecorado oficial americano que, inexplicavelmente, abandonou seu posto. As ordens de Willard incluem o extermínio de Kurtz, mas a caminho de seu alvo ele desenvolve uma estranha admiração pelo Coronel, o que tornará o sucesso de sua missão mais difícil. O diretor Francis Ford Coppola mostra, através de sua câmera, toda a loucura que marcou o conflito, e recebeu por isso três Oscars: Melhor Ator Coadjuvante (Robert Duvall), Melhor Som e Melhor Fotografia. Também recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

5. Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese (34 VOTOS)

Robert DeNiro estrela ao lado de Jodie Foster, Cybill Shepherd, Harvey Keitel, Peter Boyle e Albert Brooks uma realista história sobre um psicótico taxista nova-iorquino que busca na violência uma forma de salvar uma prostituta adolescente.

4. 8½ (1953), de Federico Fellini (40 VOTOS)

Fellini 8 e ½: a maior das obras-primas de Fellini conta a história de Guido (Marcello Mastroianni), um cineasta em crise de inspiração, que não consegue encontrar a idéia para seu próximo filme. Durante uma temporada de férias, é assombrado por sonhos e recordações de passagens marcantes de sua vida. A fotografia deslumbrante, a célebre música de Nino Rota, o tom autobiográfico do roteiro… Tudo no filme funciona à perfeição. Nunca se fez uma obra tão genial sobre o processo de criação no cinema.

3. Cidadão Kane (1941), de Orson Welles (42 VOTOS)

Precocemente, aos 26 anos, Orson Welles já demonstrava toda a sua genialidade neste grandioso filme que influenciou toda a história do cinema. Para contar a vida de um magnata da imprensa, visivelmente inspirado em William Randolph Hearst, Welles usou velhos recursos cinematográficos, como flashbacks, e incorporou inovações impressionantes para a época, como a narrativa não linear e ângulos de câmera inusitados. Mesmo após mais de 60 anos de sua estréia, Cidadão Kane é ainda um ponto de referência para a evolução da linguagem cinematográfica. Considerado por toda crítica mundial um dos melhores filme de todos os tempos.

2. 2001: Odisseia no Espaço, (1968), de Stanley Kubrick (42 VOTOS)

“2001: Uma Odisséia no Espaço” é uma contagem regressiva para o futuro, o mapa para o destino da humanidade, uma indagação para o infinito. Ele é fascinante, vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Especiais, mostra o drama entre a máquina e o homem envolto em música e movimento, um trabalho tão influente que Steven Spielberg o comparou com o “Big Bang” dos produtores de sua geração. Talvez seja o maior trabalho do diretor Stanley Kubrick (que escreveu o roteiro junto com Arthur C. Clarke) que ainda inspira e fascina inúmeras gerações. Para começar sua viagem pelo futuro, Kubrick visita nosso passado ancestral, então salta milênios (em um dos maiores cortes já concebidos) para o espaço colonizado onde o astronauta Bowman (Keir Dullea) entra realmente no universo, talvez até para a imortalidade.

1. Era uma vez em Tóquio: (1953), de Yasujiro Ozu (48 VOTOS)

Um casal de idosos vai a Tóquio visitar seus filhos. Eles percebem então que a relação entre eles mudou. A vida os tornou mestres de suas próprias existências, com seus acertos e erros. Eles, apesar de até quererem, não possuem mais tempo para os pais. Eles encontram, no entanto, a compreensão na viúva de um dos filhos. Existe ali a ternura oriunda de buscarem cada um no outro traços daquele que já partiu dessa vida. Eles também encurtam a estadia em Tóquio. Ao retornarem para seu lar a mãe tomba esgotada. Desconfia-se que foi devido a tristeza que ela imagina ter causado a seus filhos. A doença faz com que os filhos façam a viagem inversa, mas é tarde. Muitos consideram a obra de Ozu conformista demais. É ledo engano, Ozu talvez seja um conformado. É preciso aceitar aquilo que não pode ser mudado: a velhice, a morte, as doenças. Em suma é a ordem natural das coisas. Em Ozu, a câmera parece estar num canto, tamanha a captação do cotidiano que surge naturalmente diante de nossos olhos. É sabido que Ozu a mantém na altura do olhar de uma pessoa sentada no tatame. Este filme faz parte das obras que elevaram o cinema ao posto de arte. Considerado a obra-prima máxima do diretor.