A esquerda e a direita após a eleição da União Europeia

pablo“Esta é a oportunidade de eleger o futuro que queres”, dizia a campanha para incentivar os eleitores a votar neste domingo (25/05). O resultado foi perda de espaço do bipartidarismo europeu em contraponto com o avanço de partidos de esquerda e de extrema-direita. Apesar de o Partido Popular Europeu (PPE) e os social-democratas se manterem como as principais forças no Parlamento, eles precisarão reavaliar os rumos da União Europeia.

A esquerda ganhou terreno e consolidou a presença de 42 eurodeputados, sete a mais do que o obtido há cinco anos. O resultado é uma resposta às políticas de austeridade, à ineficiente gestão da crise e à falta de políticas para gerar mais empregos. Desde 2008, a taxa de desemprego da União Europeia disparou, atingindo a marca de 10,6% em setembro de 2013.

O pedido por mudanças foi mais expressivo na Grécia, com a vitória do Syriza, que obteve 26,5% dos votos no país, e na Espanha, onde a Coalização Esquerda Plural e o ingressante Podemos conquistaram 11 cadeiras.

Grécia

Elo mais fraco da Zona do Euro, a Grécia indicará oito deputados de esquerda ao Parlamento, cinco a mais do que em 2009. Os gregos votaram em meio à alta taxa de desemprego, que ultrapassa 25%, de acordo com o Eurostat.

O Syriza, liderado pelo candidato grego à Comissão Europeia, Alexis Tsipras, foi o grande vencedor do pleito, tendo como principal bandeira a luta contra a austeridade. O Partido Comunista da Grécia (KKE) conquistou duas cadeiras com 6% dos votos.

Desde que as medidas de austeridade foram implantadas, diversas manifestações ocorreram no país contra as políticas impostas pela Troika (Banco Cental Europeu, FMI e Comissão Europeia) à Grécia. Jovens, trabalhadores e pequenos comerciantes foram os mais atingidos.

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Espanha

Com um crescimento de quase um milhão de votos, a Esquerda Unida tornou-se a terceira maior força política espanhola. O grupo terá quatro deputados a mais este ano, somando cinco cadeiras no total, na Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/ING).

Além disso, o Movimento Podemos surpreendeu e garantiu cinco vagas no Parlamento, indo para o bloco dos Não Afiliados em Bruxelas. Criado há apenas três meses, ele obteve mais de um milhão de votos (8% do total). Os analistas consideram que o movimento reuniu parte do chamado “voto 15-M”, saído do movimento social de protesto de 2011.

O resultado marca, também, o fim do bipartidarismo no país, já que o Partido Popular (PP) e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) juntos não ultrapassam os 50%, perdendo mais de cinco milhões de votos com relação à votação de 2009.

Estas eleições acontecem quase quatro anos após do anúncio de cortes de gastos do então primeiro-ministro José Luis Rodruígez Zapatero (2004-2011), em decorrência da crise causada pela falência do banco Lehman Brothers, e três do surgimento do 15-M.

Outros países

Proporcionalmente, os países com maior representação da esquerda são Chipre, onde 1/3 dos deputados eleitos são de esquerda; seguido pela Irlanda, com 27%, e Grécia, com 26,5%.

Em Portugal, a Coligação Democrática Unitária formada pelo Partido Comunista Português e pelos Verdes terá quatro cadeiras no Parlamento, sendo três do Partido Comunista (PCP), que defende a saída de Portugal da zona do euro e um do Bloco de Esquerda.

Na Irlanda, o Sinn Féin, um dos movimentos políticos mais antigos do país, obteve três assentos, aumentando em dois deputados sua representação.

Na Finlândia, a Aliança de Esquerda (VAS) terá um deputado. A VAS foi fundada através da fusão da Aliança Democrática do Povo Finlandês, do antigo Partido Comunista da Finlândia e da Aliança Democrática das Mulheres da Finlândia.

Os países que terão representação de esquerda no Parlamento Europeu são: Alemanha (7); França (4); Reino Unido (1); Espanha (5); Grécia (8); República Tcheca (3); Portugal (4); Suécia (1); Dinamarca (1); Finlândia (1); Irlanda (1) e Chipre (1).

Fonte: pragmatismo politico

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