Vigilante vai a júri popular por morte de jovem em ponto de ônibus de GO

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Para juiz, suposto serial killer a matou por motivo fútil e sem chance de defesa. Bruna foi morta em maio de 2014, quando voltava para casa com um amigo.

O juiz da 1ª Vara Criminal de Goiânia Jesseir Coelho de Alcântara mandou nesta terça-feira (9) o suposto serial killer, Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 27 anos, a júri popular pela morte da jovem Bruna Gleycielle de Sousa Gonçalves, de 26 anos, em um ponto de ônibus de Goiânia. Essa é a 14ª decisão em relação à série de homicídios dos quais o vigilante é acusado.

O homicídio é considerado qualificado, por ter motivo fútil e sem possibilidade de defesa para a vítima. A defesa do vigilante chegou a pedir que as qualificadoras fossem retiradas do processo, mas o juiz negou. Para Alcântara, quando o acusado disse em depoimento que sentia uma raiva inexplicável de tudo, ele assumiu que não havia uma motivação específica para o crime. Além disso, o juiz considera que a jovem foi atacada de surpresa, sem chance que ela pudesse fugir ou lutar contra o agressor.

O crime aconteceu no dia 8 de maio de 2014, na Avenida de T-9, em um ponto de ônibus em frente a uma marmoraria, no Setor Jardim América. O vigilante, portando uma arma de fogo, se aproximou de moto e, sem retirar o capacete, deu voz de assalto. Enquanto Bruna pegava o aparelho, ele atirou contra o peito da vítima. Ela estava acompanhada de um colega de trabalho aguardando o ônibus para voltar para casa. O rapaz não se feriu.

Crimes
O vigilante foi preso no dia 14 de outubro do ano passado e aguarda julgamento no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. Além de crimes contra mulheres, ele também confessou assassinatos de homossexuais e moradores de rua. Inicialmente, ele confessou 39 mortes. Depois, em depoimentos na companhia de advogados, ele reduziu o número para 29.

No último dia 28 de abril, Tiago disse durante audiência sobre o homicídio de Thamara Conceição Silva que foi coagido por policiais a assumir diversas mortes das quais é acusado. Ainda segundo o vigilante, ele não se lembra precisamente quem o coagiu durante o depoimento na delegacia e se limitou a dizer apenas que “foram homens”.

Durante audiência sobre a morte da jovem Beatriz Cristina de Oliveira, de 23 anos, no último dia 19, o vigilante pediu para dar seus próximos depoimentos sobre os crimes dos quais é acusado por meio de cartas. Segundo ele, as sessões na 1ª Vara Criminal de Goiânia são muito tumultuadas. “Posso tentar me lembrar dos crimes melhor se eu puder escrever”, disse o vigilante.

Sendo assim, no último dia 26, ele entregou uma carta ao juiz Jesseir Coelho, na qual afirmou que está arrependido dos crimes. “Hoje peço perdão às famílias que vitimei e seja o que Deus quiser”, disse no texto.

Decisões
Ao todo, Tiago já foi encaminhado a júri popular pela morte de 13 pessoas: Bárbara Luiza Ribeiro, 14 anos, Ana Lídia Gomes de Sousa, 14; Juliana Neubia Dias, 22; Lilian Sissi Mesquista, 28; Wanessa Oliveira Felipe, 22; Carla Barbosa de Araújo, 15; Ana Karla Lemes da Silva; 15; Isadora Aparecida Cândida, 15; Thamara da Conceição Silva; 17; Arlete dos Anjos Carvalho, 16; Taynara Rodrigues da Cruz, 13, Pedro Henrique de Paula Souza, 19, Ana Rita de Lima, 17, e Bruna Gleycielle, 26.

Além disso, a Justiça já condenou Tiago a três anos de prisão em regime aberto por porte ilegal da arma, a mesma que ele teria usado para cometer os crimes. Além disso, ele também terá de pagar uma multa no valor de R$ 241.

Apesar da pena não ser em regime fechado, Tiago está detido em virtude da condenação a 12 anos e 4 meses em regime fechado por ter assaltado duas vezes a mesma agência lotérica do Setor Central, em Goiânia.

G1