Inflação e juros no Brasil disparam e estão entre as maiores do mundo

Entre as grandes economias mundiais, apenas a Turquia está em situação similar à do Brasil

Da Redação
09/05/2022 - 09:51
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Inflação e juros no Brasil disparam e estão entre as maiores do mundo

O governo Jair Bolsonaro deixou a economia brasileira sob uma “tempestade perfeita”. Conforme levantamento da agência Austin Rating para o portal G1, o Brasil é um caso raro de país que vive hoje taxas de dois dígitos tanto para a inflação e os juros como para o desemprego.

O levantamento reúne os dados mais atualizados de 23 países, que representam 81,4% do PIB global, além das taxas da zona do euro. Entre essas grandes economias mundiais, apenas a Turquia está em situação similar à do Brasil, com uma “tríplice coroa” negativa. Não por acaso, a Turquia também é governada por um presidente autoritário, conservador e ultraliberal.

Segundo o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, autor do levantamento, a combinação de três indicadores na casa dos dois dígitos não é inédita no Brasil. Mas, em 2022, “passou a ser recorrente”.

Há oito meses seguidos, a inflação anual do Brasil está acima dois dígitos, conforme mostrou a prévia da inflação de abril divulgada pelo IBGE. A taxa básica de juros (Selic) superou os 10% em fevereiro e foi elevada na última quarta-feira (4) para 12,75% ao ano – maior patamar desde 2017. Já a taxa de desemprego ficou em 11,1% no 1º trimestre e se mantém em dois dígitos desde o final de 2015.

Os dados mostram uma crise econômica prolongada, além da falta de rumos do governo Bolsonaro. “Temos no Brasil um problema tão crônico, tão estrutural, que a relação dessas variáveis sai do padrão técnico-econômico”, afirma Agostini. Segundo ele, inflação e desemprego costumam ter uma relação inversa: quando um aumenta, o outro diminui.

O economista compara a situação brasileira com a dos Estados Unidos, onde a inflação é puxada não apenas pela disparada dos preços da energia e de commodities – mas também pela situação de pleno emprego. “Nos Estados Unidos, há renda para absorver a alta da inflação. Já no Brasil, a gente não tem um mercado de trabalho para absorver essa inflação alta”.

Apesar da perspectiva de desaceleração da inflação a partir dos próximos meses, as projeções para o IPCA fechado no ano seguem sendo revisadas para cima. O próprio Banco Central já admitiu que a meta de inflação deve superar pelo segundo ano seguido o teto da meta do governo, que tinha sido fixada em 3,5% para 2022.

Na sexta-feira (6), o Itaú revisou sua projeção para o IPCA de 2022, de 7,5% para 8,5%, citando preços administrados como gasolina e energia elétrica mais elevados e desinflação mais lenta de bens no segundo semestre. A estimativa do banco para a Selic é de 13,75% ao ano, com uma extensão do ciclo de alta dos juros por mais dois meses. Já para a taxa de desemprego a previsão é de 12% ao final deste ano.

Para a Austin, porém, ainda há risco de o Brasil terminar o ano com taxa de dois dígitos de inflação, juros e desemprego. “Os juros vão permanecer nesse nível por um bom tempo. A inflação até o final do ano corre o risco de ficar em dois dígitos”, afirma Agostini.

Os analistas destacam, porém, que a pior consequência desta combinação é o impacto direto no emprego e renda, bem como no ritmo de recuperação da economia brasileira.

“Estamos numa estagnação agora, mas o Brasil pode até entrar numa recessão também”, alerta o economista da Austin, que não descarta eventuais retrações no PIB ao longo do ano, assim como ocorreu nos EUA no primeiro trimestre.

O mercado financeiro estima um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,70% em 2022 e de 1% em 2023. O FMI faz uma projeção um pouco melhor, de avanço de 0,80% neste ano e de 1,4% no ano que vem. Ainda assim, a perspectiva para o Brasil segue bem abaixo da média mundial e dos emergentes.

“Para desmontar essa situação de tríplice coroa, com inflação, juros e desemprego de dois dígitos, vai ter um elevado custo econômico”, afirma Vale. “É justamente crescimento baixo de forma mais estrutural e mais longo prazo, com a consequência de manter a taxa de desemprego alta por mais tempo.”

Com informações do G1